Catarse

de Edson Incopte

15-09-2010

A sustentabilidade da EAGB passa pela sua privatização

 

A privatização da EAGB – Electricidade e Águas da Guiné-Bissau é, no meu entender e, certamente, no entender de muita gente, algo imperativo! Porém, é importante começar este artigo salientando que a discussão em torno desta questão não poderia prescindir de tantas outras quanto à situação actual do país. Isto é, não só pedir uma privatização que a guerra civil de 1998 adiou, mas também, saber argumentar e mostrar o porquê da EAGB não conseguir satisfazer as necessidades a que se propôs. Facto pelo qual a sua privatização é hoje mais do que necessária.

A EAGB é hoje uma empresa desadaptada às necessidades da actual sociedade Guineense. Desadaptada a todos os níveis. Desde infra-estruturas até aos equipamentos administrativos. Aliás, se existe naquela empresa algo relativamente actualizado, provavelmente, teremos de dar graças à empresa francesa EDF – Electricité de France. Empresa que geriu a EAGB até meados de 1997. Mas talvez a frase “dar graças” não seja a melhor, pois a gestão da empresa francesa não nos custou pouco. Teve elevados custos graças às comissões de gestão. Não será difícil deduzir que esses elevados custos de gestão contribuíram para o já longo desmaio da EAGB.

Recentemente, a Líbia surgiu em poses de heroína como se fosse a ponte de salvação para a EAGB e para os Guineenses. “Nós não nos sentimos bem quando estamos a viver no luxo e os nossos irmãos da Guiné-Bissau na escuridão”, palavras do Embaixador Plenipotenciário da Líbia na Guiné-Bissau, Nazil Abdul Cadry no acto da entrega da ajuda. Não vejo estas palavras como humilhação, porque simplesmente não tenho um orgulho besta. Mas como todos sabem, a verdade por vezes é bastante dolorosa.

Mas pergunto: não existe mesmo mais nenhuma alternativa, ou não se quer considerá-la?

Será que estamos condenados a viver eternamente de esmolas?

Renego esta postura de pedinte, ainda mais, quando existem soluções que podem ser bastante viáveis. E exorto o Estado da Guiné-Bissau a perceber que não é com dez mil litros de gasóleo, diários, vindos da Líbia, que conseguirá reanimar a EAGB. Senão, vejamos: e quando terminar o período que a Líbia estabeleceu, quatro meses, como será? O país volta a ficar na escuridão?!

Meus caros, a estabilidade de uma empresa é algo que normalmente se consegue com um investimento a médio/longo prazo e a Líbia certamente não custeará luz e água à cidade de Bissau por um longo período de tempo. E, se me permitem um aparte, não podemos depositar as nossas confianças num homem imprevisível que a ambição das grandes potências mundiais tirou rapidamente o rótulo de malfeitor para lhe colocar um que diz: o salvador. Fechando os olhos ao passado.

A EAGB precisa de um investimento profundo e de uma reestruturação que talvez só com a privatização é capaz de sei feito. Digo isso porque mesmo a nível de pessoal aquela empresa deixa bastante a desejar. – É fácil dizer “não há luz nem água na cidade de Bissau porque o governo não quer”, como já ouvi por aí. Difícil é explicar porque é que não falta luz nem água nas casas dos funcionários, dos seus familiares e das suas múltiplas amantes, falando de uma forma geral é claro! Alguns me dirão que estou a entrar no campo pessoal. Mas não. Porque coisa pública é coisa pública! Não brinquemos…

Como pode haver sustentabilidade/rentabilidade numa empresa quando as pessoas não pagam os serviços que lhes são prestados? E para piorar a situação, aqueles que têm água em suas casas, sem pagar, vendem essa mesma água à vizinhança obrigando-lhes a pagar a torneira. À boa maneira Guineense, paga bumba. Até existem locais onde a água é paga por cada alguidar que se enche. Que triste realidade a nossa…

Meus irmãos, a EAGB não pode prestar um serviço eficaz às populações quando se trata, em certo ponto, de uma empresa que parou no tempo! Muitas infra-estruturas remontam do tempo colonial. Aquelas que a gestão francesa tentou reabilitar, a guerra civil de 1998 tratou de as travar e ficaram por fazer. São poucos os investimentos que se fizeram nas infra-estruturas desde final da referida guerra até então. Caso esteja enganado, alguém que me elucide do contrario. Mas, desde já friso que não é preciso andar muito pela cidade de Bissau para ver casas com contadores/ligações, que são verdadeiros perigos para a sociedade. Os postes de energia eléctrica são outro perigo de morte. Basta chover para ninguém ter a coragem de tocar num poste de electricidade.

Quantas crianças não morreram electrocutadas depois das chuvas, por inocentemente brincarem junto aos postes de electricidade?! A quem se pediu explicações? É isso mesmo, ao famoso Zé Ninguém…

A rede de abastecimento que faz com que a água chegue às casas, deve estar num estado tal que uma análise mais rigorosa daria a água como imprópria para consumo. Isso para não falar da necessidade que certamente existe de restaurar todo o sistema, isto é: captação, tratamento, armazenamento, etc.

Perspectivando algumas reacções, mesmo acanhadas, sei que alguns dirão que privatizar a EAGB, nesta altura, seria um erro. Isso na medida em que a sociedade não dispõe de meios para suportar os custos que uma eventual empresa privada colocaria para assim cobrir os investimentos que necessariamente teria de fazer. Em resposta a essa argumentação, digo: É possível ficar pior do que está? E mesmo que esse argumento impere, então porque não privatizar parte da empresa? E digo mais, mesmo em caso de uma privatização total, o Estado tem o poder de regular os preços consoante a realidade social.

Outros dirão que a EAGB não é privatizada porque o país não reúne condições de cativar o investimento estrangeiro, atendendo que os mais prováveis candidatos ao concurso de privatização da empresa seriam a EDP – Energias de Portugal e a EF – Electricité de France. A esses não perderei muito tempo a responder, partindo do princípio que conhecem a realidade. Aliás, termino por aqui este artigo fazendo-lhes a simples pergunta que o grupo Guineense Torres Gémeos fez: Afinal ba quim que culpados? (Afinal quem são os culpados?)

 

Estamos juntos!


30-06-2010

Presidente Malam Bacai SanhÁ envia recados, insensatos, À Comunidade Internacional

 

Durante a cerimónia de empossamento de António Indjai como (CEMGFA) Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, o Presidente da República Malam Bacai Sanhá resolveu enviar alguns recados à Comunidade Internacional por se ter alertado o país quanto à imperatividade de nomear para o cargo de CEMGFA uma personalidade que não tivesse estado envolvida no acontecimento de 1 de Abril do corrente ano.

Pelo facto das autoridades Guineenses se terem posicionado contra as indicações, na minha opinião sensatas, da Comunidade Internacional, o Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, resolveu proferir as seguintes declarações: "Tomámos a nossa decisão soberanamente, como um Estado soberano" esquecendo que neste mundo globalizado em que vivemos não basta somente ser um país soberano. Como membros de várias organizações internacionais temos contas a prestar aos nossos parceiros. Se não, porque houve tantos encontros após o 1 de Abril de forma a justificar os acontecimentos? Porque houve o receio inicial de confirmar o nome de António Indjai como de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas?

Será pelo facto de António Indjai estar implicado no assassinato do ex-presidente Nino Vieira, no levantamento de 1 de Abril e nos casos de tráfico de drogas no país, portanto não reunir o mínimo de consenso tanto a nível nacional como internacional?!

Será pelo facto de todos sabermos, inclusive o Presidente, que a pessoa de António Indjai não é um garante da estabilidade desejada?!

Seja como for, a meu ver, as indicações da Comunidade Internacional fazem todo o sentido. Porque a corrupção, o tráfico de drogas, o crime organizado, etc… são fenómenos que ultrapassam e muito os limites de um Estado. E combater estes fenómenos é uma tarefa que requer a colaboração activa de várias organizações mundiais, ainda mais, tratando-se de um país como a Guiné-Bissau que não reúne condições para investigar o que quer que seja.

Todos estamos cientes de que por este mundo fora continuam a correr tintas que ligam as mortes do ex-presidente Nino Vieira e de Tagme Na Waie a redes de tráfico de drogas. Os acontecimentos de 1 de Abril andam à volta do tráfico de drogas. Assim como estamos todos sabedores que António Indjai está implicado em todos estes acontecimentos que ainda estão a ser investigados no interior e no exterior do país. Então porquê considerar que as preocupações da Comunidade Internacional roçam a interferências em assuntos internos do Estado da Guiné-Bissau, tal como insinua o recado do senhor Presidente Malam Bacai Sanhá? Afinal, o que quer de facto o senhor presidente?! Um país isolado do mundo que passe a viver do narcotráfico?

Senhor Presidente, Malam Bacai Sanhá, o senhor sim, foi eleito de forma soberana. Mas nunca se esqueça que o senhor está onde está, acima de tudo, para servir o povo Guineense. Não para servir o Indjai ou quem quer que seja. E isto que o senhor fez, foi prestar um mau serviço ao povo que o elegeu! Aliás, o sentido de serviço é uma coisa que muito falta ao senhor e à maioria dos governantes do nosso país. Se o senhor ou o Indjai não precisam da Comunidade Internacional, o povo Guineense infelizmente, ainda precisa e muito.

A Guiné-Bissau e os Guineenses querem estabilidade!

A Guiné-Bissau e os Guineenses querem ser olhados com mais respeito e dignidade!

A Guiné-Bissau e os Guineenses querem conhecer o progresso!

 

Estamos Juntos!


07-04-2010

Quando os factos são irrefutáveis

 

A importância de encararmos os factos como realmente são, por mais que nos custe, é extremamente crucial para abordarmos quaisquer que sejam esses factos! Temos todos que deixar de ser utópicos, julgar que as coisas se resolvem por si, ou que da forma que estamos a proceder conseguiremos resolver os nossos problemas. Isso é simplesmente fantasioso!

A verdade dos factos é dura, mas aceitemo-la com realismo. No que diz respeito às constantes instabilidades na Guiné-Bissau, temos um problema gravíssimo que são os nossos inconsequentes militares! Embora incitados por múltiplos factores. Tais como, o problema do tráfico de droga, a falta de formação que reina na classe castrense, a imoral cumplicidade dos dirigentes que prezam somente os seus interesses pessoais. Enfim… os factores são inenarráveis.

Outra verdade menos dura é que o nosso país não se encontra minimamente preparado para resolver este profundo problema. E enquanto se vai adiando a sua resolução por interesse e teimosia, vai-se também comprometendo o futuro das gerações vindouras.

Cair nas fraudulentas declarações de personalidades que insistem em considerar os acontecimentos do dia 1 de Abril como um incidente ultrapassável, é um erro no mínimo absurdo. Pois caso estes acontecimentos sejam tolerados, como tem acontecido, podemos ter a certeza que mais dia, menos dia, vamos voltar a assistir ao mesmo filme com outras personagens.

Tenho plena consciência de que uma suposta entrada de forças estrangeiras na Guiné-Bissau, seria a última coisa que qualquer Guineense poderia desejar, mas a verdade é que também já ultrapassamos todos os limites de condescendência. Os nossos antepassados não andaram a lutar anos e anos contra os colonizadores, para agora chegarmos ao ponto de admitirmos que necessitamos de uma força exterior para organizar uma parte da nossa sociedade. (E chegamos mesmo a essa necessidade!) Mas também não andaram a lutar para que o nosso povo continuasse a ser explorado e humilhado.

Quantos já morreram: Ansumane Mané, Veríssimo Correia Seabra, Tagme Na Waie, Nino Vieira, Baciro Dabó, Hélder Proença… isto só para citar algumas personalidades. Quantos mais terão de morrer para que aceitemos a realidade? Afinal quem tem o direito de tirar a vida a outrem?

Não é uma boa política de análise ir buscar somente as más prestações de forças estrangeiras em suas diversas intervenções. Temos bons exemplos e o caso de Timor, por enquanto, está a ser um deles. E pior do que estamos a passar, é difícil! O que está a acontecer é um facto irrefutável e o que pode vir a acontecer, com a entrar de uma força multinacional, é uma hipotética possibilidade.

Na minha opinião apostar nas forças policiais como forma de colmatar as delinquências dos militares, com a possibilidade de “atribuí-las competências especiais internas, acima de todas as outras forças da autoridade” é no mínimo estar a criar uma guerra interna entre militares e polícias. Porque os militares nunca aceitarão estar submetidos às forças policiais na Guiné-Bissau, aliás, ao longo da história da nossa independência temos visto que o que tem desencadeado vários acontecimentos absurdos é justamente o facto de os militares não estarem submetidos a qualquer outros poder. Pensar que os militares admitirão tal ideia, é estar a fantasiar.

Quem não se lembra dos recentes confrontos entre militares e polícias por causa das aeronaves que aterraram no aeroporto Osvaldo Vieira?

Quem não se lembra do caso em que os militares assaltaram uma esquadra da polícia, tiraram da cela um prisioneiro da Polícia Judiciaria e espancaram-no até à morte?

Quem não se lembra do que voltou a acontecer há algumas semanas, quando militares voltaram a assaltar a esquadra da Polícia Judiciária para tirarem de lá um prisioneiro?

Quantas vezes os militares não formaram barreiras impedindo que os polícias fizessem o seu trabalho?

Todas as ideias quanto a esta questão são bem-vindas e devemos ponderar todas elas. Mas a minha continua a ser favorável ao envio de uma Força Multinacional para a Guiné-Bissau. Pela simples razão de que não caio nas lábias de nenhum Primeiro-ministro hipócrita e covarde que agora abandona à sua “sorte” o seu aliado número. Muito menos caio nas lábias de um presidente que habituamos a ver sem pulso e que agora parece sair bem na fotografia por ter simplesmente cumprido o seu papel. Aliás ter tentado cumpri-lo, porque nada está ainda resolvido!

Vamos encarar os factos com realismo.

Vamos, pelo menos tentar, resolver os problemas e parar de adiar a resolução.

Vamos opinar e buscar soluções, pois é com argumentos e contra-argumentos que vamos encontrando formas de resolver os nossos problemas. 

 

Estamos juntos!


02-04-2010

Delinquentes a que chamamos de Militares

 

Os recentes acontecimentos que voltaram a abalar a cidade de Bissau, certamente deixaram todos os Guineenses num grande estado de choque, nem que seja pela surpresa com que aconteceram. Porém, mais do que condenar mais este acto criminoso de meia dúzia de delinquentes que chamamos de Militares, há que reflectir e deixar algumas considerações sobre o que terá conduziu a toda essa barbaridade, que segundo informações o Presidente designou eufemísticamente de disparate. Considero que o aconteceu, necessita de uma enorme reflexão da parte dos filhos da Guiné-Bissau, nem que seja numa tentativa de virar o jogo e transformar este péssimo momento numa oportunidade única de corrigir o histórico de introduzir analfabetos, sanguinários, mal-formados nas Forças Armadas, um erro que a luta pela independência e a guerra civil de 7 de Junho de 1998 nos obrigou.

Na tentativa de compreender como as coisas atingiram as proporções que atingiram, deixo aqui algumas considerações, que provavelmente já terão passado pela cabeça de muitas pessoas, mas que importa expor para que sejam debatidos por todos.    

Recusa de uma Força Multinacional

Presumivelmente algumas pessoas vão considerar que agora é muito fácil estar aqui a dizer: o aviso já tinha sido dado. Mas a verdade é que é um facto! Este assunto foi por diversas vezes abordado em vários órgão de comunicação social, mas como não podia deixar de ser, os interesses de alguns sobrepuseram-se aos interesses do povo Guineense.

Foi mesmo admitido, variadíssimas vezes, pelos órgãos da soberania que os Militares Guineenses não se encontram minimamente preparados para dar o passo que os próprios governantes afirmam querer dar para o desenvolvimento do país. Então porque razão havemos de continuar a não admitir que necessitamos de ajuda efectiva no terreno?! Uma ajuda que pode ser dada por uma Força Multinacional na própria reforma do sector da segurança, onde se tem depositado tanta confiança. Reforma que por si só implica uma serie de risco para todos os envolvidos, directa ou indirectamente.

O equívoco que algumas pessoas têm sistematicamente cometido é confundir uma Força Multinacional com uma Força de Intervenção. Mas na medida em que o nosso país na se encontra em guerra, não necessitamos desta ultima. No entanto, pelo que temos vindo a assistir ao longo da nossa história, não é difícil chegar a conclusão que necessitamos de uma força estrangeira para trabalhar em conjunto com os nossos Militares por um largo período de tempo. Isso porque não pretendo ser, para já, radical ao ponto de afirmar que a Guiné-Bissau perante a sua dimensão e pelo número de habitantes que a constitui, não necessita de Militares.

Cabe agora a todos os que se posicionaram contra o envio de uma Força Multinacional repensarem as suas posições para que este assunto seja debatido duma forma seria e sensata, onde vozes relevantes e profissionais na matéria possam realmente ser ouvidos. Porque se não, hoje foi o Indjai, amanhã será qualquer outro mal-formado.  

Escolha de António Indjai para Vice-chefe das Forças Armadas

Todos estamos recordados das peripécias que conduziram o senhor Zamora Induta e o senhor António Indjai aos cargos que ocupam, este último é mesmo suspeito de ter sido o executante do ex-presidente Nino Vieira. Assim como sabíamos todos que os mesmos não possuíam condições nem qualificações para ocuparem os cargos para que foram nomeados. Mas como é costume dos governantes Guineenses, a troca de favores voltará a hipotecar o futuro dos Guineense.

O que aconteceu em Bissau na manha de 1 de Abril de 2010 tratou-se somente da concretização do velho ditado que diz que quem planta vento, colhe tempestade. Porque tanto o Cadogo, quando o Zamora Induta conheciam bem a ambição desmedida e o carácter ignóbil do senhor António Indjai. Todavia, cometeram o grande erro de considerar que a escolha de um analfabeto funcional para ocupar o cargo de vice-chefe das Forças Armadas seria benéfica para todos. Na medida em que o mesmo se consideraria satisfeito com o lugar perante as condições que apresenta, condições que numa situação e num país normal, não lhe serviam nem para vestir uma farda militar. A dupla Cadogo-Zamora, por sua vez, teriam um pau-mandado para os seus jogos. Pelos vistos subestimaram o ambicioso António Indjai. 

Impasse do caso Bubo Na Tchuto

A chegada de Bobo Na Tchuto a cidade de Bissau no início do ano perturbou muitas pessoas, entre elas e dupla Cadogo-Zamora. E por causa dessa perturbação as coisas não foram conduzidas a base da lei, como manda qualquer democracia. Alias, (respondendo a algumas pessoas) é essa condução do processo a base da lei que tem sido pedido desde início, jamais foi defendida a impunidade ou algo que se pareça. Exigiu-se respeito pela lei e pelos direitos humanos consagrados na carta das Nações Unidas! Mas infelizmente o processo arrastou-se por demasiado tempo o que originou um impasse sobre o caso.

Na minha óptica, toda a perturbação que o regresso do Bubo levantou, deveu-se ao facto do mesmo ter sido “tramado” aquando da sua fuga para Gâmbia, como forma de limpar caminha para se chegar ao Nino, onde se acabou por chegar. O que significa que com a sua volta, o Bubo iria com certeza querer vingar-se de todos aqueles que lhe tramaram. E acabou por encontrar no analfabetismo, carácter ignóbil e ambição desmedida do senhor António Indjai o caminho perfeito para a sua vingança.

Longe mim querer aqui afirmar a inocência do senhor Bubo Na Tchuto, deixo essa constatação, ou não, para a justiça. Porque certamente se ele se escapa de uma existem muitas outras de que não escapará. Agora, quer se goste, quer não se goste, a minha opinião é de que culpado ou inocente da acusação de golpe de Estado de que foi alvo, existe muita tramóia por trás de todo o processo que levou Bubo Na Tchuto a fugir para Gâmbia.

Conclusão

Concluo estas considerações condenando veemente este acto inqualificável dos delinquentes a que chamamos de militares e reafirmando a ideia deixada na introdução. Com uma reflexão participativa, analisando as opiniões de profissionais na matéria, podemos virar o jogo e transformar este péssimo momento numa oportunidade única de corrigir um erro histórico. Basta para tal aceitarmos que necessitamos de ajudar efectivas no terreno para conseguirmos fazer a tão falada reforma no sector da defesa. Basta para tal deixarmos de colocar o dinheiro em frente de tudo e perceber que existem coisas que só o dinheiro não resolve. É extremamente importante que se corrijam os erros e se limpem o caminho que se quer percorres. Caso contra, o destino vai nos livrando dos n’bai luta e vão crescendo os n’bai 7 de Junho.

O povo Guineense já está mais do que farto que meia dúzia de analfabetos, de vez em quando, resolvam usar da arma para atingirem os seus fins obscuros.

O povo Guineense já está cansado que alguns delinquentes se considerem donos da Guiné-Bissau, pela simples razão de que possuem armas.

O povo Guineense já sofreu demasiado, porque alguns colocam interesses pessoais ou étnicos acima dos interesses nacionais.

 

Estamos juntos!


25-02-2010

As Forças Armadas GuineenseS desconhecem os limites das suas competências

 

A Guiné-Bissau é um estado que teoricamente se declara democrático, mas onde algumas instituições desconhecem completamente os limites das suas competências. O mais recente comunicado da hipotética instituição designada por conselho superior militar vem demonstrar que mais uma vez os mesmos militares que ao longo dos anos nos têm revelado falta de conhecimento no que diz respeito às suas reais incumbências, vêm à ribalta marcar posição à base de intimidações e ignorando por completo a constituição da república, que embora desactualizado, tem que ser respeitada.

O comunicado emitido no passado dia 20 de Fevereiro de 2009 patenteia-nos usurpação de poder na medida em que as Forças Armadas não possuem competência para desempenhar o papel que desejam a todo o custo desempenhar na vida política nacional. Os militares têm a obrigação de não interferir na vida política do país, economizando acções para aquilo que lhes compete.  

Como cidadãos em pleno gozo dos nossos direitos cívicos, resta-nos analisar o respectivo comunicado e compreender o seu timing de publicação. 

Na passada semana, mais precisamente no dia 12 de Fevereiro, o Partido da Renovação Social (PRS) cortou relações com o Primeiro-ministro, pediu a demissão do Governo ao Presidente da República e proferiu na pessoa do seu Vice-presidente, Ibraima Sori Djaló, um conjunto de declarações que vão contra a forma de estar do Governo de Carlos Gomes Jr., isso quando uma semana antes, o mesmo Partido tinha emitido um comunicado onde acusava o Governo de "abuso de poder" no que diz respeito ao caso Bubo Na Tchuto.

Dois dias depois, 14 de Fev., o Vice-presidente do PRS voltou a fazer declarações que condenam a postura do Primeiro-ministro acusando-o de “falta de diálogo e prepotência” e também fazendo referências às deslocações do mesmo ao estrangeiro, nomeadamente as questões colocadas em França sobre os assassinatos ocorridos no país.

Continuando a sua campanha de crítica, o Partido da Renovação Social tem aproveitado todas as situações para criticar fortemente o Primeiro-ministro e o restante executivo alegando que os mesmos não têm capacidade de responder de forma satisfatória aos graves problemas do país. 

Face a esta atitude do Partido da Renovação Social, as Forças Armadas, amicíssimos de Cadogo, resolveram partir para o ataque e deter as investidas do PRS. Mesmo que para tal, seja necessário desrespeitar a Constituição da República, aliás há muito que têm feito tal coisa e ninguém lhes exige explicações. 

O comunicado emitido pelo Conselho Superior Militar tem como objectivo principal, fazer calar o PRS e o seu Vice-Presidente Ibraima Sori Djaló. Contudo, um dos mais consagrados direitos que um Estado Democrático nos confere é o de expressão. Nesse sentido o Sr. Ibraima Sori Djaló tem todo o direito de proferir as declarações que bem entender, desde que respeitando os limites impostos pela lei e respondendo pelas suas palavras. Assim como o PRS, enquanto Partido político, tem todo o direito de interferir na governação do país instrumentando acções que bem entender. Cabe a quem de direito julgar essas acções, se for o caso, chamando o Partido a prestar esclarecimentos sobre o assunto. 

Essa incumbência, certamente, não compete às Forças Armadas a ponto de emitirem um comunicado a afirmar estarem atentas a qualquer factor que possa pôr em causa a estabilidade política e institucional do país. 

Não querendo aqui defender os interesses nem as posições do PRS, longe de mim tal ideia, quero sim, insurgir contra esta atitude desrespeitadora dos direitos dos cidadãos, bem como, anti-democrática, por parte das Forças Armadas. Aliás, nunca sairia em defesa do PRS, na medida em que o próprio PRS é incapaz de explicar as atitudes que toma. Isso é bem visível na declaração que o seu Vice-presidente proferiu quando questionado sobre as razões que levam o Partido a pedir a demissão do Governo, limitou-se a dizer: “por muita coisa", sem no entanto, concretizar com um único exemplo. 

Em relação a toda esta novela, permanece a curiosidade em relação à próxima acção do PRS, já que foi ontem divulgado uma notícia que dá conta do Partido estar a ponderar apresentar uma moção de censura ao Governo, que quanto a mim não terá qualquer efeito. Na medida em que o Partido não demonstra conhecimento das bases onde assentará tal moção, assim como o facto de o PRS ser um Partido sem moral para tal. 

Por fim, resta-nos constatar com esta atitude que as Forças Armadas, sob jurisdição directa do Ministro da Defesa, não se submetem à autoridade suprema do Chefe de Estado como seria normal num regime democrático. Mas como disse na introdução: a Guiné-Bissau é um Estado que teoricamente se declara democrático, teoricamente.

 

Estamos juntos!


01-02-2010

Titina Sila: Mãe, Irmã e Combatente

Quando em 30 de Janeiro de 1973 Titina Sila, mãe, irmã e combatente, fechou os olhos pela última vez, provavelmente a Guiné-Bissau conheceu das suas maiores dores. Por um lado por ter perdido das suas melhores filhas, por outro, o facto de dez dias antes ter perdido o seu mais bem preparado filho, Amílcar Cabral.

Decorria o ano de 1973 e a luta nos matos da Guiné fervia de intensidade, com vantagem para os combatentes do PAIGC. Isso na medida em que, ao contrário das outras guerras que decorriam nas colónias, a guerra na Guiné já se encontrava perdida para os portugueses. A chama da independência cozinhava o sentido de liberdade e de justiça que se encontravam no pensamento da Titina, temperados pelo amor ao povo que ela carregava ao colo na figura do filho. Quanta rebeldia e determinação haviam na figura duma só mulher, dissipadas por um grupo de fanáticos que se consideravam superiores. Quão gélido deve ter sido a notícia da sua morte no seio dos combatentes da liberdade da pátria, aqueles que por momentos esqueceram dos inimigos e desejaram como ninguém a ressurreição carnal dos mortos. Contudo, foi naquele clima de absoluta mágoa que alguém encarnou a força da Titina, hoje patenteada nas mulheres Guineenses, para declarar que todo aquele desgosto tinha sido uma preparação para a chegada da tão ambicionada independência, que traria consigo a paz, o desenvolvimento e a concórdia entre todos os Guineenses. Era esta a forma que a entranhada figura levantava a moral dos combatentes, banhando o seu discurso com as lágrimas de veneração pela mãe, irmã e combatente chamada Titina Sila.

 

Foram tempos conturbados, aqueles em que Titina Sila viveu e se imortalizou. Teve a necessidade de, como mulher, ser igual aos homens, para ser respeitada e recordada como combatente.

 

Hoje, passados 37 anos após a sua morte, o respeito permanece mas não a merecida recordação! É Incomodativo constatar a falta de consideração para com a memória de Titina Sila, não só dentro do PAIGC, não só dentro dos órgãos governamentais, mas também entre a sociedade em geral. Alguns preferem deixar o nome na história pelas piores razões do que prestarem tributo aos melhores filhos da Guiné-Bissau que deixaram o nome na história pelas melhores razões. Outros insistem em ignorar completamente o facto inspirador que o nome dos bons filhos representa para a recuperação da fé harmónica entre os Guineenses. Persistem em não constatar que recordar figuras como Titina Sila é extrair ensinamentos na vida e na morte das mesmas figuras.

 

Os indícios que nos revelam que a memória da Titina Sila é completamente ignorada foram reforçados com a presença do Primeiro-ministro Guineense e presidente do PAIGC, Carlos Gomes Jr., em Portugal, no passado dia 30 de Janeiro. O mesmo esteve presente num encontro com a diáspora Guineense em Portugal no auditório da Universidade Lusófona. No dito encontro, o nome da Titina Sila não foi referido uma única vez, isso num dia tão importante para toda a mulher Guineense e em particular para a família Sila. Tal referência era esperada na medida em que entre nós se encontrava a irmã de Titina Sila, conhecida do Primeiro-ministro e também porque foram exibidas imagens relacionadas com antigos combatentes. No entanto, limitou-se a fazer alusão a Amílcar Lopes Cabral, esquecendo que o dia era de recordar Titina Sila. O facto do Sr. Carlos Gomes Jr. ocupar o cargo de Presidente do PAIGC torna sem dúvida essa falha ainda mais grave. Não vou abordar os assuntos situados no referido encontro, porque as linhas de hoje são dedicados à grandiosa Titina Sila.

 

Enfim… a todos tenho a dizer que a força espiritual que hoje sabemos que existiu em Titina Sila, tem de estar na nossa consciência, principalmente na consciência dos nossos governantes, para que assim revivamos em nós um bem profundo, que por mais pequeno que seja, não se desvaneça e nos deixe uma sensação de satisfação e paz. Caso contrário meus irmãos, continuaremos a sofrer os efeitos do esquecimento e ignorando completamente as suas causas. Por outro lado, a grande revolução que se deseja dentro da mente dos nossos jovens necessita de referências como Titina Sila. Só com essa revolução de mentalidade teremos uma Guiné-Bissau renovada sob todos os aspectos. Ou seja meus irmãos, nunca mais teremos Titina Sila, mas podemos ter pessoas que se inspiram nela no seu dia-a-dia. Os tempos são outros, mas podemos fazer voltar o bom tempo em que as crianças eram ensinadas à cantar tão sentida canção: “Titina na riu di Farim, Titina nada i tchiga na metadi i fasi força pa iangasa kanua tuga odjale i kunsa lança bumba…” 

 

Entre factos e constatações, uma pequena e devida homenagem a Titina Sila. 

 

 

Estamos juntos!  


06-10-2009

A Guiné-Bissau entretém a comunidade internacional

 

As autoridades da Guiné-Bissau vão entretendo a comunidade internacional com manobras de diversão designadas de aperto aos narcotraficantes.

 

Para que a comunidade internacional libere as verbas para o combate ao narcotráfico, para a tão falada reforma das forças armadas, entre outras coisas, há que mostrar serviço. E vontade de mostrar serviço é coisa que não falta aos nossos dirigentes. Para tal, abriu-se uma autêntica caça aos proprietários de jipes de alta cilindrada na capital Guineense. Subitamente os famosos jipes deixaram de circular pela capital, segundo as autoridades, pelo facto da Polícia Judiciária e Policia de Ordem Publica estarem a apertar o cerco aos supostos narcotraficantes. Enquanto os proprietários dos jipes alegam falta de condição das estradas.

 

O governo, por sua vez, emitiu um despacho proibindo a circulação de veículos sem chapa de matrícula ou que circulam com vidros escuros, coisa que nascemos e vimos os Barões fazerem sem darem a mínima explicação a quem quer que fosse.

Em resposta ao que afirmam as autoridades, não vejo em que medida essas acções estão a contribuir para o combate ao narcotráfico. Simplesmente porque não cabe na minha cabeça que o fulano ou o sicrano deixará de traficar porque parou de andar de jipe! Assim como não cabe na minha cabeça que o facto dos vidros dos automóveis estarem fumados influencia na identificação dos proprietários ou dos usuários, pois todos sabemos que o grau de ostentação dessas pessoas é tão elevado que todo o povo sabe quem são. É justamente por esse facto que não compreendo que afirmação é esta, atribuída à Directora da Policia Judiciaria:

Em declarações recentes à Lusa, a directora da PJ, Lucinda Barbosa, já afirmava que os narcotraficantes estavam "invisíveis", dificultando a tarefa da polícia para os encontrar e saber o que andam a fazer.” 

Pelo amor de Deus... Querem que alguém acredite que os narcotraficantes tornaram-se “invisíveis” porque deixaram de andar de jipes a alta velocidade pelas ruas de Bissau?! Como se não se soubesse de quem são os jipes?!   

Os senhores vêm cheios de pompa afirmar que os Jipes de alta cilindrada desaparecem de Bissau com o aperto aos narcotraficantes, como se de uma grande vitória contra os narcotraficantes se tratasse ou de uma medida de enorme eficácia contra o narcotráfico, quando tudo não passa de manobra de charme para mostrar serviço à comunidade internacional, para assim receberem o dinheiro.

Meus senhores, os jipes de alta cilindrada não deixaram de existir no país, simplesmente estão parados nas garagens e os senhores sabem bem em que garagens! Assim como sabem a quem pertence cada jipe de luxo que circula no país! Se eventualmente esses proprietários são suspeitos de narcotráfico, então porquê aguardar por eles nas estradas de Bissau?

Porquê aguardar que essas pessoas circulem com os jipes sem chapa de matrícula ou de vidro escuro?

Talvez porque muitos senhores não têm moral para ordenar buscas à casa de quem quer que seja sob pena de poderem vir a sujar os seus próprios nomes ou de alguém ligado a eles.

Seguindo este critério de riqueza injustificada, suponho que é disso que se trata, para que qualquer pessoa passe a grau de suspeito de narcotraficante, talvez seja altura de se fazer um levantamento dos bens de alguns ministros, funcionários públicos e personalidades influentes da nossa praça.

Todas as pessoas que ao ingressarem nos quadros do Governo Guineense enriquecem do dia para a noite sem justificação plausível, começando de imediato pelos funcionários das alfandegas que do dia para a noite passam de palhotas a construções definitivas, prosseguindo com a investigação dos bens de muitos ministros no exterior, penso que seguindo a mesma linha usada para os proprietários dos jipes, isto é, expandindo a medida de justificação para o enriquecimento súbito, seria sim uma demonstração de vontade no que diz respeito ao combate contra o narcotráfico. Mas como todos sabemos que isso nunca irá acontecer, porque existe muito lixo por debaixo do tapete, fiquemos pelo aviso de que estamos atentos às manobras de diversão.

Assim como estamos atentos às pessoas que já têm as mãos a coçar, desejosas de colocar as mesmas na massa que a comunidade internacional vem prometendo. Já houve até quem tivesse o descaramento de vir a público dizer que é hora da comunidade internacional desbloquear as verbas. Como se todos não soubéssemos o porquê de tanta pressa. Isso quando a mesma pessoa havia dito no passado que os Governantes da Guiné-Bissau não podiam ficar à espera da comunidade internacional.

 

Estamos juntos!

Jipes de alta cilindrada desaparecem de Bissau com aperto aos narcotraficantes
 4-Oct-2009

A capital da Guiné-Bissau deixou de estar inundada por jipes de alta cilindrada que circulavam a alta velocidade, na mesma altura em que a polícia começou a "apertar o cerco" aos presumíveis narcotraficantes, há cerca de dois meses.


Os famosos Hummers, que circulavam pelas ruas de Bissau e pelo interior, há muito que deixaram de ser vistos.

Segundo uma fonte judicial contactada pela Agência Lusa, o desaparecimento dos jipes de alta cilindrada está relacionada com as medidas preventivas tomadas pela Polícia Judiciária e Polícia de Ordem Pública guineenses.

"Está relacionado com as medidas da PJ e com as medidas que a POP tomaram", afirmou a fonte, acrescentando que a vigilância das forças policiais "está a ser apertada".

Em declarações recentes à Lusa, a directora da PJ, Lucinda Barbosa, já afirmava que os narcotraficantes estavam "invisíveis", dificultando a tarefa da polícia para os encontrar e saber o que andam a fazer.

No entanto, a versão dada à Lusa por alguns dos alegados 'donos' dos jipes, a maioria jovens, é outra: a má condição das estradas, devido às chuvas.

No entanto, os Hummers são veículos cujas principais características são a força e potência para circular em terrenos lodosos ou esburacados.

A Guiné-Bissau chegou a ter cerca de duas dezenas desses veículos, inicialmente construídos pela General Motors para servir o exército norte-americano, mas que acabaram por ser "adoptados" pelos amantes do todo-o-terreno.

Um jipe Hummer novo custa entre 80 mil e 120 mil dólares (entre 55 mil e 82 mil euros).

País com menos de dois mil quilómetros de estradas asfaltadas, nos seus 36.125 quilómetros quadrados, a Guiné-Bissau chegou a "ostentar" nas suas estradas, além dos Hummer, jipes das marcas Jaguar, Lincoln Navigator e até Porsche Cayenne.

O Governo, no âmbito da luta contra o narcotráfico, emitiu despachos a proibir veículos sem chapa de matrícula ou que circulavam com vidros escuros, como era o caso dos jipes topo de gama.

Só que, regra geral, as ordens das autoridades ou eram ignoradas ou eram rapidamente esquecidas, tal era a quantidade de carros com estas características que rolavam pelas estradas do país.

Fonte: Angop


24-09-2009

A Guiné-Bissau precisa de uma Descentralização Administrativa!

24 De Setembro, a data da nossa independência política. Existem muitas outras independências que ainda estão por vir

 

Por esta ser a data mais importante da história do nosso pequeno e amado chão, Guiné-Bissau, ela exigiu da minha parte uma reflexão sobre como sugerir para ajudar! E nessa reflexão acabei por optar por uma questão que há muito vinha discutindo de maneira informal. Isto é, por diversas vezes, em conversas com colegas e amigos, abordei o assunto da necessidade que a Guiné-Bissau tem em descentralizar a sua administração e consequentemente os seus serviços.

Depois de ter assistido o programa da RTP ÁFRICA no dia 22 de Setembro, no caso o Repórter África, fiquei de certa forma atónito com as imagens que vi da cidade de Canchungo (muito pior que esta imagem). Vi então reforçada essa necessária descentralização. Estou a citar a cidade de Canchungo, porque foi aquela que espicaçou em mim a vontade de escrever este artigo. Contudo poderia ter optado por escolher qualquer outra cidade, isso porque em todas elas o poder administrativo está centralizado nas mãos dos Governadores regionais e dos Administradores de sector.

Coisa que acontece porque até aos dias de hoje o nosso país insiste em manter a organização administrativa herdada dos colonialistas. Este género de organização tem se mostrado incapaz de resolver os problemas do país, e tem, cada vez mais, afastado o povo do exercício de cidadania e de participar de forma activa na busca de melhores dias para o país. Por outro lado, esta organização administrativa tem se mostrado ineficaz por que a divisão do território em regiões e sectores, tem constituído uma lacuna entre o povo e os Governantes, como também tem demonstrado a existência da necessidade de subdividir os territórios, pois a actual divisão tem provado que os mesmos são demasiado extensos, o que equivale dizer que os serviços prestados pelas administrações locais não chegam a todo o lado. Ora, para que os serviços cheguem a um maior número de pessoas existe a necessidade de se adoptar uma organização mais eficaz no sentido de aproximar os serviços das populações, conhecer as suas necessidades e naturalmente exercer um melhor serviço que satisfaça as necessidades colectivas.

Esta forma de organização que funciona como meio de privar o povo do seu direito de escolha, na medida em que é o Governo Central quem nomeia os Governadores Regionais e os Administradores de sector, não pode continuar a imperar na Guiné-Bissau quando paradoxalmente os nossos Governantes têm afirmado a enorme vontade de servir o povo, há que demonstrar essa mesma vontade. Uma forma útil de servir o povo passa essencialmente pela aproximação dos serviços essenciais ao mesmo e para haver essa aproximação existe a necessidade de subdividir ainda mais as regiões. Os 37 (Trinta e sete) sectores, equivalente ao município no caso de Portugal, que dividem a Guiné-Bissau têm que ser subdivididos para poderem ser administrados com maior eficiência. Podemos tomar como exemplo o caso de Cabo Verde, nomeadamente a Ilha de Santiago que se trata da maior ilha do arquipélago com cerca de 991Km2, essa mesma ilha encontra-se no momento dividido em 9 concelhos, dos quais um, Concelho de Santa Catarina possui mais de uma freguesia. Enquanto que, por exemplo, a Região de Bafatá na Guiné-Bissau com cerca 5.981 Km2 encontra-se dividido em apenas 6 sectores. Sectores esses que contam com um administração muito afastada do povo, que ao fim e ao cabo não os designou para aquele lugar. Chega a ser caso para perguntar se muitos habitantes desses sectores conhecem o administrador local?!

Com esta organização territorial, além de existir um afastamento dos serviços das populações e de se verificar uma grande centralização administrativa, quando a modernidade reclama pelo contrario, leva também com que haja uma completa falta de dinâmica no que diz respeito à vontade dos administradores locais, impossibilitando-lhes de criarem projectos de interesse local visando assim desenvolver o seu sector em beneficio do povo que representam. Impossibilita-lhes também de qualquer tentativa de criarem programas de desenvolvimento local a médio longo prazo tendo em conta o Orçamento de Estado apresentado pelo Governo. Uma outra organização permitiria formar estratégias de desenvolvimento económico e social para cada área, garantindo assim, como já havia dito, o princípio de subsidiariedade. Incentivaria uma concorrência saudável entre as áreas demarcadas. Por outro lado, subdividir ainda mais as Regiões traria maior união a todo o território nacional. Pois havendo desenvolvimento local, haveria sem dúvida um maior aceso a todos os cantos da nação. Facto bastante benéfico capaz de evitar o enorme êxodo rural verificado nos últimos anos, promovendo assim ramos importantes da vivência do país, tais como a agricultura e a pecuária.

Não compreendo o porquê de se continuar a negar a necessidade de uma maior subdivisão e consequente realização de eleições autárquicas livres e transparentes, coisa que se tem falado há anos e até agora nada. Será pelo facto disso significar uma repartição justa e equilibrada de competências entre o Estado e as administrações locais (autarquias)? Vá se lá saber, já não me atrevo a medir o grau de ambição existente nos governantes Guineenses.

 O que se sabe é que por causa desta forma organizacional, temos verificado na nossa capital, com estatuto de Região, uma falha em todos os serviços básicos prestados à população, um exemplo flagrante é a Câmara de Bissau que não consegue de forma nenhuma prestar um serviço eficaz à população de Bissau. O lixo aglomera-se por toda a parte, na época da chuva a população é constantemente afectada por inundações que lhes estragam as casas e os postos de comércio, entre outras coisas, fruto do lixo aglomerado que impossibilita um eficaz escoamento das águas da chuva. Entre as razões que dificultam essa prestação de serviço, encontra-se seguramente a falta de meios humanos e materiais, mas também podemos considerar que com uma subdivisão desse território existe a possibilidade de se verificar as necessidades específicas de cada área e assim tentar satisfazê-las através da repartição dos serviços a prestar à cidade. Isso se o que move os nossos políticos for mesmo a vontade de servir o povo. Essa subdivisão possibilitaria também a criação de mais emprego para a população dessas áreas.

Em forma de conclusão quero salientar que de facto a data de 24 de Setembro de 2009 é a data mais importante da história do nosso país, portanto nunca devemos deixar de comemorá-la, mas sempre com a contenção necessária. Pois continua a ser chocante ver que 36 anos depois a nossa desejada e celebrada independência continua a ser meramente política.

 

PARA O DIA DE HOJE VAI DAQUI UM GRANDE ABRAÇO A TODOS OS FILHOS DA GUINÉ-BISSAU.

VIVA A GUINÉ-BISSAU!

VIVA AMILCAR CABRAL!

VIVA O POVO GUINEENSE!

 

Estamos juntos!


29-08-2009

Bebé guineense morre após mutilação genital feita pela mãe


Uma criança guineense de três meses morreu após hemorragias provocadas pela prática de mutilação genital a que foi submetida pela própria mãe, contra a vontade do pai, disse à Lusa fonte oficial.

De acordo com Iracema do Rosário, presidente do Instituto da Mulher e Criança (IMC, instituição do Governo), o caso registou-se segunda-feira no bairro de Quelelé, em Bissau, quando uma mãe, contra a vontade do pai, submeteu a filha a excisão. A criança, de três meses, acabou por falecer poucas horas depois por não ter resistido às hemorragias.

A presidente do IMC, que alerta para o facto de a Guiné-Bissau ainda não possuir legislação que possa punir actos do género, diz já ter iniciado as diligências para informar a ministra da Solidariedade e Família, bem como a Procuradoria-Geral da República, sobre o caso.

"É um facto condenável, por isso há toda a necessidade do comité de luta contra práticas nefastas (na sociedade guineense) actuar rapidamente. Vou já informar a senhora ministra da Solidariedade e Família, que tutela o nosso instituto, também vamos informar a Procuradoria dos menores, Ministério do Interior e o Parlamento, sobre o que se passou", adianta Iracema de Rosário.

A presidente do IMC entende que o país deve trabalhar rapidamente no sentido de se adoptar uma legislação que possa punir práticas semelhantes e que são frequentes na Guiné-Bissau.

Por seu turno, o coordenador da Liga Guineense dos Direitos Humanos na região de Bissau, Gentil Sanca, considera a mãe da criança falecida "a mãe mais criminosa do século XXI".

"A atitude desta mãe é condenável. Podemos dizer que esta mulher é a mãe mais criminosa do século XXI. O mais grave é que quando a criança começou a perder sangue não foi levada ao médico pela própria mãe", sublinha Gentil Sanca, responsabilizando o Governo pela "inércia" na adopção de medidas contra estas práticas.

"A Liga está muito preocupada com práticas destas. Há muito que a Liga se tem pronunciado contra estas práticas, recomendando ao Governo a adopção de medidas contra estas situações, porque não é tolerável que continuemos a assistir impávidos a actos do género", acrescenta o responsável pela Liga dos Direitos Humanos em Bissau.

"O Governo devia tomar medidas urgentes e enérgicas", acentua ainda Gentil Sanca.

O caso também mereceu a condenação por parte da Associação de Direito das Crianças (ADC). Segundo Quintino Nosoline, porta-voz da ADC, o que aconteceu no bairro de Quelelé "é um acto criminoso" que deve ser "severamente punido pela justiça".

[26-Aug-2009 - 18:11]

Notícias Lusófonas

 

O que aconteceu ou acontecerá a esta mãe?

 

“A presidente do Instituto da Mulher e Criança (IMC), alerta para o facto de a Guiné-Bissau ainda não possuir legislação que possa punir actos do género…”

 

A minha ignorância é ainda enorme para compreender certas e determinadas coisas deste mundo e particularmente os da nossa querida Guiné-Bissau! É devido a essa minha ignorância que solicito a ajuda do Conselho Nacional Islâmico e do Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos para compreender este caso. Organismos esses que em Fevereiro de 2008 estiveram contra qualquer discussão no parlamento de uma lei que proibisse a excisão feminina. Argumentando que seria uma afronta aos mandamentos do Islão. Pois bem…  

Meus caros senhores, com toda a humildade que em mim cabe, gostaria que os senhores me explicassem como pode a palavra costume ou tradição justificar tamanha desumanidade?

Os senhores que se dizem defensores dos mandamentos do islão, onde se escondem quando vidas inocentes são arrancadas, como é o caso desta criança?

Que autoridade têm agora os senhores para condenar esta mãe? Pois… deve ser por isso que não se pronunciaram...

Maus caros, ponham de uma vez por todas a mão na consciência, revejam os vossos conceitos e ponderem se o que estão defendendo é o que realmente manda o Islão. Peço aos senhores que façam um pequeno teste: coloquem-se no lugar deste pai que perdeu uma filha. Por ventura, os senhores consideram que existe algum mandamento que console a dor desse pai?!  

Durante a leitura desta notícia, apropriou-se de mim um misto de sentimentos difíceis de suportar, porque muito embora a minha ignorância seja enorme, ela não possui a capacidade de cobrir sentimentos como dor e revolta que de mim se apoderaram. Logo essa minha ignorância não me pode impedir de reagir de forma a condenar, mais uma vez, este acto criminoso que é a excisão feminina! Porém, o mais doloroso é a certeza de que este caso noticiado não se trata de um caso isolado e disso sabem-no bem os nossos governantes e deputados, mas mesmo assim, não se diligenciam de forma a acabar com este atentado aos direitos humanos.

Puxo pela palavra ignorância para argumentar que não é a falta de conhecimentos sobre os males desta pratica que sustenta este malicioso costume. Não é a ignorância em relação aos mandamentos do Islão que sustenta esta mutilação. Mas sim a maldade daqueles que insistem em justificar atrocidades com o nome de Deus. Aqueles que pertencem à religião do fanatismo, mas que dizem pertencer ao islamismo, perdendo completamente o bom senso.

Será que não nos basta carregar uma das taxas de mortalidade infantil mais altas do mundo, por doenças e motivos já esquecidos em muitos países do planeta, para ainda termos que levar com acontecimentos inqualificáveis como este?!

Será que não basta saber que todos os dias morrem crianças por “nada” na Guiné-Bissau, para agora também termos que suportar crianças a morrer porque alguns conservadores insistem em manter uma prática violadora dos direitos humanos?!

Por favor, dignifiquem o nome de Deus/Alah e a religião muçulmana, acabem com esta prática condenável que vai arrancando vidas inocentes.  

Estamos juntos!  


18-08-2009

Esclarecimentos

 

Obrigado pelas informações, obrigado pela consideração, obrigado Dr. José Canas!

Após a publicação do artigo Agradecimentos, o Dr. José Canas, Representante do Partido da Renovação Social (PRS) em Portugal/Europa, teve a preocupação de me fazer um telefonema para esclarecer algumas questões levantadas no artigo. Com esse telefonema consegui adquirir algumas informações que até então desconhecia. Recebi informações e garantias relativas a acções do PRS que estão em curso de forma a garantir o esclarecimento do assassinato do meu tio Vital Pereira Incopté.

Compreendi os esclarecimentos que me foram facultados pelo Dr. Canas e a concretizarem-se essas acções, este caso certamente terá um contorno diferente de muitos outros, podendo assim, servir como exemplo.

Entre as justificações que me foram facultadas, encontra-se, inevitavelmente, o momento delicado do país. Embora eu considere que este momento delicado que o país atravessa, é também fruto de atitudes semelhantes. Ou seja, deixar andar porque o país não esta a atravessar um bom momento. (Aliás quando chegará esse bom momento?!) Mas como já me foi garantido que a atitude não é, nem será essa, sinto-me mais confortado e esperançado, não deixando de louvar a atitude do Dr. Canas que prontamente tratou de me esclarecer, garantindo que o PRS não está de mãos cruzadas. É bom saber isso!

Como familiar, é por vezes difícil ter paciência, principalmente quando vamo-nos deparando constantemente com notícias injuriosas, sem menor fundamento, com o intuito de dispersar a atenção naquilo que realmente interessa. Todavia, terei paciência e esforçarei por acompanhar o percurso da investigação, muito embora empenhado, mas com tolerância e lucidez necessárias.

Obrigado;

Estamos juntos!


18.08.2009

Agradecimentos

São filhos que morrem, é a família que perde, mas também é a Guiné-Bissau que perde!

 

 

 

Quando o momento é de dor, qualquer manifestação sincera de solidariedade significa um alento para os que sofrem. Pois, à boa maneira Guineense, acreditamos que a dor partilhada é menos custosa. É nesse sentido que, em meu nome pessoal, da minha Família e dos muitos amigos do Tio Vital, quero aqui agradecer todas as manifestações de solidariedade demonstradas relativamente a este caso, não só a nível do Projecto contributo, mas também, através de presenças, e-mails, hi5, chamadas, SMS, etc.

 

As palavras que mais ouvi e li nesta última semana foram: força, não te deixes esmorecer, levanta a cabeça, não desanimes, sê forte. No entanto, só depois da missa do sétimo dia tive tempo e força para agradecer. E a forma mais sincera que encontrei de agradecer, é reafirmando a minha vontade em continuar a lutar e a aprender, mantendo sempre a postura de pessoa inconformada com a situação da Guiné-Bissau.

Pois lutando e aprendendo, tenho a certeza que estimarei a memória do meu tio onde quer que ele esteja.    

 Lutando e aprendendo, darei utilidade às inúmeras explicações que recebi dele.

Lutando e aprendendo, sei que ele estará sempre comigo, pois quando em questão estavam os estudos, ele esteve sempre disposto para me apoiar e resolver o que quer que fosse.

Por isso, a luta contínua!

Caros compatriotas, é a situação em que a Guiné-Bissau se encontra que faz a minha vontade esmorecer, porém, é também a Guiné-Bissau que alimenta a minha vida! É ela que alimenta a vivência de todos os seus filhos que a amam! Eu não vivo sem a Guiné-Bissau no pensamento. No dia em que perder o desejo de lutar, de defender aquilo em que acredito, de defender o sonho que tenho em relação ao meu país; no dia em que desistir de dar a minha contribuição, por mais insignificante que seja, para o que considero bem para o meu país, a partir desse dia, não terei mais vida! Serei somente um corpo sem alma, mais inútil que qualquer objecto inanimado!

Caros irmãos, a luta prossegue! Doa a quem doer ousemos exigir justiça na Guiné-Bissau, temos que nos posicionar de forma vincada contra toda e qualquer impunidade, e contra essa autêntica caça aos jovens quadros que resolvem regressar ao país par darem as suas contribuições, ou simplesmente a qualquer pessoa com o projecto de ajudar o país a desenvolver. É visível que de 2007 a esta parte, assentou-se essa caça aos jovens quadros. Chega a ser bizarro pensar nos sucessivos acontecimentos. Tomemos como exemplo o caso do Basílio da Costa, assassinado na Granja de Pessubé por um grupo de assassinos que até os olhos tiveram a coragem de lhe tirar. Tomemos como exemplo o caso do Kennedy Yé, envenenado no Bairro da Ajuda por supostos amigos. E agora o caso do Tio Vital Incopté, caso esse, que querem camuflar com uma fantasiosa rixa.

Caramba, que história mais estapafúrdia! Quem conheceu o Vital Incopté, sabe que o mesmo além de mais do que pacífico, tratava-se de uma pessoa de poucas conversas, poucas companhias, diria que a sua grande companhia eram os seus livros. Aliás, a única coisa que os sobrinhos protestavam, era o facto de nas suas viagens entre Portugal e a Guiné ele só levar livros. Tirando esse pormenor, não existe nem uma mancha no percurso académico ou pessoal na vida desse homem!

Bolas, por tudo o que já se ouviu, associar o nome de uma pessoa como o tio Vital a uma rixa, é no mínimo burrice!

Mais ainda, como se pode tentar justificar este caso com uma rixa com o segurança, como? Se o espaço Lenox era o lugar preferido de Vital para efectuar as suas pesquisas, era um local que ele frequentava, praticamente, todos os dias.

Por acaso o segurança já não sabia de quem se tratava?

O segurança já não tinha, no mínimo, fixado a cara dele?

E desde quando é que os seguranças de um espaço publico, ou seja de que for, andam com catanas?

Por favor respeitem a inteligência das pessoas!  

Eu não quero citar o nome de ninguém, muito menos entrar em minúcia, porque longe de mim querer perturbar o curso da investigação! Mas, não posso deixar de citar que o Tio Vital Incopté saiu de Lisboa convidado para ir ajudar a organizar a Função Pública, a palavra que o fez aceitar é mesmo essa ajudar! No entanto, chegou a Bissau e meses depois já não suportava a pessoa que o convidou, o porquê saber-se-á um dia! Também caso seja necessário entrar em pormenores que possam explicar o que pode estar por trás da morte do Tio Vital, fá-lo-ei um dia. Neste momento a ideia é deixar seguir a investigação, pois, por enquanto, sei que tem havido progressos no que originou o seu assassinato. 

Mas mesmo assim, não deixo de ter pena do PRS por ser um partido desestruturado. Pois a verdade é que se o próprio PRS fosse um partido estruturado existiria da parte do mesmo um maior empenho no sentido de se apurar toda e qualquer verdade relativamente a este caso. Afinal, é o maior partido da oposição, que acabou de perder um dos seus dirigentes e um dos seus melhores quadros. E o que dali tem saído são empenhos de pessoas que conheceram e lidaram com o Tio Vital que na medida do possível vão tentando estar a par da investigação para que a coisa não fique assim. O que eu não tenho visto é esse empenho a nível do partido.

Enfim… a realidade é esta: chega a Bissau com um carro topo de gama, faz da cidade o teu parque de diversões acelerando para tudo quando é lugar, faz da noite a tua vontade e faz da ostentação a tua maior crença. Aí ninguém te questiona, quanto mais te perturbar! Os agentes da autoridade até te temem!

Agora, chega à Guiné-Bissau com ideias e projectos que possam ajudar o país, faz do trabalho o teu maior vício, faz do desejo de desenvolver o país o teu maior desafio. Ah… aí sim, tens os Barões todos à perna; aí sim encontras barreiras por onde quer que voltes; aí sim, sentes-te perseguido e observado por onde quer que vás; aí sim, sentes medo e vontade de fugir, o que na verdade é a intenção deles!

Contudo, concluo advertindo a esses Barões da nossa praça, de que não vão conseguir matar toda a gente!

Mais uma vez muito obrigado a todos.

 

Estamos Juntos!


09-08-2009

A minha vontade esmorece

 

É com grande consternação dor e muita dificuldade, que escrevo este artigo dando conta de mais uma atrocidade no nosso país e exigindo justiça.

No inicio do mês de Julho, era enorme a minha vontade de ir passar as férias de verão à minha pátria amada, coisa que consequentemente coincidiria com o período da segunda volta das eleições presidências do passado 26 de Julho. Entre outros condicionantes houve um que pesou mais do que todos os outros. Ou seja, a vontade dos meus pais, que logo se mostraram contra essa intenção. Nessa altura uma grande tristeza bateu em mim, mas lá tinha que acatar a vontade deles.

Entre as razões que ambos apontavam para a não-aceitação da minha vontade de ir à Guiné-Bissau, constava a inexistência de segurança que insiste em perdurar naquele país.

Hoje fui acordado com uma notícia que me fez sentir na pele o motivo que fazia os meus pais temerem a minha intenção de ir de férias para a Guiné-Bissau. Isto é, o motivo que constantemente adia o sonho de muitos pais de fazerem os filhos conhecer as suas raízes.

O mesmo é dizer que se vive entre os Guineenses na diáspora um verdadeiro espírito de medo da pátria, isto é, filhos com medo de conhecer o lugar que fez dos seus pais homens, pelas horrendas histórias que vão conhecendo. Pais com medo de mostrar suas raízes aos filhos, porque, hoje, não confiam na segurança do lugar onde cresceram.

E assim vai esmorecendo a vontade dos filhos da Guiné-Bissau de regressarem ao seu país depois dos seus estudos.

Em plena madrugada recebi uma chamada que me dava conta do falecimento do meu tio, Vital Pereira Incopté. Brutalmente assassinado à catanada na noite do dia 8 de Agosto no espaço Lenox. O mesmo é dizer que o meu tio foi assassinado a umas centenas de metros de uma esquadra de polícia (Cala Boca), sem que nada fosse feito pelos agentes de segurança, de modo a evitar o fim trágico para mais, de um jovem quadro Guineense. Vital Pereira Incopté de 39 anos de idade, era Licenciado em Gestão e Administração Pública pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa. Foi Director-Geral do Ministério da Função Pública, cargo que desempenhou com determinação, demonstrando grande vontade de trabalhar, algo que caracteriza os recém-formados no exterior e que regressam ao país natal. Homem humilde e determinado, duma fé inabalável, que colocou o desejo de aprender à frente de todas as vontades.

Eu pergunto: afinal que segurança existe no nosso país?

Para que servem os agentes de segurança do nosso país?

Será só para usufruírem desse estatuto e auferir dinheiro público?

Devo frisar, que a minha família não descansará enquanto os agentes da autoridade não cumprirem o seu papel, apanhando os suspeitos e fazendo justiça, já que não houve competência para cumprirem esse papel no acto bárbaro do assassinato.

Que Deus guarde um espaço no canto da gloria ao Tio Vital Incopté e que a sua alma descanse em paz.

 

Estamos juntos!


04-07.2009

Uma forma de protesto que pode significar mais cinco anos de miséria e instabilidade

 

É inevitável analisar os resultados das eleições realizadas no passado dia 28 de Junho, sem realçar a tamanha abstenção. O povo Guineense resolveu revelar toda a sua fúria e dizer basta desta Governação de imundície, basta de assassinatos e basta de impunidade. Numa verdadeira cartada de assobiadela surgiu um partido chamado abstenção que acabou por ganhar as eleições com cerca de 40% dos votos. Contudo essa é uma cartada que poderá sair muito caro ao povo Guineense!

O desprezo demonstrado pelo povo Guineense nas urnas, para com todos os governantes/candidatos, é revelador de grande falta de credibilidade nos políticos Guineenses e, mais grave que isso, demonstra uma total descrença do povo na palavra democracia (poder do povo). Com abstenções a este nível: (mais de 50% em Cacheu, próximo dos 45% em Bijagós e Biombo e 40% na Capital do país, em Bafatá e Tombali). Os actores políticos da Guiné-Bissau têm que, obrigatoriamente, tirar ilações, quer aqueles que ganham, quer aqueles que perdem. Porque quer se goste, quer não, o povo Guineense já ditou a sua sentença e o recado está dado. É com muita pena que compreendo esse recado, não “aceito” a forma como ela é enviada, porém compreendo o porquê do povo proceder desta forma.

Perante os resultados apresentados, afigura-se perante o povo Guineense uma escolha melancólica, isto é, escolher entre o mau e o péssimo. O povo terá que escolher na segunda volta uma figura pálida, completamente sem presença, ou um verdadeiro palhaço de circo. Ai irmãos, que destino é este o nosso, que nos leva a fazer escolhas tão absurdas?! Que caminho é este irmãos que, incessantemente, nos conduz para o precipício?! Ai irmãos… há muito que José Carlos Schwarz cantou Sucuro, ainda hoje permanecemos na mesma escuridão de alma. Completamente incapazes de vislumbrar e de fazer uma escolha consciente, baseada no espírito colectivo. O que me causa mais dor, é saber que podemos permanecer mais cinco anos com um sistema de educação de troça, sem sistema de saúde funcional, sem credibilidade perante os nossos parceiros e perante o mundo. É saber que as nossas crianças inocentes verão, mais esse tempo, os seus sonhos roubados. Os nossos estudantes ficarão sem a mínima atenção de quem de direito, pois não creio que uma pessoa sem pulso para nada levante a voz e muito menos, um artista de circo.

Por acreditar na palavra democracia, não julgo quem fez a sua escolha de votar neste ou naquele candidato, muito menos quem fez a escolha de não ir votar. Aliás, pelo que aconteceu nas legislativas de Novembro passado, em que o povo Guineense mostrou ao mundo todo o seu civismo e sentido de organização indo votar de forma massiva e dando vitória ao Sr. Carlos Gomes Júnior (PAIGC). Perante isso e perante o que se verificou depois, podemos afirmar que este era um cenário algo esperado.

Ao analisar os resultados destas eleições podemos chegar à conclusão de que se verificou aquilo que podemos denominar de medo de traição/ser enganado. Isso porque o povo Guineense sentiu na pele a traição do Primeiro-Ministro em quem chegou a depositar grande confiança. Segundo as palavras do mesmo, os resultados das legislativas de Novembro significavam “a vontade popular. A vontade do povo da Guiné-Bissau para mudar o destino do país”. Agora perguntem ao Primeiro-Ministro que mudanças se registaram. Os assassinatos continuaram, a desordem progride a cada dia, a impunidade ganhou ainda mais peso na sociedade, a imagem do país perante o mundo está pior que o passeio da feira de Bandim. A imagem do próprio Primeiro-Ministro, caiu diante da opinião pública, principalmente por este ser cúmplice dos militares nas suas loucuras.

Ora Sr. Primeiro-Ministro, o que fez de bom desde que tomou posse em Janeiro e que podia levar o povo a ver que valia a pena confiar o seu voto a alguém e que consequentemente valia a pena ir votar?

Concluo alertando aos meus irmãos e os políticos sem mente que vem aí mais abstenção na segunda volta, não tenhamos a mínima dúvida que entre escolher o mau e o péssimo haverá muitos mais que nem se fatigarão a pensar no caso. Então, aguardarão que venha o diabo e escolha.

 

Estamos Juntos!


24-05.2009

Entre extorsão e falta de consideração, o povo Guineense vai sofrendo! 

 

Não tenho tido tempo para dar o meu contributo sobre os acontecimentos no nosso país devido ao facto de estar debruçado no meu projecto final de curso. Mas ao ser informado pelo Didinho de que a Procuradoria-geral da República da Guiné-Bissau diz não ter dinheiro para prosseguir com as investigações sobre as mortes de Tagme e de Nino, uma indignação misturada com tristeza e vergonha tomaram conta de mim. Explodiu em mim uma revolta que há muito vem acumulando. Então tive necessidade de desabafar.

Não há nada pior do que um filho ter vergonha da sua mãe. Não há nada pior do que um filho ter medo da sua mãe e, neste momento, os filhos da Guiné têm vergonha da sua pátria! Têm medo da sua terra! Os que lá se encontram buscam caminho todos os dias, sabe Deus para onde. Os que estão fora têm medo de voltar. Os filhos de Guineenses que nasceram em outros cantos do mundo vêem adiado, por medo, o sonho de conhecer a terra que fez dos pais o que hoje são. Isso tudo porquê? Porque existem alguns atrofiados da mente que se acham donos do poder, gente tão ignorante que não sabe distinguir o entre o poder e a liderança. É triste, mas é real!

Quanto ao facto da PGR vir dizer que não há dinheiro para prosseguir com as investigações não caio com surpresa em mim, mas suscitou outras dúvidas. Tais como: se não há dinheiro para continuar as investigações, já nem falo dos salários dos professores, então de onde sairá o dinheiro para financiar as campanhas da chuva de candidatos? De onde sai o dinheiro para os jipes que os cabeças poluídos andam a oferecer uns aos outros? Quem financia as viagens daquele bando de cabeça poluída? Os Guineenses querem respostas senhores…

A PGR diz não haver dinheiro para seguir com as investigações, então que tal cobrar a promessa feita na voz de Muammar Kadhafi, como presidente da UA? 

"Quero dizer-vos que a União Africana e os Estados do CEN-SAD (Comunidade dos Estados Sahel-Saarianos) vão investigar o assassínio do Presidente ('Nino' Vieira) ".

Ou será que o senhor Muammar Kadhafi só soube movimentar os cordelinhos na altura de garantir que o Malam Bacai Sanhá seria o candidato do PAIGC?

Seja como for, é absolutamente triste e repugnante o que se está a verificar na nossa terra. Seja mais sério no exercício do seu papel senhor Cadogo, o povo confiou em si e atribuiu-lhe a maioria absoluta, então honre esse mesmo povo, minimize o sofrimento desse povo sofredor. Suma ku aguim kanta, “si aguim pidi ordidja e cargantado, si bim ka pudi e ta pidi só pa i riantado. I ka Borgonha!” É isso mesmo senhor Cadogo, se o senhor acha que o fardo é demasiado pesado, então dê a oportunidade a outro.

Mas devo confessar senhores, que o que mais me preocupa neste momento, são os meus irmãos estudantes que estão na Guiné-Bissau. Sim, porque enquanto se exaltava a falta de bom senso numa verdadeira chuva de candidatos, muitos dos meus irmãos estavam e estão sem poder estudar. Enquanto verdadeiros palhaços de circo desenham os seus números, o ano lectivo caminha a passos largos rumo à sua anulação! Simplesmente, ninguém tem coragem para admitir esse facto, mas todos sabem que é o que vai acontecer, apesar de, nem mesmo aqueles que iniciaram as campanhas desde 2007 falarem no assunto, por covardia ou porque não lhes beneficia. Na realidade, isso não constitui surpresa para ninguém.

Não esqueçamos que se trata de um ano lectivo que se iniciou com um grande atraso, isto é, deveria ter começado em Outubro e acabou por ter início apenas em Janeiro e só graças ao bom senso dos professores, o tal bom senso que faz falta a muitos políticos daquele país! Os docentes acreditaram nas palavras do senhor Carlos Gomes Jr. e do seu governo e resolveram dar o beneficio da dúvida aos mesmos. O que se veio a verificar depois foi, nada mais, nada menos, do que uma falha do governo em cumprir a sua palavra e os seus compromissos. Então os professores não viram outras vias se não embarcarem num barco de greve sem a linha final à vista, ao ponto do ano lectivo estar seriamente comprometido. A confirmar-se esse facto, os prejudicados serão os estudantes Guineenses, principalmente os mais carenciados, o que equivale dizer a grande maioria. Pois aquela minoria constituída pelos filhos dos senhores ministros, esses andam todos nas escolas privadas, isso quando ainda não compraram bolsas de estudo para Europa. Então não são afectados, logo os senhores governantes não se inquietam. Aliás, para quê preocupar com os filhos dos outros quando os meus estão muito bem servidos?! Os filhos dos outros que se lixem.

Como já disse em outras ocasiões, a formação é a condição primária para o desenvolvimento. Sendo assim como pode um Governo que tanto prometeu, vacilar num sector tão importante como é o da Educação?! Eu sei que me vão perguntar, mas afinal em que sector o Governo Guineense não falha. Mas há que criar prioridades e o sector da Educação é um sector prioritário em qualquer parte do mundo, justamente por ser o pilar que sustenta qualquer sociedade sã e disciplinada.

Eu sei que este problema das greves não é uma novidade no panorama Guineense e nem é algo que acontece algumas vezes. Muito pelo contrário, todos os anos a história repete-se, greve sim, greve não. Sendo que o prejudicado é sempre quem quer aprender. Mas, não é por isso que nenhum filho da Guiné espera ver repetido aquela brincadeira de mau gosto que o maior palhaço da Guiné-Bissau, chamado Kumba Yalá, fez há anos atrás, quando o ano escolar foi marcado por sucessivas greves e no final, um presidente sem a mínima noção das coisas, vem dizer que os alunos passaram todos e os professores é que chumbaram. Não queremos e não vamos aceitar tamanho desrespeito! Existe material humano suficiente para se fazer um trabalho sério e credível a nível educacional na nossa pátria. Por isso, senhores Ministros, respeitem os professores e respeitem igualmente os alunos que são o futuro daquele país.

Aos meus irmãos estudantes quero enviar um grande abraço de solidariedade, pedindo que mantenham a motivação; que não permitam que nada, nem ninguém roube aquela vontade de aprender, ser e fazer. Aquela vontade de estudar e gritar pela mudança. Vamos manter a vontade intacta, pois o nosso grito há-de sair, ecoará no futuro e acordará a tão desejada transformação de mentalidade.   

 

Havemos de gritar vitória meus irmãos… no meio do sacrifício havemos de gritar vitória!

 

Estamos juntos!


07-04-2009

Trata-se de um bando sem mente!

 

Suponho muitos filhos da Guiné-Bissau estejam nesta altura com as mesmas questões que eu. Questões que por mais que se coloquem hipóteses, por mais que se procurem esclarecimentos, nunca se hão-de esclarecer na totalidade. Essas questão são nada mais, nada menos que:

O motivo que tem levado os filhos da Guiné a recusarem as oportunidades para o desenvolvimento?

Será que existirá sempre um bando de atrofiados sem mente para recusarem aquilo que a maioria deseja?

Será que o povo Guineense nunca irá acertar nas suas escolhas?

Quando é que o povo Guineense irá ver as suas expectativas concretizadas em relação a alguém, em que tenha depositado a sua total confiança?

Alguma dessas perguntas tenho a certeza que nem mesmo os melhores filósofos que o mundo conheceu conseguiriam responder! Porque para mim, o que estamos a assistir na Guiné-Bissau ultrapassa qualquer incompetência, ultrapassa qualquer falta de vontade, ultrapassa qualquer ganância ou fome pelo poder. Nem se justifica simplesmente com a palavra maldade!

Conta-se que o Hitler sofria de uma doença chamada neurosífilis, doença essa que provoca mudanças bruscas de humor e paranóia. Num caso mais grave, era capaz de levar o indivíduo à loucura. Eu sei que esta doença hoje é curável, ao contrário na altura. Mas como qualquer outra doença, só é curável quando detectado e com a vontade do doente. Alguém já colocou a hipótese de muitas personalidades da nossa praça sofrerem de algo semelhante?

Caso ainda não se tenha colocado essa hipótese, está na altura de fazê-lo. Pois a maldade desse bando sem mente tem que ter alguma justificação, tem que ter alguma fonte e essa fonte não pode ser somente a vontade de vingar em inocentes barbaridades sofridas ao longo da ditadura Ninista. Inocentes, porque afinal quem mais sofre com tudo o que está a acontecer é o povo da Guiné-Bissau! Que não consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir um sono tranquilo. Tudo isso porque há um grupo de pessoas medíocres que se julgam mais filhos que os seus irmãos.

Onde vamos parar com tamanhas barbaridades que estão a suceder na nossa pátria amada? Se ninguém hoje pode formular e divulgar uma opinião, para que seja chamado a responder por ela nos termos da lei, caso seja necessário; se os próprios dirigentes não respeitam a constituição; se a violência é utilizada como a única forma de resolver tudo e qualquer problema; se alguém é espancado por contestar o bando sem mente, enfim…

Quando a todos esses “ses” altamente negativos, se junta uma dívida do primeiro-ministro para com o senhor Zamora Induta, então quem ousa perguntar a este onde se encontrava na madrugada do assassinato do Presidente da República, João Bernardo Nino Vieira?!

Porque a ser verdade que o primeiro-ministro ligou ao senhor Zamora nessa madrugada e este lhe terá aconselhado a não ir ao encontro do Presidente da República e a ser igualmente verdade que este teve a capacidade de mobilizar cerca de 60 homens para reforçar a segurança na casa do primeiro-ministro, na minha óptica só estes dois actos são mais do que suficientes para perguntar ao senhor Zamora Induta onde estava e que providência tomou além de enviar homens para a casa do primeiro-ministro! É caso para perguntar ao senhor primeiro-ministro Carlos Gomes Jr. se não colocou a seguinte pergunta ao Zamora por telefone: “ O que vais fazer agora?” É facto ainda para confirmar com os 60 homens onde deixaram o Zamora e se com ele não estavam outros homens que possam depois ter partido para a casa do Presidente da República, tendo atenção a qualquer incoerência no depoimento dos mesmos.

Que chatice meus irmãos… acabei que perceber que essas diligências teriam sentido num país normal, o que não é o caso!

 

Estamos juntos!


03-04-2009

Eu respondo por mim!

 

Eu sei que estou relativamente longe para os senhores me alcançarem fisicamente. Sei que caso estivesse na Guiné-Bissau a pergunta dos senhores passaria longe de simples palavras. Admito que talvez é por saber disso que escrevo o que escrevo sem temer sair à rua no dia seguinte! Mas é preciso referir que não escrevo o que escrevo por estar longe, muito menos escrevo o que escrevo porque alguém mo diz! Escrevo pela minha própria cabeça, faço-o sobre questões que vejo, sinto e reflicto. Portanto, se alguém tem alguma questão a colocar, que o coloque a mim, não ao meu pai ou a qualquer outro elemento da minha família.

Parece que o meu artigo denominado Questionando o Sr. Zamora Induta suscitou um falatório além do esperado pelas ruas de Bissau e na sequência disso o meu pai tem sido interpelado nas ruas da capital e tem sido constantemente questionado se ainda não foi abordado por nenhum militar ou directamente por pessoas visadas no artigo. Tanto a minha preocupação quanto a dele não advêm de pessoas que o têm interpelado até agora, mas sim da frequência com que isso tem acontecido.

Porque das duas a uma…

1-     Ou estas pessoas têm a algum conhecimento de como os visados terão ficado espicaçados com o artigo e estão à espera de reacções de algum lado, reacção que os mesmos sabem que certamente não será o mais civilizado;

2-     Ou então, estas pessoas colocaram na cabeça que se escrevi o que escrevi foi porque o meu pai de alguma maneira me incentivou a fazê-lo. Portanto, se algum visado quiser pedir explicações vai fazê-lo a ele. O que é uma total falsidade! Como se pode reparar no referido artigo, o caso que relatei remonta ao ano 2000, logo já faz algum tempo. Se resolvi relatá-lo, foi porque eu, eu (e mais ninguém), achei oportuno fazê-lo.

Seja qual for a razão de tanto interrogatório, quero deixar bem claro que eu respondo por mim! Mais ninguém tem de o fazer. Na medida em que quem escreveu o artigo fui eu, quem resolveu colocar o nome deste ou daquele no artigo fui! Se existe alguma necessidade de explicações que o necessitado se dirija a mim. Pois o artigo é da minha autoria e não fui influenciado por ninguém. Aliás quem me conhece sabe que posso ser tudo menos influenciável, nem mesmo pela minha própria mãe. Porque mediante vontade dela, acreditem que não estaria a escrever uma linha do que escrevo.

Mais uma vez reforço: o meu e-mail está bem visível no site www.didinho.org se for só uma questão de palavras, estou aqui para responder, agora se for algo para além disso, também é justo que seja eu a responder pelo mesmo e não ninguém da minha família.

Pelos acontecimentos registados nestes últimos dias em Bissau é notório que estamos a entrar na cultura de “cala-te se queres preservar o teu coiro”. O mesmo equivale dizer que estamos à porta de uma ditadura militar. Mas eu, pelo menos, nunca vou deixar que usufruir desse grande direito, pela qual muita gente deu a vida, que é a Liberdade de Expressão! E em honra de todos aqueles que deram suas vidas por esse direito, nunca vou deixar que ninguém me prive dele!

Concluo pedindo encarecidamente que deixem o meu pai em paz. Eu respondo por mim o que tiver de ser respondido, o meu e-mail está mesmo referenciado para esse efeito assim como o espaço para comentários do site www.didinho.org!

 

Estamos juntos!  


17-03-2009

Uma carta à juventude


É hoje consensual que a juventude Guineense não só na Guiné-Bissau mas também na diáspora encontra-se mais acordada para os problemas da nossa terra, isso comparativamente a alguns anos atrás. A prova cabal disso são as muitas associações de jovens que se encontram por esse mundo virtual, não se limitando só a associações de estudantes. Existem associações que a cada dia que passa se estão a superiorizar ao mundo virtual e a entrar em acções concretas do mundo real. Tal como já sucede com a Associação para o Ensino Básico Elementar (www.ebebg.org) fundada por Carolino Tomás Cabral, estudante de Direito em Itália. Associação que desde 2006 tem vindo a realizar actividades que considera pertinentes no Ensino Básico na Guiné-Bissau. Outra prova desse facto são os múltiplos trabalhos que têm vindo a ser realizados pelos músicos da nova geração na Guiné-Bissau e fora dela. Jovens que se estão a revelar, cheios de talento e, para sustentar todo esse talento, carregam um patriotismo notável no peito. É caso para dar os parabéns ao enorme trabalho desenvolvido no alerta e consciencialização do povo Guineense, mesmo com todas as dificuldades conhecidas.

Contudo, não deixa de ser também consensual que ainda existe uma grande maioria que dorme à sombra da bananeira ou da mangueira. Aqueles que todos os dias enchem a boca para dizer: Guiné-Bissau o meu orgulho, tenho orgulho em ser Guineense, eu amo a Guiné-Bissau. Não questiono nem duvido de nenhuma afirmação nesse sentido, simplesmente considero que é altura de se efectuar mudanças nessas afirmações. Deixar de dizer só Guiné-Bissau o meu orgulho, mas também dizer Guiné-Bissau o meu desafio. Deixar de dizer, unicamente, tenho orgulho em ser Guineense e dizer tenho um compromisso como Guineense. Parar de afirmar somente, eu amo a Guiné-Bissau e passar a afirmar eu devo à Guiné-Bissau. É altura de deixar MTV por 15 minutos e ver o Repórter África, nem que seja para saber se existe alguma novidade para os meus irmãos. É altura de aqueles que estão na Guiné largarem os copos de caju e esquecerem a ilusória Europa, sempre com a mesma justificação: não há trabalho. E como não há trabalho é legitimo passar o dia na varanda mais próxima onde se vende caju. Fome, ali nunca passará, considerando que a vendedora nunca se iria esquecer dele na hora do almoço (djanta). E quando a noite lá vem é altura de buscar o caminho para casa e ir saquear a água, que porventura, a mamã andou quilómetros para conseguir. Depois do banho tomado é hora de sair à procura delas. Elas que se habituaram a esperar que o macho tire do bolso furado a nota para a discoteca. A procura não dura muito, pois rapidamente se encontra uma disponível a ouvir um número incontável de mentiras. E na aurora do dia seguinte, se cedo conseguir estar de pé, a rotina é retomada, caso contrário fica-se pelo colchão, geralmente estendido no chão até que o raiar do sol seja mais forte que o cerar dos olhos.

A realidade é muitas vezes tão dura quanto nós a queremos pintar! Como dizem os mais velhos da terra “ Si bu sinta, sinta na sinta ku bó” e existem muitos jovens Guineenses sentados à espera do nada, tomados por uma falta de consciência inexplicável. Completamente sem planos ou sonhos, apenas vivendo um dia de cada vez e obedecendo a uma preguiça sem tamanho. Esquecendo a cada copo de caju ou warga que o sonho é maior do que isso, que o dever superioriza qualquer vontade ou preguiça; que o compromisso com o país é uma arma saudável que faz frente a qualquer poder intolerável.

 Portanto, meus irmãos e minhas irmãs, com todo este falatório quero dizer coisas muito simples, tais como recuperar a vontade de fazer pelo país fazendo por si. Tais como o desejo de acordar os meus irmãos mais adormecidos para que percebam que o mundo está a ir por um caminho muito pouco saudável. Não é só o nosso país, não! É mesmo o mundo inteiro. Basta verificarmos como hoje se tornou banal tirar a vida a uma pessoa; atentados que vitimizam inocentes; pais que violam filhos; filhos que matam pais; a criminalidade que cresce a cada dia; a desigualdade social que ganha níveis assombrosos; a concernência do aumento da corrupção e da ambição desmedida do homem, etc. (Os malvados nascem e fazem-se em todo o lado e cabe a cada um construir quem está ao seu lado e vice-versa). Logo, meus irmãos, é preciso agir, seja em que parte do mundo for! Vamos fazê-lo, dentro do nosso círculo de amigos, dentro da nossa família, dentro da comunidade onde nos encontramos inseridos. Pois só assim poderemos regenerar essa mentalidade tão corrompida que se está a instalar no mundo e lutar também para que o nosso país melhore. Principalmente nós jovens Guineenses que somos conhecidos no estrangeiro por sermos muito unidos.

  À juventude Guineense residente na Guiné-Bissau importa convencer de que o caminho está aberto e que nunca se deixe vergar pelo caminho mais fácil. Pois as dificuldades muitas vezes dignificam a conquista.

E quanto aos que acham que o desenvolvimento do país não é tarefa deles, pois pela Europa tencionam continuar, então que comecem a questionar a essência de suas vidas e a perguntar quem realmente são.

Para concluir, quero salientar que, antes de criticar o meu irmão vejo-me ao espelho. Portanto, antes que alguém me diga, vou já referindo que considero que nada tenho feito de especial para a Guiné-Bissau, nem de perto! Mas é com muita vontade que todos os dias vou resgatando a esperança ontem perdida no sentido de chamar a atenção de alguém que tenha mais capacidade que eu. E se a consciencialização for o caminho, deixo aqui a minha parte.


Estamos juntos!


05-03-2009

Questionando o Sr. Zamora Induta


O senhor Zamora Induta veio hoje, entre outras coisas e vocábulos, dizer que os Governantes Guineenses não podem ficar à espera da comunidade internacional. 

É caso para perguntar se só agora acordou para esse facto? Só agora neste momento extremamente difícil em que a Guiné está realmente a precisar e muito, da comunidade internacional, é que acha que deve chamar essa atenção aos governantes?

Quero dizer ao senhor Zamora que concordo plenamente que os governantes Guineenses nunca podem ficar à espera da comunidade internacional, pois a comunidade internacional só pode ajudar quando a iniciativa parte dos próprios governantes. Mas a dura realidade é que se o nosso país já era muito dependente de ajudas externas, neste momento então nem se fala. A Guiné-Bissau precisa e muito da comunidade internacional, mas talvez precisasse bastante menos se não tivesse no seu quadro homens com a sua mentalidade.

O senhor Zamora vem agora achar-se no direito de alertar os governantes, mas na altura de comprar e de construir casas na Europa, com o dinheiro que só ele sabe onde o tirou, não se lembrou desse facto.

O senhor Zamora vem agora considerar-se com moral para chamar a atenção de alguém, quando na realidade tem uma mentalidade inconsequente. Aquela mentalidade absurda dos N’ba luta. Ou terá se esquecido do caso em que ele e o Manel-mina perguntaram ao Director-Geral do Hotel 24 de Setembro onde ele andava quando eles lutavam?! (Otcha no na luta, nundé ku bu sta ba)

Caso ele se tenha esquecido eu passo a explicar o facto:

Algum tempo depois da guerra civil de 7 de Junho, nomeadamente em 2000, o Sr. Zamora levou para o país quatro amigos de nacionalidade Russa. Acomodou-os no Hotel 24 de Setembro, onde estiveram meses, com todas as regalias, sem pagar um único tostão. O que fez com que o meu pai (Júlio da Costa Incopté) na altura Director-Geral dessa instituição falasse com os hóspedes e de seguida, enviasse uma carta ao Sr. Zamora.

O Sr. Zamora, na companhia de Manel-mina, ao receber a carta não perdeu tempo, deslocando-se ao escritório do meu pai para lhe dizer na cara que os Russos não pagariam a estadia porque eram seus amigos e ele lutou pelo país. Ainda teve o descaramento de lhe perguntar onde é que ele estava quando os outros estavam na luta. Isso sem falar no facto de ter contribuído para que ele fosse substituído do cargo que ocupava. Suponho que, fazendo ir para lá uma pessoa que obedecia mais e questionava menos.

Por acaso aqueles que pegaram em armas são mais filhos da terra que os outros?

A arma na mão atribui-lhes algum rótulo de imunidade ou algum outro tipo de privilégio que os outros não possam ter?

Tenho a certeza que não! Principalmente quando nesta altura do campeonato todos sabemos que houve muitos que não pegaram em armas por acreditarem nos sonhos de Cabral ou pelo povo Guineense, mas sim, porque lhes convinha fazê-lo. Muitos deles porque praticaram actos criminosos na praça e viram no mato de Cabral uma óptima forma de fuga.

Portanto, o senhor Zamora que não venha achar-se com moral para dar lição aos outros, pois é por causa de homens como ele que a Guiné-Bissau se encontra no estado em que está, dependente dos outros para tudo!


Estamos juntos!


03-03-2009

Condenações e mais condenações

 

Em primeiro lugar há que referir que um acto de violência, seja de que género for, é sempre repugnante! Suponho que nenhum amante da paz ficaria indiferente a estes últimos acontecimentos registados na Guiné-Bissau. É extremamente importante que a estabilidade regresse à nossa pátria. Todos os filhos da Guiné esperam que Carlos Gomes Jr. tenha pulso forte para suster qualquer possível acto de violência.

Mas o que motivou este artigo foram as centenas de condenações dos actos ocorridos na Guiné-Bissau. Não pude ficar indiferente a sucessivas condenações que foram surgindo de todo o mundo, com particular ênfase para dirigentes dos países da CPLP e vizinhos africanos.

As minhas perguntas são as seguintes:

Onde estavam todas essas pessoas que agora apareceram a condenar os assassinatos de Nino Vieira e do Major-General Baptista Tagmé Na Waié?

Alguém alguma vez apareceu a condenar os actos desumanos que o Senhor Nino Vieira praticava contra o povo Guineense?

Onde estavam essas pessoas quando por causa de Nino Vieira tantos outros morreram?

Algum deles perguntou ao Nino Vieira porque é que tinha carros de luxo na garagem enquanto o povo Guineense morria à fome?

Qual deles é que perguntou ao Nino Vieira o que ele estava a fazer para combater o tráfico de droga na Guiné-Bissau?

De uma coisa tenho a certeza, faltam 4 dias para eu completar 22 anos de idade e durante todo este tempo nunca vi nenhum desses senhores surgir para condenar algum acto de Nino Vieira e vejam que não são poucos. O senhor Mário Soares veio hoje revelar que um dia, uma família desesperada lhe procurou para que ele interviesse junto de Nino Vieira de forma a evitar que duas vidas fossem eliminadas. Pois bem, uma dessas vidas era a do meu avô. E posso garantir que de nada adiantaram os desesperos das minhas tias.  

Pelo amor de Deus, acabemos com toda esta hipocrisia. De nada vai adiantar as condenações dos senhores! Se realmente querem ajudar a Guiné-Bissau então que arregacem as mangas e ajudem de forma concreta o Primeiro-ministro Carlos Gomes Jr. a tomar diligências de forma a controlar os militares. Esse tem que ser o primeiro passo para estabilizar toda essa situação e não, as condenações dos senhores, pois essas condenações entram a 100 e saem a 1000, tanto nos ouvidos do povo como nos ouvidos dos militares, onde a maioria não percebe nada que os senhores dizem.

É preciso agir!

Triste fim para quem um dia pegou em armas por acreditar que todos os homens tinham os mesmos direitos.

 

Estamos juntos!


28-01-2009

Mas quem acha que pode calar o contributo?

WWW.DIDINHO.ORG

Caro amigo Didinho…

Todos sabemos que o medo nunca interferiu na sua forma de viver. Caso contrário nunca teria conseguido realizar este grande trabalho que tem vindo a realizar! Também sabemos que desde que começou este maravilhoso trabalho soube sempre que apareceriam situações como esta. Mas nem por isso deixou de fazer aquilo que tem de ser feito!

Num dos meus artigos publicados aqui no projecto, eu dizia que o único nome que se podia dar ao trabalho aqui realizado era AMOR! E dos mais verdadeiros que alguma vez conheci! Amor ao povo Guineense, a pátria de Cabral e para completar tudo isso ainda existe um enorme compromisso cívico. Aqui não existe lugar para ódio, nem perseguições a ninguém. Aqui a única coisa que perseguimos de forma persistente é a justiça!

É nessa base que afirmo o que muitos já têm afirmado, isto é, que nada lhe irá suceder. Pois o General Ditador Vieira pode ser um assassino, traidor, sanguinário e até pode ter vendido a alma ao Diabo. Mas não é propriamente uma pessoa a que se pode chamar de burro. (não é lá muito inteligente, mas burro também não é!) Ele sabe melhor do que ninguém que se alguma coisa lhe acontecer, estará a assinar a sua sentença de morte. Ele sabe bem que este site é grande, tão grande quanto o seu mentor! Sim Didinho, Você é tão grande que ultrapassa múltiplas fronteiras! Por isso basta que lhe doa a cabeça, duma forma significativa, para que saiam pessoas das mais variadas partes deste mundo a questionar.

O maior BOSS (Burro Otário Sem Sentido) nesta história chama-se Filinto de Pina. Só uma pessoa tão burra conseguiria se submeter ao ridículo que ele se está submetendo. Nem inteligência de ficar calado teve. O que também não admira, perante o que todos vimos. Um homem que nem escrever sabe como pode compreender a essência deste projecto. Aliás eu pergunto o que faria um homem como ele que não fosse ser capacho de alguém? Eu pessoalmente só consigo sentir pena deste tipo de pessoas. Pessoas que não conseguem viver, porque simplesmente não sabem o que é seguir o próprio percurso. Vivem de acatar ordens e se contentam com o resto dos outros.

É triste… é muito triste constatar que existem pessoas tão “tapadas” por esse mundo fora. Mas fazer o quê? Estas pessoas existem!

A mudança segue o seu percurso e o CONTRIBUTO não se deixa ficar atrás! Vamos continuar a causar preocupação a essa gente medíocre, e se para isso for necessário acabar com o subsídio de determinados bajuladores assim será!              

 

Estamos juntos!  


20.01.2009

20 De Janeiro de 1973 
Uma data infeliz para todos os filhos da GUINÉ-BISSAU e de CABO-VERDE

 

Faz hoje 36 anos que a nossa pátria amada perdeu um dos seus melhores filhos, senão mesmo o melhor! É verdade que qualquer mãe ama os seus filhos de igual forma. Mas  existem aqueles que conseguem marcar os seus irmãos de uma forma exemplar, ficando assim na história da própria nação.

No título vem referido que esta data é infeliz para Guineenses e Cabo-verdianos, mas em boa verdade, esta data é triste para todos aqueles que acreditam na palavra LIBERDADE. Esta palavra por si só explica todas as acções de Amílcar Cabral! Ele morreu em nome da liberdade, morreu por acreditar que todas as pessoas têm o direito de nascerem livres e assim viverem. Amílcar Cabral morreu por ter sonhado, porque acreditou no seu sonho. Um sonho que hoje vem sendo destruído, por alguns daqueles que foram seus camaradas.

Amílcar Cabral teve o sonho mais bonito que qualquer filho podia ter para a sua nação. Mas fez mais do que isso, pois belíssimos sonhos… todos são capazes de idealizar. O maior problema é lutarmos pelos nossos sonhos. É isso que distingue cada ser humano! A capacidade de lutar, sacrificar; a coragem de arriscar a própria vida em nome de um sonho colectivo. O que distingue um homem do outro, é a capacidade de pensar nos outros antes mesmo de pensarmos em nós e, isso Cabral fez sem pensar duas vezes!

Um homem dotado de uma inteligência rara, que foi capaz de colocar toda a sua inteligência em defesa dos interesses colectivos dos povos da Guiné-Bissau e de Cabo-verde. Um homem que foi capaz de se entregar por uma causa sublime e justa. Causa a qual só podemos dar um nome: AMOR! Amor ao povo, amor a uma nação em que ele acreditava, amor à liberdade humana em geral. É por todos estes motivos que os Africanos em geral e Guineenses e Cabo-verdianos em particular terão uma dívida eterna com Amílcar Cabral, não só pelo que fez para libertar estes dois privilegiados povos do inferno que era o colonialismo português, mas também, por ter contribuído significativamente para alimentar o sonho do continente dourado.

Aos assassinos que cometeram tamanha maldade, importa dizer que ao matarem covardemente Amílcar Cabral, talvez tenham conseguido matar o PAIGC fundado por este (por aquilo que hoje assistimos). Mas com toda a certeza, não conseguiram matar o seu sonho! Pois o sonho ainda persiste nos corações de muitos e bons filhos da Guiné e de Cabo-verde. O sonho vem sendo sistematicamente adiado, mas há-de chegar o dia em que o sonho será uma realidade, sustentado pelo amor do povo, pela paz, pela igualdade perante a lei. Sustentado pela fome de mudança que mora no coração do povo.

Um forte abraço a todos aqueles que foram e são fiéis aos ensinamentos de Cabral, vivos e mortos.

_________________________

Com os desafios com que a humanidade hoje se debate, não deixa de ser importante salientar a coincidência deste dia. O dia em que um afro-americano assume o comando da nação mais poderosa do mundo. Os desafios de hoje são amplamente diferentes daqueles que foram encarados no passado, mas em boa verdade o mundo de hoje vive à procura de pessoas como Cabral. Pessoas capazes de colocar valores à frente da ambição; pessoas capazes de colocar os outros em primeiro lugar. E todos acreditamos que Barack Obama representa essa espécie rara de pessoas.

 

Estamos juntos!  


24-12-2008

Dez Desejos para 2009

 

Estamos prestes a conhecer um novo ano, prontos para destapar as novidades que ele nos trará. Um ano que todos nós Guineenses esperamos que seja realmente novo, em todos os sectores. Esperamos que com o findar de 2008 se feche de vez este ciclo de 10 anos de recessão da guerra civil. Que tende em persistir, tudo porque até ao momento ainda não tivemos ninguém que fosse capaz de apostar de coração limpo na união daquele país, capaz de apostar sem interesses obscuros na eclosão do grande potencial económica que a nossa pátria tem. Ninguém capaz de aposta na reconstrução daquela sociedade moída pela guerra, guerra que não serviu de nada, aliás nunca serve!

Aguardamos ansiosamente que 2009 traga a verdadeira democracia, não aquela da falsidade. Mas para isso acontecer temos que nos livrar daquele maldito ditador que temos no país, de nome Nino Vieira. Teremos oportunidade para isso nas presidenciais do ano que se avizinha. Porque o que se vive na Guiné-Bissau, não passa de uma ditadura, só não vê aquele que não quer ver! Pois numa democracia não se manda matar quem nos importuna, como esse senhor já fez e continua a fazer. Não se manda bater em jovens por cantarem o que lhes vai na alma, não se perseguem jornalistas por dizerem a verdade (o que é a sua obrigação). Em vez disso, na nossa querida pátria, os artistas da nova geração são surrados por contestarem os governantes, chega a haver concertos onde entoam uma única música, pois a tropa invade e bota para quebrar. Os jornalistas são obrigados a exilar se quiserem viver.     

Aguardamos com expectativa que 2009 nos retire a maléfica droga que nos está a arruinar o país dia após dia, tudo por culpa dos corruptos governantes que temos e do nosso desumano presidente junto com o seu partido PRID (PARTIDO RESPONSÁVEL pela INTRODUÇÃO da DROGA). Não queremos mais avionetas a descer nas ilhas trazendo o que só os corruptos sabem. Não queremos mais barcos a atracarem na praia de surro trazendo a sujidade que os próprios militares descarregam e que carrinhas do exército transportam. Queremos construir a nossa história sem droga.

Aguardamos com esperança que 2009 nos retire os palhaços (sem ofensa para quem gosta de palhaços, mas o momento exige seriedade) do nosso cenário político, como é o caso de Kumba Yala e com ele, o seu PRS (PARTIDO ROUBADOR de SALÁRIOS). Queremos no nosso cenário político pessoas que, mesmo não estado no poder, são capazes de ajudar o país através de uma oposição firme e responsável, conhecedoras das necessidades do povo e dos erros que estão a ser cometidos por aqueles que estão no poder. Não pessoas que em cada dez palavras que proferem, proferem igualmente dez disparates.

Aguardamos também que 2009 nos livre de todos aqueles que se consideram merecedores do poder com a justificação de que foram à luta de libertação nacional. Que lhes reaviva a memória e lhes faça recordar as palavras de Amílcar Cabral.

Aguardamos com lágrimas nos olhos que 2009 nos traga saúde colocando na cabeça dos nossos médicos o sentido do dever profissional. Que neste ano, que eu designo de esperança, os nossos médicos comecem a honrar os seus juramentos privilegiando a saúde do povo Guineense em detrimento do dinheiro. Que acabem, pelo amor de Deus, com os esquemas de atribuição de juntas médicas. Já todos sabemos que as juntas médicas são leiloadas na Guiné-Bissau e que nunca se dá prioridade aos casos mais graves, mas sim, a quem der mais dinheiro!

Já todos sabemos que os poucos medicamentos existentes nos hospitais são para as primeiras horas, isto é, até o doente estar em condições de comprar os mesmos numa farmácia. Mas em vez disso, os medicamentos continuam a ser vendidos pelos nossos médicos. Por outras palavras: se chegares ao hospital com um corte e não tiveres dinheiro para pagar a anestesia no momento, és cosido a sangue frio, sem anestesia. ENTÃO MEUS SENHORES PARA QUE FOI O VOSSO JURAMENTO?

Aguardamos com ânsia que 2009 nos traga uma melhor educação. Desejamos que em ano de esperança, os nossos governantes comecem a fazer um maior investimento a nível da educação para que se inicie uma reconstrução de base na nossa sociedade. É preciso que se criem, de uma vez por todas, condições aos professores, para que estes possam fazer o seu trabalho sem mais greves; para que estes não tenham necessidade de aceitar suborno de alunos e familiares para lhes dar uma melhor nota. É essencial uma boa educação para se formar uma sociedade sã! Conhecedora dos seus direitos e deveres!

Aguardamos desesperados que, em 2009 os nossos governantes e todos os Guineenses comecem a dar valor à palavra DIREITOS HUMANOS. Estes direitos são para respeitar em qualquer parte de mundo! E as nossas crianças são os primeiros a serem desrespeitados nesse campo, a começar pelo nascimento. Quantas crianças nascem na Guiné-Bissau e nem sequer são registadas? Quantas crianças em idade escolar não conhecem a porta da escola? Quantas crianças são obrigadas a trabalhar, privando-as de brincar? Na realidade, quantos pais sabem que brincar é um direito que qualquer criança tem?

Estas perguntas mexem de uma forma descomunal com o meu interior! Por amor de Deus meus senhores, AS CRIANÇAS SÃO FLORES DE QUALQUER JARDIM. Vamos cuidar delas.

Aguardamos com apreensão que 2009 traga uma PAZ verdadeira para o nosso chão. Que mais ninguém se julgue superior à vontade do povo ao ponto de achar que só pode contribuir para o bem do país tomando o poder pela força, desconhecendo por completo que está, isso sim, a contribuir para a estrago do país, ou pondo os seus interesses acima dos interesses da população. Aguardamos que, de uma vez por todas, se esclareçam as duvidosas tentativas de “golpes de estado”. O povo Guineense quer PAZ, merece essa PAZ por tudo o que já passou e ainda passa.

Aguardamos com sangue no peito que 2009 incuta nos corações dos nossos jovens maior sentido patriótico.

Não podemos deixar que estes malditos corruptos e ditadores vendam até o nosso amor pela pátria de Cabral. Vamos amar a nossa pátria mãe tal como ela é, com toda a sua beleza e defeitos, só assim podemos reparar o que está mal.

Por último, aguardamos por Carlos Gomes Júnior (razão pela qual designei 2009 de ano de esperança). Guineenses em todo mundo estão de olhos postos no senhor Cadogo e no que ele fará depois de tomar posse. Estamos todos a aguardar para ver o governo que irá formar, governo que, obrigatoriamente, terá que ter como prioridade a melhoria das condições de vida do povo Guineense. Filhos da Guiné-Bissau em todo o mundo estão com os ouvidos bem abertos à espera de ouvirem que eco terá a governação do Carlos Gomes no que diz respeito à opinião do mundo sobre a estabilidade do país. Pois o senhor Cadogo vai ter um grande trabalho para limpar o nome da Guiné-Bissau no mundo. Esperamos todos que a governação de Carlos Gomes fique realmente marcada por coisas positivas para a Guiné-Bissau e sobretudo, que ele não desiluda o povo que acreditou nele.

Independentemente de todos os nossos desejos para o ano que se avizinha, não fiquemos à espera que as coisas se resolvam por si só. Vamos pôr as mãos ao trabalho e ajudar a que 2009 fique na história como um ano de coisas boas.

 

AHFBMJ kuma pa fala colegas de constituison kuma paca ninguim disanima.

 BOAS FESTAS A TODOS OS FILHOS DE DEUS!

 

Estamos juntos!


14-12-2008

BOLSEIROS GUINEENSES NA RÚSSIA

 

A nossa formação académica é sem sombra de dúvida a rampa de lançamento para um futuro melhor, a nível pessoal e social! Para essa realização pessoal que podemos transportar e colocar ao serviço da sociedade onde nos encontramos inseridos é necessário um grande empenho e espírito de sacrifício. É preciso termos um crer muitas vezes fora do comum. E quando se refere ao nosso caso (Guineenses) esse crer e espírito de sacrifício têm que ser redobrados, devidas às condições que temos à nossa disposição. 

No entanto, até o nosso espírito de sacrifício tem limites. Quando as coisas já começam a ultrapassar os limites do sacrifício e a interferir com o nosso bem-estar e com a nossa dignidade como Homens. É preciso começarmos a rever as nossas precedências e a escolher os materiais à nossa disposição.

O problema que aqui vou atacar não é novo, nem coisa que se pareça, aliás, é de conhecimento geral. Justamente por isso é que já se deveria ter feito um mínimo de esforço para colmatar esse problema.

Os bolseiros Guineenses por esse mundo fora, estão abandonados à própria sorte!

Argélia, Marrocos, Brasil, Rússia esses são apenas alguns países onde se encontram inúmeros jovens Guineenses a formarem-se com o objectivo de servir a pátria amada. Mas que se encontram totalmente abandonados pelos sucessivos e inertes governos do nosso país. Muitos ainda conseguem aguentar e prosseguir os estudos através da ajuda de familiares que se encontram na disponibilidade de os ajudar. E quem não tiver nenhum familiar em condições de o apoiar, faz o quê? É obrigado a desistir dos estudos para ir trabalhar? (Esse é o caminho mais frequente!)

Mas estou aqui para abordar em particular o caso da Rússia onde se encontra um grande número de filhos da Guiné que movidos por um grande desejo de estudar para um futuro melhor, continuam a receber e a aceitar bolsas de estudo para esse país. Mesmo depois de tudo o que aconteceu em 2005! Mesmo sabendo que depois de formados, no regresso ao país são lhes dado três meses para se deixarem corromper. Caso contrário vêem as portas completamente fechadas. Mesmo sabendo de tudo isso, os jovens partem em busca de formação. Infelizmente quando chegam a esse país é preciso muito pouco tempo para se arrependerem de terem lá ido. Porque rapidamente se apercebem que condições para estudar são coisas que menos terão. Sim, porque pensar em estudar quando por vezes se passam dias sem ter o que comer, ninguém consegue! Quando na última semana ouvi da boca de uma compatriota, (senhora já idosa) o relato de que o seu sobrinho chega a comer arroz cru na Rússia, não o cozendo com medo que acabe mais depressa. Fiquei incrédulo perante tal relato e ao mesmo tempo invadiu-me uma indignação sem tamanho, porque assim como o sobrinho dessa senhora existem dezenas de estudantes Guineenses naquele país, onde tudo é frio, inclusive o coração do seu povo, que está a passar por situações idênticas ou até piores. Sem o mínimo apoio do governo da Guiné-Bissau, que dá por cessada as suas intervenções no momento em que os vistos são emitidos. Depois disso o problema é do bolseiro e dos seus familiares. Os nossos governantes esquecem-se por completo dos seus deveres com estes filhos da Guiné-Bissau que se estão a sacrificar para um futuro melhor, o que significará um futuro melhor para o país!

Depois da conversa com a dita senhora, resolvi entrar em contacto com os estudantes Guineenses daquele país, na tentativa de demonstrar a minha solidariedade para com a situação que estão a viver e lhes dar apoio. Numa pesquisa na internet consegui encontrar a Associação de Estudantes da Guiné-Bissau/Ivanova (www.ivanova.no.comunidades.net) ao contactar a associação vi confirmada os relatos da compatriota, duma forma ainda mais profunda já que o relato é feito por quem vive a situação. O que fez aumentar a minha tristeza e indignação.

 

Aos nossos inertes governantes quero dizer isto:

Na ciência da vida o material humano é a base de tudo! É fundamental para qualquer sociedade ter bons profissionais em múltiplas áreas! Sem isso nem que se tenham equipamentos de ponta! Caso eles se tenham esquecido desse facto. Então chegou a altura de os mesmos recordarem que a formação é a condição primária para o desenvolvimento, em qualquer parte do mundo! É altura de lhes dizer que apoiar os nossos bolseiros é investir na formação. É altura de informar aos nossos governantes que o mínimo que podem e devem fazer é apostar nos nossos estudantes que estão a concretizar os seus estudos no estrangeiro, já que não investem minimamente na educação no país. É altura de apostar no investimento colectivo e parar de trabalhar só para os próprios bolsos. É hora de acabar com projectos que visam única e exclusivamente o bem-estar individual. É tempo de trabalhar para o país.

Quanto aos meus irmãos jovens Guineenses que estão na luta por esse mundo fora, quero dizer o seguinte:

Queiramos ou não, a chave está nas nossas mãos! O futuro somos nós, estamos comprometidos com a mudança e com o país que é nosso! Por isso vamos elaborar objectivos e persegui-los, vamos procurar exemplos positivos, vamos valorizar o nosso contributo ao desenvolvimento do nosso país, vamos trabalhar para que o nosso espírito criativo e crítico esteja sempre activo. Pois o nosso coração ainda é limpo, a nossa mente ainda não esta corrompida. Porque nós (jovens) somos o símbolo da força, da vitalidade, do crer. Acima de tudo, porque os filhos da Guiné-Bissau são revolucionários por natureza, a nossa história mostra-nos isso e deixa-nos orgulhosos de ser filhos de quem somos. 

Meus irmãos jovens, é preciso que tenhamos sempre em mente o seguinte: O futuro do nosso país depende do trabalho que estamos a desenvolver no presente.

 

Estamos juntos!


07-10-2008

O Tempo nunca fez milagres


Inconscientes ou eternos sonhadores, não sei qual das características se enquadra melhor ao povo guineense. Já é mais do que frequente ouvir os guineenses dizerem que a Guiné-Bissau um dia vai melhorar, vai ser o país com que todos os seus filhos sonham. A fé é realmente legítima, mas muitas vezes a forma como se fazem essas considerações levam a que se instale um infantil pensamento de que o tempo tudo resolverá. Porém, isso é uma completa barbaridade da parte de um povo estupidamente passivo e de todos os guineenses que assistem impávidos e serenos enquanto o general nino ditador vieira vende a terra aos traficantes e a quem a queira comprar. O general vai vendendo a terra a retalho com altíssimos empréstimos em nome do país, dinheiros que, permanentemente, acabam por ir parar às contas do nino ditador viera. Aliás, já se pode afirmar que muitas das nossas maravilhosas ilhas estão na posse de traficantes de droga e de promotores da emigração clandestina.

Meus caros, o tempo não faz milagres, principalmente quando já vimos que a nossa terra muda a cada dia que passa, mas infelizmente muda para pior. Não podemos achar que com o tempo tudo melhora sem que se trabalhe duro para que assim aconteça. Isso é uma tremenda ilusão! É a mesma coisa que um senhor de 35 anos de idade ainda acreditar no pai natal. Aliás, a Guiné-Bissau é um exemplo daquelas famílias pobres, onde as crianças sentam-se até ao amanhecer à espera do pai natal, porque os pais não têm dinheiro para lhes comprar presentes.

O povo Guineense não pode fechar os olhos a esse leilão a que o país está a ser sujeito. Ou estão a espera que daqui a algum tempo seja anunciada pela Angola o “perdão” da dívida dos 30 milhões, tal como, por exemplo, aconteceu com os 34 milhões que o país devia ao Brasil no ano passado? Ingenuidade, não existe qualquer tipo de perdão! Estas dívidas muitas vezes só não são pagas em dinheiro. Pois a maioria dos acordos que são geralmente assinados antes da ilusória indulgência das dívidas, acabam na maior parte das vezes por beneficiar ao país credor. Não é ao país devedor!

O povo guineense não pode manter-se calado perante esta tamanha desgovernação. Como se admite que até agora não esteja sequer, marcada a data para o inicio das aulas!? A função pública anda de greve em greve, com razão, paralisando o país e a vida dos estudantes e dos filhos da Guiné em geral. Brincadeira ou incompetência? Seja como for, quem paga são os guineenses e a Guiné-Bissau.

Existem perguntas que não podemos deixar de fazer ao General e também a nós mesmo, tais como:

Quem recorre a empréstimos para pagar dívidas porque não conseguiu cumprir os prazos acordados, tem alguma margem para investir no sentido de vir a pagar esse mesmo empréstimo?

Não me parece!

Sendo assim acaba por fazer o quê para pagar a dívida?

Pedir outro empréstimo!

E assim o país vai pulando de dívida em dívida, sem vislumbrar o caminho de saída e sem dinheiro para pagar aos funcionários quanto mais para investir em algo rentável de modo a pagar as dívidas.

Certamente, o senhor Nino Ditador Vieira já não se lembra destas palavras:

Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMíLCAR CABRAL

Sendo assim, cabe aos filhos e amigos da Guiné-Bissau, alertar o senhor Nino Ditador Vieira que os objectivos da luta armada ainda não foram atingidos como ele bem sabe, mas acima de tudo alertá-lo que com ele no jugo esses objectivos nunca serão atingidos.

Guineenses, chega de esperar no tempo pelo tempo enquanto o tempo passa. Sim, porque ele passa, não parando para resolver problemas! Não nos achemos mais filhos de Deus, e que um dia o Nino Ditador Vieira cansará de brincar aos poderosos, deixando trabalhar aqueles que realmente querem fazer alguma coisa pela Guiné e assim do nada o país andar para a frente. Engano, um verdadeiro engano!

Para que o país ande para a frente é necessário o contributo de todos, contributo que começa com os nossos deveres de cidadania. É preciso conhecer o que se faz no país, é preciso questionar o que os nossos dirigentes fazem do nosso país, de todas as maneiras que encontrarmos, em todas as oportunidades. 


Nô artistas kuma mindjor dia na bim, él ku no na pêra.

A pergunta é: quando e Como?

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Há dias uma pessoa perguntou-me o que conseguia com os meus artigos acerca da Guiné-Bissau, ou seja, que efeitos tinham os meus textos nos problemas que abordo neles.

Sem muito rodeio respondi o seguinte:

Talvez eu não possa fazer muito com os meus textos, mas tenho por dever alertar aqueles que podem mais do que eu, e o povo pode! Ah se pode…

É o que vou continuar a fazer. Vou falar daquilo que sei e observo, mesmo que alguns militantes do PRS achem que o nome de Kumba Yalá é sagrado.

 

Estamos juntos!


24-09-2008

Qual independência?


24 de Setembro de 1973, uma data que certamente nenhum filho da Guiné-Bissau e de Cabo-Verde esquece! Foi a data que concretizamos o nosso grande desejo de independência, data em que aqueles que morreram por esta grande causa, como o caso do homem e senhor que ficará para sempre ligado a esta data: Amílcar Cabral. Homens como este grande líder africano, morreram por uma causa verdadeira e justa. Por isso esta é uma data em que acima de tudo devemos sentir orgulho em sermos filhos da Guiné-Bissau e de Cabo-Verde, devemos sentir-nos orgulhosos por termos tido pessoas com a coragem de morrer por nós.

Hoje 24 de Setembro de 2008, ou seja, 35 anos depois da tão festejada independência, os filhos da Guiné-Bissau, principalmente, são muitas vezes obrigados a perguntar: Qual independência? “Acabou” a dominação Portuguesa e prosseguiu a dominação de Nino Vieira, de onde julgamos ter saído como a Guerra de 1998, mas afinal estávamos enganados. Nem meia dúzia de anos se passaram e lá voltava ele e com ele a droga que hoje é dono e senhor do poder. A autonomia, essa anda escondida pelos cantos da Guiné-Bissau com medo daqueles que conhecem os matos da terra. O povo é muitas vezes reprimido por pensar por cabeça própria, que o digam os jornalistas daquela terra. A dependência económica é gritante. Ainda precisamos da bondade de muitos para garantirmos até a democracia daqueles pais. (Já que sem a bondade de alguns nem as eleições se realizam.) Como é do conhecimento geral, sem autonomia não há liberdade. A ditadura passou das mãos portuguesas para as mãos do General Cabi. O que é ainda mais horrendo por esse ser filho da Terra! A instabilidade política é constante, porque todos se acham no direito de mandar, esquecendo-se que os seus direitos acabam onde começam os dos outros.

Passaram-se 35 anos após a independência e desenvolvimento, só em sonhos. Os filhos da Guiné incessantemente fogem da terra como o diabo da cruz. Os políticos continuam a não ser aliados do povo para uma caminhada sustentada rumo ao desenvolvimento. A educação anda de muletas, a justiça tornou-se o núcleo da corrupção. Num dia de festa como hoje, as crianças ainda choram de fome. A população ainda festeja a independência na escuridão tradicional do país. Hoje a cólera ainda mata pais e filhos por não terem um nível de vida que lhes permita escolher o que comer.

Passaram-se 35 anos e hoje pergunto: onde está a rebeldia, a coragem, a audácia e a irreverência atribuídas ao povo Guineense no tempo colonial? A história conta e mostra que de todos os povos colonizados por Portugal o Guineense era sem dúvida o menos conformado e mostrava isso com irreverência e coragem que lhe estavam no sangue. Será que o sangue que nos corre nas veias mudou, tornou-se menos destemido? Ou terão os tugas levado a nossa coragem de lutar por aquilo que é nosso por direito. Coisas indispensáveis como: água, luz, saneamento básico, alimentação, trabalho, habitação, saúde, educação. Resumindo, direito de viver e não de sobreviver.

Esta é uma data que nunca vamos deixar de festejar, mas sem nunca esquecer que não foi só para isso que se lutou, muito menos foi para isso que Cabral morreu. Sem nunca esquecer que temos condições para fazermos melhor, condições para nos sentirmos verdadeiramente livres dos tugas e livres em relação a nós mesmos.

Em forma de conclusão, quero aqui deixar um grande abraço a todos os filhos da GUINÉ-BISSAU e de CABO VERDE, acreditando que este aniversário trará mais serenidade na forma de governar os nossos chãos.

 

Estamos Juntos!


09-09.2008

Uma Guerra étnica criada pelos nossos políticos

 

Cansei… estou farto de ouvir pessoas que julgam conhecer problemas da Guiné-Bissau colocarem as culpas de muitas falhas do país na multiplicidade étnica do mesmo. Não é a primeira vez que ouço falar do assunto mas, quando ontem num “bate boca” com o meu tio (fervoroso apoiante do PAIGC) ele me disse que para Guiné-Bissau estar no estado em que está, muito contribuiu o facto de o país ter diferentes etnias e consequentemente, muitas culturas e formas de ser e de estar diferentes. O que resulta de rivalidade entre etnias, e num país tão pequeno só podia trazer maus resultados. Julguei inacreditável estar a ouvir aquilo da boca de uma pessoa com quem aprendi e muito, sobre a nossa terra.

Pois bem… não deixa de ser verdade que o facto de existirem muitas etnias na Guiné levou com que se criassem formas de estar e de ser muito diferenciadas o que originou a existência de culturas diferentes. Mas isso não é positivo? No meu entender esse facto é muito positivo!

Primeiro, não conheço nenhum país no mundo com uma maior variedade de culturas que o nosso! Em nenhuma outra parte do mundo se falam tantas línguas e o povo se expressa de forma tão distinta e ao mesmo tempo tão adjacentes. Esse facto fez do povo Guineense, provavelmente, um dos povos mais tolerantes em comparação com outros povos em todo o mundo! Talvez isso explique o facto de o nosso país ser tão permissivo, onde entra tudo e todos.

Num país tão pequeno onde o tambor e a arte física dos Djidius (Fulas) contrastam com o barulho dos guizos dos N’aies cheios de cinza (Balantas) difícil seria as culturas não andarem de mãos dadas. Quando o mundo relata esses acontecimentos, designa-os como cultura Guineense e não Fula ou Balanta! No mercado de Bandim a manga dos Papeis encara-se frequentemente com a laranja do leste Guineense dos Mandingas, mas o produto é Guineense e alimenta Mandjacos, Bijagós e não só! Então onde está a rivalidade entre etnias? Ela deve estar na cabeça dos que dela se querem aproveitar.    

Segundo, todos esses factos quando bem aproveitados são uma mina de ouro no que diz respeito ao turismo do país! Mas quem aposta no turismo, quando o mundo ainda tem memo de nós!? Uma das obras realizadas pelo 7 de Junho foi deixar o mundo com sérios receios quando está em questão pisar o solo Guineense! Pelo menos pessoas de boas intenções. O potencial turístico da nossa terra foi gravemente abatido pela Guerra civil de 1998. Aliás, a Guerra civil de 1998 conseguiu colocar para fora do país, filhos e muitos amigos da terra e o mais irónico é que aquele que mais se desejava colocar fora acabou por lá voltar.

Terceiro e o facto que mais me faz discordar da opinião do meu tio: A rivalidade de que se fala está longe de chegar ao povo! Esta está a ser criada por alguns manhosos que o nosso povo tem conhecido, como é o caso de Kumba Yalá e não só! Utilizam essa suposta “guerra” étnica para confundir o povo menos educado.

Passo a explicar esse facto que me faz discordar absolutamente do meu tio: Durante a Guerra de 7 de Junho percorri a Guiné-Bissau como nunca antes tinha feito. Andei de Antula a Nhacra, de Nhacra a Prábis, Prábis a Varela, Varela a Biombo, Biombo a Ponta de Pedra, de lá a Geta, de Geta a Canchungo passando por Caió, regressando a Safim e por fim Bissau nandó. Bem… corri muito, não só para fugir às balas mas também, à procura de melhor local, melhor dizendo, onde houvesse menos fome. (Que graças a Deus, digo de boca cheia, nuca passei durante a Guerra, tudo graças a uma coisa chamada SOLIDARIEDADE que o povo Guineense tem e muito) Nessa caminhada toda, embora eu fosse pequeno, já era bastante visível a harmonia entre os povos por onde ia passando. Vi Balantas, Mancanhas e Fulas em Canchungo, recebidos em casas de Mandjacos como se de um deles se tratasse. Na fuga para Safim estive com centenas de pessoas num camião de um senhor de etnia Mandinga que foi apanhando pelo caminho as pessoas que conseguia. Bem… não perguntava a cada pessoa a sua etnia antes de subir no camião, mas duma coisa tenho a certeza, havia dezenas de etnias naquele camião de um proprietário Mandinga!   

Não percebo como pode passar pela cabeça de alguém que conhece bem o nosso país que o facto de existirem muitas etnias é uma influência negativa ao desenvolvimento do país. Logo naquele país onde a varanda dos Gã Sanhá é colada com a varanda dos Batista; onde se tem que pisar na varando dos Silva para se chegar à casa dos Cassamá. Aquela terra onde os Embalós morram há anos em casa dos Brandão sem pagar a renda. Alguém pode insinuar uma rivalidade em tais condições? Não me parece que isso seja possível! Os nossos políticos é que querem fazer disso uma forma de arrancar votos da população.

Como disse e bem o Mano Zeca: “Há coisa que não naquele país não podemos dizer que não existe porque nascemos e vimos serem praticadas” mas também tem coisas que não têm sentido serem ditas.

 

Um aparte:

Aproveitando o momento, já que vem ai eleições, para fazer um apelo/conselho aos nossos músicos principalmente aos mais experientes.

Por amor à Guiné-Bissau, parem de ajudar esses políticos de meia tigela a enganar o povo. Parem de fazer campanha por eles, porque ninguém mais do que os senhores sabem que quando eles ganham as eleições nada muda, não cumprem nada do que prometem. Nem as condições para os senhores músicos trabalharem melhoram. Até porque é sabido que no final de campanha nem a vocês que os ajudaram na campanha pagam aquilo que lhes prometeram.

Se querem todos um país melhor, então façam trabalho sério, digno de ser apreciado pelo povo Guineense e não andem a brincar de meninos de campanha mudando de candidato como quem muda de roupa. Até porque os senhores já são bem grandinhos e sabem que se ontem fizeram campanha para o PRS, hoje fazem para o PAIGC e se amanhã fizerem para o PUSD o povo começa a duvidar da vossa credibilidade como Homens e artistas.   

 

Dar a cara por alguém é um assunto sério e que exige dignidade de ambas as partes.

Talvez o melhor mesmo seja apoiar os jovens músicos da nova geração, porque esses sim parecem que além de terem garagem e muito talento também são homens com capacidade para servir de exemplos as nossas crianças.

 Vejamos um exemplo disso: 

YouTube - Zito - Principe do mundo - Nunde Ku No Na Bai?

 

Estamos juntos!


28-08-2008

NUM PAÍS "MODERNO"

 

Está semana li mais uma noticia dando conta do que acontece aos meus irmãos nas ruas de Dakar. Como não podia deixar de ser, mais uma vez a indignação tomou contra de mim. 

Podem acreditar que é mesmo caso para eu colocar a palavra moderno entre aspas! Porque é difícil de acreditar que num país "dito" moderno as pessoas ainda são capazes de justificar situações tão absurdas com a palavra tradição ou costume. Nos dias que correm, qual é a tradição que obriga um pai a ficar longe do filho? Onde está a força dessa tradição a ponto de colocar crianças inocentes a mendigarem pelas ruas de Dakar? Em nome de que género de tradição uma criança é obrigada a dormir na rua, longe da família? Em nome de conhecer os ensinamentos do Corão!? Será tudo isso necessário para conhecer os ensinamentos de uma religião que luta exactamente pelo contrário? Não acredito que alguma religião no mundo tolere exploração de crianças inocentes!

Em 20 de Novembro de 1959 foi criada pela ONU uma declaração dos direitos das crianças com dez mandamentos, que deveriam ser respeitados por todos. Passo a citar alguns:

1- A criança deve ter condições para se desenvolver Física, Mental, Moral, Espiritual e Socialmente com Liberdade e Dignidade.

 

Considerando os dois últimos como pilares de sustentação de todos os anteriores, eu pergunto: as crianças Guineenses que são enviadas para Senegal com o suposto objectivo de irem estudar o Corão, é lhes dada alguma Liberdade de escolha? Uma criança largada nas ruas de Dakar para mendigar, não é uma criança a quem se tira toda a Dignidade? Uma criança que tem a necessidade de mendigar para comer tem alguma condição para se desenvolver Física e Mentalmente bem? Uma criança com fome é obviamente capaz de roubar para comer, sendo assim que Moral terá a mesma ou o que será ela para a Sociedade?

 

Os direitos das crianças não estão a ser respeitados pelos próprios pais na nossa Guiné-Bissau!

  

4- A criança deve crescer amparada pelos pais e sob sua responsabilidade, num ambiente de afecto e de segurança.

 

É de chorar com este quarto mandamento. Basta conhecer, por um pouco que seja, a realidade vivida pelas crianças Guineenses nas ruas de Dakar para não ficar indiferente a esta declaração. Estas crianças crescem longe dos pais, elas não são amparadas pelos mesmos, nem têm afecto dos mesmos e não estão sob responsabilidade de ninguém. Porque estar sob responsabilidade dos exploradores marabutos, que esperam que as crianças vão pedir para depois lhes tirar, é o mesmo que estar à responsabilidade de ninguém. Passando o dia e dormindo na rua, que segurança têm estas crianças? Caso sejam maltratadas por alguém na rua ou simplesmente atropeladas por um carro, a quem vamos pedir explicações? Ao Zé-ninguém é claro!

Não vou pedir, mas sim implorar a todos os muçulmanos de bom senso, que lutem contra tais práticas, que informem seus irmãos menos informados o que seus filhos sofrem nas terras Senegalesas em nome do Corão. Pai é pai, seja de que religião for! Como tal, tem o dever de tirar da sua boca se necessário for para o filho não passar fome. A nossa terra está mal, sim está! Como diria o Sr. Rogado: Na pocilga. Mas por favor não se livrem dos filhos como se eles fossem trapos velhos escondendo-se no pretexto de que os mesmos foram enviados para estudar o Corão em Dakar, pois todos têm conhecimento do que os mesmos estão a sofrer por lá. Por favor, não tirem nos rostos dos seus filhos aquele sorriso inocente e sincero de uma criança, seja em nome de que religião for. Eduquem os seus filhos sobre os seus olhos, eduquem-lhes sobre os princípios da religião muçulmana, mas sejam vocês a fazer isso. Um filho não aprende com nenhum professor, o que aprende com o seu pai! Salvem os vossos filhos.

Não pensem, os senhores, que com a crítica e apelo aos pais, me esqueço dos nossos malditos governantes, impossível! Pois a eles cabe a responsabilidade de criar condições para que estas crianças não tenham a necessidade de ir para Dakar estudar o que quer que seja. A eles cabe a responsabilidade de criar mecanismos de controlo mais rigorosos, para que estas crianças não saiam do país sem mais nem menos e sejam exploradas além fronteiras. Até porque uma criança deve ter a máxima prioridade de qualquer governo seja em que parte de mundo for. Será que os nossos governantes terão saltado na altura de ler o sétimo mandamento da declaração da ONU?

 

7- A criança, em todas as circunstâncias, deve estar entre os primeiros a receber protecção e socorro.

 

Por favor, parem de desrespeitar as crianças em nome de Alah ou de uma tradição baseada em seu nome. Nada contra estas crianças aprenderem os ensinamentos do Criador, mas que isso seja feito de uma forma que dignifique pais e filhos.

Como se não nos bastasse os maus-tratos às nossas crianças em Dakar ainda temos, até hoje, de travar uma luta contra a satânica tradição da excisão feminina (chamando as coisas pelo nome, Mutilação Genital Feminina) porque é isso que realmente acontece, mutilação! Ou seja, em muitos países africanos não podemos falar só em mutilados de Guerra, pois temos milhões de mulheres mutiladas em nome da tradição e da fidelidade feminina ao casamento. Uma prática condenada pelos médicos e que infelizmente ainda no nosso país e em muitos outros países africanos levanta polémica. Recordo-me que em Fevereiro deste mesmo ano 2008, na Guiné-Bissau, foi discutida no parlamento uma lei que proíbe este acto que é um verdadeiro atentado aos direitos humanos. Mas como não podia deixar de ser teve uma forte contestação de duas organizações Islâmicas Guineenses casos do Conselho Nacional Islâmico e do Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos que foram na altura contra uma eventual discussão em torno do assunto considerando que seria uma afronta aos mandamentos do Islão. Bem... eu não conheço os mandamentos da religião muçulmana, mas também não acredito que haja algum mandamento que exija mutilação das mulheres! Simplesmente por considerar que o mesmo não lhes traz qualquer benefício, muito pelo contrário, traz sim problemas psicológicos e graves riscos de saúde, risco de contracção do vírus da SIDA entre muitas outras doenças.

 

Pessoalmente, além de me entristecer bastante a falta de sensibilidade dos nossos governantes em relação a todo este caso, entristece-me também o facto de sempre que se fala neste assunto em português, a Guiné-Bissau é sempre o país referido como exemplo, péssimo exemplo por sinal! Mesmo assim os nossos governantes ainda nada fizeram de forma a punir severamente os autores desta prática para que sirva de exemplo na luta contra o fanado feminino.   

 

Embora tenha apenas 21 anos de idade, e não tenho nem de perto os conhecimentos que um "Régulo" muçulmano tem (sim porque, embora Guiné-Bissau seja um Estado democrático ainda existem por lá Régulos) mas como estava a dizer, não sei o que eles sabem, mas gostaria que os mesmos me explicassem a lógica de proibir uma mulher de ter prazer no acto sexual. Eles ou qualquer outro defensor desta barbaridade. Será que, por uma mulher casada ter prazer na relação sexual com o marido está a afrontar o Alah? Hum... difícil de aceitar! Será que por ela não ter prazer é mais fiel ao marido? Não há absurdo maior!

 

OS DIREITOS HUMANOS FORAM CRIADOS PARA SEREM RESPEITADOS, ENTÃO FAÇAM O FAVOR DE OS RESPEITAR SEJA EM QUE PARTE DE MUNDO FOR.

                       

Mesmo num país onde mandam alguns inconscientes como é o nosso caso, há que ter a noção de que existem coisas inaceitáveis.

 


 

1- A criança deve ter condições para se desenvolver física, mental, moral, espiritual e socialmente, com liberdade e dignidade.

2- A criança tem direito a um nome e uma nacionalidade, desde o seu nascimento.

3- A criança tem direito à alimentação, lazer, moradia e serviços médicos adequados.

4- A criança deve crescer amparada pelos pais e sob sua responsabilidade, num ambiente de afecto e de segurança.

5- A criança prejudicada física ou mentalmente deve receber tratamento, educação e cuidados especiais.

6- A criança tem direito a educação gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares.

7- A criança, em todas as circunstâncias, deve estar entre os primeiros a receber protecção e socorro.

8- A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono e exploração. Não deverá trabalhar antes de uma idade adequada.

9- As crianças devem ser protegidas contra prática de discriminação racial, religiosa, ou de qualquer índole.

10- A criança deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade, fraternidade e paz entre os povos.


17-08-2008

Onde está o resto da máfia?

"Na bias; tudo tene ku bu na tene presa, nunca bu kana bai sinta na lugar de condutorZito- Príncipe de Mundo


Passa pela cabeça de alguém a ideia de que o José Américo Bubu Na Tchuto era capaz de planear um golpe de Estado sozinho?

Não!

 

Alguém tem dúvidas de que além dele estarão muitos mais envolvidos neste absurdo acontecimento?

Não!

 

Sendo assim, como qualquer Guineense tenho o direito de pedir esclarecimento o mais rápido possível às nossas autoridades, quanto a outros possíveis "Cabeças" envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Até agora só surgiram dois nomes além do Bubu Na Tchuto, o de António Albino e o de Mário Sambe. Ao que parece meninos de recado do senhor Bubu na Tchuto, mas como é lógico isso não chega. O nosso povo quer a verdade verdadeira, merece a verdade, que mais uma vez lhe pode vir a ser escondida como tem sido habitual ao longo da história da nossa terra. Quanto a isso, acabamos todos de ter a certeza de que o senhor Nino Vieira sabe de tudo o que quer saber naquela terra. Então como é possível ele não poder explicar tanta coisa mal explicada naquele país, tais como as mortes dos seus camaradas de luta ou das drogas que circulam na Guiné-Bissau? Difícil de aceitar...! A expressão "Zona Zero" um dia vai acabar na Guiné. 

Porque como disse o Senhor: Nada há coberto que não se venha a descobrir! Nada há oculto que não se venha a conhecer!    

É necessário perguntas para se obter respostas ou pelo menos tentativas disso. Por mais burro de carga que o povo Guineense possa parecer, nunca pensaria que o Bubu Na Tchuto tivesse a intenção de dar golpe de Estado para ser ele a assumir o poder na Guiné-Bissau. Porque isso seria uma desgraça tão grande que não cabe na cabeça de ninguém. 

Outras perguntas, por sua vez, também inevitáveis, surgem na sequência da conclusão anterior. Quais seriam os políticos Guineenses que estariam na linha de frente para render a Nino Vieira no poder? Talvez possam ser muitos, mas o primeiro que nos viria a cabeça, certamente, seria o recém regressado e polémico Kumba Yalá. Não só por ser da mesma etnia que Bubu Na Tchuto. Sim, Balanta! Porque para mim a história de Mohamed Yalá Embaló não passa de uma manobra de campanha muito mal traçada! Pois se ele continuar com esta história de "profeta" não vai mais poder proferir aqueles discursos que proferia no passado, nem fazer aquelas figuras que fazia publicamente com que enganou o povo Guineense, sob pena de não obter nenhum voto muçulmano, que à priori já será difícil! Quem não se lembra do teatro que fez Kumba Yalá ganhar as eleições em 2000!? A estratégia era sempre a mesma "Aós Kumba na iabri n'buludju" (Hoje o Kumba vai abrir o embrulho) então a Chapa de Bissau enchia-se de gente para ver e ouvir que embrulho tinha ele para abrir e invariavelmente chegava-se ao final do comício e nada de importante saía da boca daquele homem.

A mim pessoalmente não me espantaria a intenção do Bubo Na Tchuto querer ver no poder uma pessoa da sua etnia, tal como Ansumane Mané já tinha tentado fazer no passado com o senhor Malam Bacai Sanhá, após o período deste como presidente interino da Guiné-Bissau.

Voltando ao atentado de golpe de Estado. Como tinha o senhor Bubu Na Tchuto conseguido fugir para Gâmbia, sozinho? Não me parece, aliás como foi possível que as mesmas autoridades que conseguiram fazer frente a uma situação de conspiração contra o presidente Nino Vieira tenham deixado que o suposto principal responsável por tal acto tivesse fugido do país!? Mas eu pergunto, que país é o nosso onde uma pessoa que planeia um golpe de Estado é descoberto e detido, até ai tudo bem.,mas coloca-se esta mesma pessoa em prisão domiciliária!? Porque motivo? Por ser Bubu Na Tchuto? Será que as prisões estavam assim tão cheias? Ou o senhor Bubu é mais do que os outros que não podia ser colocado nas prisões desumanas da Guiné-Bissau?

Por outro lado, todos sabemos que a situação na Guiné-Bissau a nível de segurança é péssima, aliás na Guiné entra quem quiser, faz o que quer e sai quando bem entender. Até parece que os serviços de fronteira não existem. Mas pelo amor de Deus, não me venham com aquele velho discurso de falta de meios. Neste caso o criminoso já estava nas mãos das autoridades e não se tratava de um criminoso qualquer, tratava-se do responsável pelo atentado ao golpe de Estrado. Foi preciso a intervenção das autoridades gambianas para mais uma vez se minimizar os efeitos que traria a fuga de Bubu na Tchuto. Demos graças pela rápida intervenção das autoridades Gambianas.

O povo Guineense tem o dever de pedir explicações a quem de direito, porque apesar de alguns acharem que não se pode falar de golpe de Estado porque não existe nenhum Estado na Guiné-Bissau, ainda há quem ame aquela Terra o suficiente para acreditar nela. 

 

Estamos Juntos! 


02-07-2008

DE ONDE VIM?

 

Uma pergunta que faço constantemente a mim mesmo. Graças a Deus tenho tido respostas até hoje e espero tê-la sempre. Espero nunca esquecer de onde vim, porque vim e o que vim fazer/buscar.

Mas será que a juventude africana que reside em Portugal sabe de onde veio, porque veio ou do que anda à procura? Creio que, infelizmente, uma grande parte dos jovens africanos residentes em Portugal não saberia responder a estas perguntas. A mesma juventude não tem a mínima noção do que quer do presente ou para o seu futuro quanto mais para o seu continente ou o dos seus pais.

Mas nem esta falta de noção sobre o que se quer da vida explica o que os jovens africanos fazem uns aos outros.

Morte de jovens africanos e filhos dos mesmos passou a fazer parte do quotidiano de quem vive em Portugal, principalmente em Lisboa. A pergunta é: mortos por quem e por quê?

Pelos próprios irmãos africanos. E, as razões, essas são normalmente as mais lerdas possíveis. Telemóveis, bonés, leitores de Mp3, ténis, etc. …   

Para quê tamanha estupidez? Para quê carregar no coração um ódio que não se sabe por quem? Será que o que sofremos dos outros não foi o suficiente e chegamos ao ponto de maltratarmos a nós mesmos? A resposta a esse sofrimento tem que ser na base da luta pela igualdade e não em exibirmos a nossa ignorância matando nossos irmãos. Será que somos tão ignorantes que ainda não reparamos que a única coisa que a polícia diz em casos de mortes de jovens negros é: ajuste de conta e, fica por isso mesmo.

É muito triste olharmos para os nossos pais que atravessaram oceanos à procura de uma vida melhor para nós, dando no duro dia e noite chegando a passar mais horas a trabalhar do que connosco, o que não é de certeza do agrado deles, fazem-no por necessidade de nos darem uma vida melhor do que aquela que eles tiveram exigindo de nós uma única coisa: Estudar! Para o nosso próprio bem. Mas nem isso às vezes fazemos, não por falta de capacidade, mas sim de vontade da nossa parte. Porque a capacidade já todos sabemos que temos as mesmas que qualquer outro ser humano. Não existe, no entanto, muita vontade de a pôr em prática, o que é absolutamente incompreensível! Assim como é incompreensível como cabe na cabeça de uma pessoa que a pele negra significa confusão. É triste mas é o que temos na sociedade africana em Portugal! Parece que por se ser africano ou descendente de africanos temos que ser obrigatoriamente revoltados; temos que arrumar confusão em todo o lado; temos que esfaquear ou até, matar alguém para provarmos que somos “pretos” de verdade (é patético, eu sei, mas acontece).

Ninguém é mais ou menos africano por fazer barbaridades. É verdade que não somos só nós, jovens africanos, que cometemos esses actos indignos nas ruas de Portugal, mas a verdade é que nós é que temos o rótulo. Eu lembro-me de ter sido seguido uma série de vezes ao entrar nos supermercados pelos seguranças. Lembro-me do caso de um amigo que na sua primeira aula de condução o instrutor lhe perguntou, como é normal, se já tinha dirigido um carro, ao que ele respondeu não. O instrutor olhou para ele e sorriu e disse que não acreditava. A conversa ficou por ali, mas todos sabemos o porquê do riso do instrutor e porque é que ele não acreditou, ou seja: por ser um africano, já deveria ter assaltado um carro.

Bem… essas coisas, graças a Deus, não me afectam o percurso na vida, muito pelo contrário, alimentam o meu desejo de ser igual, sendo diferente de qualquer um.

Caros irmãos, camada jovem africana, vamos tratar de tirar o rótulo de maus da fita que na verdade não nos pertence. Paremos de fazer mal a nós mesmos com as estúpidas guerras de bairros. Já chega de boicotar o futuro que somos nós, jovens!

Estamos Juntos!


02-07-2008

ATÉ ONDE VÃO OS DISPARATES DE UM SER HUMANO?


 

É triste… muito triste constatar que contra a falta de argumentos o Homem utiliza o nome de Deus para justificar os seus actos. Por mais descabidos que sejam.

Como é possível que em pleno século XXI o suposto Presidente da República de uma país, supostamente democrático, proferir que só Deus pode lhe retirar o poder que lhe deu!? Mas afinal de contas em que espécie de regime vivemos? Passado séculos o Robert Mugabe resolve ir buscar a justificação que os Reis davam ao povo para garantirem a legitimidade dos seus poderes. Afinal quem é o detentor do poder? Não é o povo quem atribui o poder aos seus representantes?

Num país livre e democrático é assim! Só assim se justifica a palavra DEMOCRACIA (Poder do povo). Mas infelizmente, existem muitos dirigentes africanos que não têm a mínima noção disso. (Um deles é certamente aquele que se encontrava ao lado de Mugabe à entrada para a cimeira da UA)

As declarações de Robert Mugabe são, além de mais, um insulto a todos os que lutaram pelas independências de países africanos (Vivos e mortos)!

Quando vejo grandes Homens como é o caso de Nelson Mandela, que lutaram contra o colonialismo que tinha as mesmas bases das declarações de Mugabe, isto é, a superioridade de uns Homens em relação a outros, superioridade que justificavam ser atribuída por Deus, considero claramente uma ofensa a todos os africanos e a todos os que lutam pela igualdade no mundo! Quando se tem lutado tanto pela igualdade no mundo, aparece uma pessoa que, supostamente, também lutou pelo mesmo, a proferir declarações em que se auto-intitula superior aos outros. É triste, e vergonhoso para aqueles que com ele travaram os mesmos combates!  

Sem a mínima necessidade de intelectualidade, ao analisarmos as declarações de Mugabe fica-se a saber que ele não tem a mínima intenção de servir o povo do Zimbabué, já que quem lhe deu o poder foi Deus e não o povo.

África tem de compreender que há muito que o caso Zimbabué deixou de ser uma questão referente só ao território do Zimbabué. Este já é um problema continental, senão mundial, porque são vidas humanas que estão em perigo. Este caso tem de servir para a União Africana provar ao mundo que tem competência para resolver os problemas do continente africano.

África já sofreu demasiado, não queremos mais sofrimentos no nosso continente. Por isso, vamos pressionar e incentivar a UA a resolver este caso duma forma exemplar para que sirva de exemplo a todos os africanos. Porque se tal não acontecer, não tardará muito, o mesmo vai se repetir noutro país africano.

 

 

Estamos juntos!


25-05-2008

ÁFRICA: INFELIZMENTE, ATÉ HOJE, A VIVER NA ERA DO ILUSIONISMO!


Por: Fernando Casimiro (Didinho)

didinho@sapo.pt

25.05.2008

Escrevo hoje, 25 de Maio, não para festejar o dia de África, porque continuo a não ver  (ter) motivos para festejar êxitos dignos do termo, numa abrangência continental que permita apontar exemplos de referência da relação entre investimento, crescimento económico e bem estar das populações africanas.

Continuamos a viver do ilusionismo que a Europa, os Estados Unidos e a China nos brindam, tal como quando se dá um rebuçado a um garoto, para que nos deixe à vontade, pelo incómodo da sua presença ou comportamento, quando queremos fazer algo sem que nos incomode.

Nunca vi tanto interesse na definição e marcação de "terrenos" em África, como tenho visto ultimamente, aliás, de forma descarada; quer os antigos colonizadores, como os novos candidatos a colonizadores, numa questão estratégica de conciliação de acções, têm feito pactos de conveniência que comprometem a sustentação dos princípios e valores que defendem nos grandes palcos onde a retórica predomina.

Hoje, iludem-nos com anúncios de grandes e variados investimentos em África.

Hoje, iludem-nos com falsos anúncios de crescimento económico em África.

Hoje, iludem-nos com sinais de riqueza que irresponsáveis governantes africanos (a maioria), exibem e que não passam de dívidas que os nossos países vão acumulando e terão que pagar de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde.

Onde está o verdadeiro interesse e sentido do investimento que deveria ajudar no desenvolvimento de África e a bem dizer, da melhoria de condições de vida das suas populações?

Quantos milhões de milhões de dinheiro anunciados como investimento em África não passam de formas escamoteadas de dependência e endividamento dos países africanos?

Onde estão os benefícios de tanto investimento?

Eu não vi nada, para além de muita fome, muita miséria, cada vez mais dependência de África ao exterior e cada vez mais apetência do exterior por África.

 Importamos até o essencial da nossa base alimentar, quando temos tudo para sermos auto-suficientes, mas continuamos a importar...

Aceitamos receber o que o exterior diz que são ajudas, mas que os nossos países pagarão de uma forma ou de outra, ou não fosse esta, a estratégia ilusionista da relação de dependência que o exterior conseguiu fazer passar nas negociatas com governantes irresponsáveis de países africanos.

A relação de dependência é perfeita e, claro está, beneficia o investidor!

Não nos venham com moralismos e lições de boa governação, quando sois vós, os fomentadores da ditadura, da corrupção e da má governação em África.

Não estamos mais a cobrar o atraso de África com justificativos da colonização, mas sim, da estratégia ilusionista e hipócrita que caracteriza as  relações da Europa, dos Estados Unidos e da China para com África!

Os africanos devem convencer-se de que têm que trabalhar para idealizar e produzir os bens de que necessitam, de forma a evitar a dependência externa.

Os africanos devem convencer-se de que também em África devem ser construídos bons hospitais, centros de saúde, farmácias, escolas de todos os níveis, habitações sociais condignas, etc., e isso cabe aos africanos exigirem aos seus governos!

Os africanos devem trabalhar para merecerem melhores condições de vida. Há que exigir a criação de postos de trabalho, como forma de dar a todos a possibilidade de serem produtivos e trabalhando, cada um ter direito a receber o seu salário, ou seja, o seu sustento familiar.

Não precisamos de copiar modelos, somos capazes de fazer melhor pelo nosso continente, mas para que isso aconteça, temos que nos libertar da dependência externa que continua a limitar o nosso desenvolvimento (por conveniência evidente), principalmente na gestão governativa dos nossos países.

As ditaduras em África são hoje diferenciadas conforme os interesses e por isso, umas são para proteger e perpetuar, enquanto outras são para abater a todo o custo, a bem dos investimentos estrangeiros em África, mas não para benefício de África, nem  dos africanos!

Tenhamos a coragem de reflectir sobre a realidade do nosso continente, deixando de parte o ilusionismo da demagogia barata dos poderosos e tomando em consideração a constatação prática da pobreza, da miséria e suas consequências para as nossas populações!

Há outra verdade nas constatações, para além do que vemos e ouvimos todos os dias em relação aos países africanos?

Saibamo-nos posicionar em defesa de África e das suas populações, ajudando assim a combater a fome, a pobreza e a miséria no mundo!

 

Projecto GUINÉ-BISSAU CONTRIBUTO


23-04-2008

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

 

Acabo de ter conhecimento que Portugal pode vir a fazer acordos com alguns países africanos adoptando assim políticas de imigração, tal como Angola já tem com o Canadá, acordo esse que consiste em abrir as portas do país a cidadãos desses mesmos estados. A pergunta que persistia na minha cabeça era a seguinte: “Estariam esses países africanos a ser ajudados ou estariam mais uma vez a ser usados”?

Mesmo pensando nos benefícios que traria esse acordo para os países que o viessem a fazer, a pergunta lá persistia. Porque faria Portugal tal coisa? O que ganharia com o tal acordo, quando é frequente ver na TV os nacionalistas em protesto de que já estão demasiados imigrantes em Portugal, ou quando todos os dias vemos os números do desemprego a aumentar, números que na minha opinião aumentam não só por culpa do Governo, mas também por falta de vontade de trabalhar dos próprios portugueses.

É com algum conhecimento que digo isso, pois muitos dos desempregados ao chegarem  a uma entrevista de emprego quando é lhes apresentado o salário, a resposta é a seguinte: “Eu ganho mais ou o mesmo com o subsídio de desemprego, porque havia de trabalhar”?

Acabo de ter conhecimento que Portugal pode vir a fazer acordos com alguns países africanos adoptando assim políticas de imigração, tal como Angola já tem com o Canadá, acordo esse que consiste em abrir as portas do país a cidadãos desses mesmos estados. A pergunta que persistia na minha cabeça era a seguinte: “Estariam esses países africanos a ser ajudados ou estariam mais uma vez a ser usados”?

Mesmo pensando nos benefícios que traria esse acordo para os países que o viessem a fazer, a pergunta lá persistia. Porque faria Portugal tal coisa? O que ganharia com o tal acordo, quando é frequente ver na TV os nacionalistas em protesto de que já estão demasiados imigrantes em Portugal, ou quando todos os dias vemos os números do desemprego a aumentar, números que na minha opinião aumentam não só por culpa do Governo, mas também por falta de vontade de trabalhar dos próprios portugueses?

É com algum conhecimento que digo isso, pois muitos dos desempregados ao chegarem  a uma entrevista de emprego quando é lhes apresentado o salário, a resposta é a seguinte: “Eu ganho mais ou o mesmo com o subsídio de desemprego, porque havia de trabalhar”?

Um problema que na minha humilde opinião o governo resolvia com a simples contribuição da percentagem que falta no salário para equilibrar as contas, (sempre gastaria menos). Com todos esses factos, porque assinaria Portugal tal acordo?

Em verdade lhes digo que não foi preciso gastar muita massa cinzenta para descobrir o motivo que leva Portugal a efectuar tal acordo! Não é todos os dias, mas sim todas as horas, ouvimos nas Televisões e nas Rádios dizer que a população portuguesa está envelhecida, já são mais os que beneficiam da reforma do que os que descontam para a segurança social, a mesma segurança social que os economistas consideram que, se nada for feito, corre o risco de “falir” em aproximadamente 15 anos.

Não posso afirmar que encontrei a resposta completa às minhas perguntas com o pensamento anterior, o que seria mentira! Mas duma coisa tive a certeza, não se trata de nenhuma ajuda! Portugal precisa desse acordo tão ou mais do que os países com quem o venha a fazer. Se os mesmos sobreviveram anos a fio sem esse acordo, não seria agora que eles iriam carecer mais dela. Tal como Portugal uma boa parte dos países da Europa se encontram na mesma situação. Uma população idosa, sem mão-de-obra juvenil, geração sem a qual os descontos para a segurança social têm os dias contados! Por esse motivo estão a abrir as portas, portas essas que vimos fechados durante todos esses anos com tanta burocracia. Precisam da mão-de-obra juvenil que nenhum continente possui como o Africano.

Numa troca de pontos de vista com uma professora foi me dito que sou muito novo para ver as coisas dessa forma, ou seja, segundo ela, só vejo as coisas por esse ângulo porque sou africano e portanto guardo algum rancor em relação ao continente europeu. O que considero absurdo, pois desde muito cedo aprendi que não há nada que nos tira a visão mais do que o rancor. Ainda mais absurdo se torna quando Portugal é o país onde resido e considero orgulhosamente, o meu segundo País. O que não me impede de ver as coisas como eu as considero! 

Deixo ao critério de cada um analisar se esse acordo servirá de ajuda para os países africanos que o venham a fazer ou se trata de mais uma forma de escravatura.

 

 

Estamos juntos!


28-02-2008

 TODOS NUM MUNDO!


Infelizmente parece que ainda existem pessoas ainda sem consciência de que a globalização de que todo o mundo fala, é consequência da fusão entre povos, da troca de culturas e experiências entre os mesmos, da convivência entre irmão de origens diferente. Hoje numa conversa informal com um colega de escola voltei a ouvir daquelas “bocas” que já não ouvia a algum tempo “sai daqui…vai para a tua terra”.

Não vou dizer que fiquei chateado, porque realmente não fiquei, mas fiz questão de lhe responde com uma bela lição de boa educação e de história pelo meio.

 

A migração é um fenómeno que faz e fará sempre parte da história de Portugal e dos portugueses! Os Lusitanos começaram a emigrar muito cedo, desde a época dos descobrimentos. Depois no início do século XIX, os portugueses partiram para América do Norte levando na bagagem a esperança numa vida melhor e também fugindo a limitação de liberdade a que estavam sujeitos, Tal como a maioria dos estrangeiros em Portugal, para assim prepararem o futuro como homens dignos e livre. Nessa altura o destino dos portugueses passava pelo Brasil e alguns países de África. Depois dos anos 50 passaram a optar por outros destinos dentro da Europa, como o caso da França, Alemanha, Espanha e Luxemburgo.

 

Acredito que tal como muitos aqui, eles não foram bem recebidos nesses países de acolhimento, e não foi com certeza fácil a adaptação por vários motivos. Falamos assim de várias dificuldades pelas quais nós também passamos, tais como o desconhecimento da língua, diferenças culturais, à saudade (bela palavra portuguesa) dos familiares deixados para trás. Falando por experiência própria, aquando se é emigrante a aceitação nunca é fácil onde quer que seja, aliás as desilusões são sempre mais que as alegrias.

 

Sem nenhuma necessidade de conhecimentos históricos, sabemos que ao falar dos portugueses estamos também a falar dos Imigrantes que vivem em Portugal, caso não só dos Africanos, mas também de habitantes do leste da Europa, dos brasileiros e de muitos outros. Pessoas que com a evolução histórica e da sociedade portuguesa resolveram vir para Portugal tentar a sorte. Por cá constituem famílias e seus filhos com as condições reunidas passam a ter a nacionalidade portuguesa, sendo assim tão português como qualquer outro, mas é claro que isso é só na teoria, porque na realidade as coisas não funcionam assim. Esses filhos de imigrantes continuam a sofrer descriminações (estúpidas) e a ouvir “bocas” dessas que ouvi.  

 

É preciso estarmos sempre unidos e conscientes independentemente da nossa com de pele ou da nossa nacionalidade, que só convivendo e suportando uns aos outros é que podemos viver e sentir o mundo num todo e não estamos fechados no nosso mundinho que julgamos perfeito.

 

Estamos Juntos! 


24-02.2008

AFINAL DO QUE ME QUEIXO?

 

 


Hoje ao assistir a reportagem SIC sobre o Paulo Azevedo, português nascido em 1981 sem braços nem pernas e vendo depois os vídeos do Australiano Nick Vujicic que tal como o português também nasceu sem membros. Não parei de me perguntar, afinal quais são os meus problemas? Do quê que me queixo, afinal? 

Hoje ao assistir a reportagem SIC sobre o Paulo Azevedo, português nascido em 1981 sem braços nem pernas e vendo depois os vídeos do Australiano Nick Vujicic que tal como o português também nasceu sem membros. Não parei de me perguntar, afinal quais são os meus problemas? Do quê que me queixo, afinal?

Isso fez-me recuar no tempo para retomar os mementos em que me queixei da vida e dos meus problemas que julgava serem muito grandes. Mas que afinal em comparação com estes dois VERDADEIROS EXEMPLOS para todos os seres humanos.

Perguntei-me se muitas vezes, mesmo sem consciência nós homens considerados físicos e psicologicamente normais não temos tendência para optar sempre pelo mais fácil, para nos deixar levar pela facilidade que na realidade constitui a nossa vida. A pergunta que fiz a mim mesmo foi a seguinte: Será que eu tenho o direito de algum dia acordar e não sorrir para as pessoas ou não lhe falar com a desculpa que acordei maldisposto?

A vida é feita de diferenças e de barreiras! Todos nós somos diferentes e cada um tem os seus problemas e as suas maneiras de às superar e seguir em frente, sem fugir delas. Portanto nunca podemos julgar que os nossos problemas são as maiores deste mundo. Não temos o direito de magoar os outros e cometer barbaridades com a desculpa dos nossos problemas. 

                                         Veja este verdedairo força da Natureza 

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