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Cantigas à Viola II

Posted by violadaterra on May 2, 2018 at 9:30 AM

9 Ilhas 2 Corações

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“Cantigas à Viola II”

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Há algumas semanas dediquei um artigo às “Cantigas à Viola” que foram sendo transmitidas, na tradição oral do povo dos Açores, ao longo de séculos. Pretendia que se compreendesse que os Tocadores e a Viola, pela sua presença indispensável, eram, e são, alvo de muitas cantigas improvisadas.

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Para além dessas quadras, de autor desconhecido, cantadas e/ou declamadas desde tempos passados e recolhidas em várias Ilhas do nosso Arquipélago, entendo ser importante que se conheçam outras cantigas. Poemas de autores contemporâneos, que dedicaram parte da sua obra à valorização da Viola nos Açores.

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Um dos grandes exemplos de Escritores que escreveram sobre a nossa Viola será Vitorino Nemésio. No seu livro “Festa Redonda – Décimas & Cantigas de Terreiro, Oferecidas ao Povo da Ilha Terceira” pp. 77-79, dedica um poema à Viola de 15 Cordas da Ilha Terceira:

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Cantigas à minha viola

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Ó viola encordoada

Com quinze cravos de aposta,

Minha pêra acinturada,

Minha maçã da Bemposta

.

 

Quando te toco nas cordas,

À boca do coração,

Vou-me sangrando em saúde

Que nem sumo de limão.

.

 

Tens os pontos doiradinhos,

Tens os espaços de luto,

Cada prima é uma flor,

Cada cravelha é um fruto...

.

 

Cada bordão é um zangão,

Cada toeira uma abelha,

Ó jardim de madrepérola

Da minha festa vermelha!

.

 

Letrinha de 8 somada

Pelas tuas seis parcelas

Mai-las minhas mãos cansadas,

Amarelas... amarelas...

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Pendurada a tiracolo

No teu cordão cor de vinho,

És o meu saco de cego,

O meu burro e o meu moinho.

.

 

No florão da minha viola

Pus uma tira de espelho,

Para ver, de quando em quando,

Se estou novo, se estou velho.

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Na caixa da minha viola

Há um letreiro que diz:

V. DA SILVA, VIOLEIRO,

ILHA TERCEIRA – PARIS.

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Mas um tolo, um engraçado,

Colou com cuspo uns tarjões:

SILVA, CANGALHEIRO DE ALMAS,

FAZ VIOLAS E CAIXÕES.

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Meu amor, deixa falar!

Dorme, não percas a esperança!

Morta, na minha viola,

Serás como uma criança.

.

 

Que seis meninas de arame

É que te levam à campa,

Com seis florinhas de pau

Espetadinhas na tampa.

.

 

E o limão, a violeta,

A madrepérola, o espelhinho

Hão-de te servir de terra

E de mortalha de linho.

.

 

Minha viola de luxo,

Minha enxada de cantar,

Meu instrumento de fogo,

Caixinha do meu chorar!

.

 

Viola, bordão de prata,

Vida violeta, violeta...

Prima, coração me mata...

Poeta! Poeta! Poeta!

.

 

No mesmo livro, o Escritor Açoriano dedica quadras ao Tocador de Viola. Ele próprio foi aprendiz de Viola com o afamado Mestre de Viola Terceirense Laureano Correia dos Reis:

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Senhor Mestre da Viola,

Aqui cheira a violetas:

Será de uns olhos azuis,

Por detrás de cravelhas pretas.

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Vitorino Nemésio e Laureano Correia dos Reis, do Livro “Vitorino Nemésio e a Sapateia Açoriana” de Manuel Ferreira.

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Rafael Costa Carvalho

Músico e Professor

r_c_carvalho@hotmail.com

 

 

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1 Comment

Reply Zium
5:55 PM on September 2, 2019 
Minha viola de luxo,

Minha enxada de cantar,

Meu instrumento de fogo,

Caixinha do meu chorar!
https://comoganharnalotofacil.blog.br