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-9 Ilhas 2 Corações-
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“Da viola, suas cordas e seus nomes”
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Hoje começo por apresentar a nossa Viola: suas características e os vários nomes por que é conhecida nas nossas Ilhas e no nosso País.
A Viola tocada nos Açores é um instrumento com a caixa em forma de “8”, com tampo harmónico paralelo às costas, sendo constituída por 12 cordas.
Estas 12 cordas são dispostas em 5 ordens (parcelas) sendo a 1ª, 2ª e 3ª ordem dupla e a 4ª e 5ª ordem tripla (do som do mais agudo para o mais grave: da 1ª corda de baixo para a última corda de cima).
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Esta pormenorização toda, que é muito usada na linguagem musical, pode ser confusa por ser pouco conhecida do público em geral.
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Tentando simplificar isto quer dizer o seguinte: quando em comparação, por exemplo com um “Violão”, mais conhecido de todos, este tem 6 cordas e a cada corda corresponde uma ordem simples. 6 cordas = 6 ordens de cordas uma vez que cada corda é tocada/pressionada individualmente.
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No caso da Viola da Terra sempre que se pressiona uma ordem de cordas estamos a pressionar, em simultâneo, 2 cordas (ordens duplas) ou a pressionar 3 cordas, (ordens triplas). Daqui que tenhamos um instrumento com 12 cordas, mas divididas em 5 ordens (fig.1)

Ilustração de Luís Cardoso no Livro "Método para Viola da Terra - Iniciação"
No entanto, no caso da ilha Terceira, temos uma excepção a estas características uma vez que a Viola que hoje mais se toca naquela Ilha é a Viola de 15 cordas: Viola de 6 ordens. Temos, neste caso, um instrumento que tem a 1ª, 2ª e 3ª ordem dupla e a 4ª, 5ª e 6ª ordem tripla. Esta Viola também ocorre, pontualmente, nas Ilhas Graciosa e de São Jorge.
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Apesar de haver exemplares e indícios da sua existência no passado a Viola de 12 cordas na Ilha Terceira é, hoje, um instrumento que quase não se toca, exceptuando um ou outro tocador mais resiliente.
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Apresentadas algumas das características mais identificativas do Instrumento (noutros artigos falarei de outras particularidades) gostaria de abordar, numa segunda parte desta rubrica, os nomes por que é conhecido.
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Nos tempos mais antigos as nossas Violas eram apenas chamadas de Violas. Sem distinções por Regiões nem pelas suas diferentes características. De Norte a Sul do País e nos seus dois Arquipélagos tocava-se a Viola.
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Com o passar dos tempos a nossa Viola passou a chamar-se de “Viola de Arame”. Ganhou esse nome por as suas cordas serem de Arame.
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A título de exemplo, nas recolhas do Professor Artur Santos nos Açores, na década de 50 e 60, vem sempre referido o executante como tocador de “Viola de Arame”. Não só ele como outros investigadores referiram-se assim à Viola tocada nos Açores e em todo o território Português.
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Entretanto, com a necessidade de se identificar de modo mais imediato as Violas em cada Região, definiram-se nomes por que passaram a ser conhecidas as Violas: Viola Braguesa, Viola Beiroa, Viola Toeira, Viola Amarantina, Viola Campaniça, Viola de Arame Madeirense e, no caso dos Açores, Viola da Terra.
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Esta família de 7 Violas de Arame Portuguesas (podendo haver outros nomes utilizados em cada Região) é a que é mais conhecida e de certo modo aceite pelos que tocam, investigam e escrevem sobre a Viola em Portugal.
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No caso dos Açores o nome de Viola da Terra é o que prevaleceu e é o mais conhecido de todos. No entanto, há quem chame o instrumento de Viola Regional, Viola Açoriana, Viola Terceirense (no caso da Viola de 15 Cordas) e, ainda, de Viola de Dois Corações, podendo haver ainda mais designações utilizadas.
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Foi esta a minha partilha semanal pretendendo, pouco a pouco, dar a conhecer mais sobre a nossa Viola: com 5 ou 6 ordens, com diversas designações, mas sempre a nossa Viola.
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Rafael Costa Carvalho
Músico e Professor
r_c_carvalho@hotmail.com
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