Evangelização Espírita 1

Vera Stefanello

FESTAS E COMEMORAÇÕES

Apostila da FEP (Federação Espírita Paranaense) - 1992

Objetivo:

Citar carcterísticas de algumas festas populares.

Analisar, à luz dos objetivos espírtas, acerca das comemorações de algumas delas, no lar e na Escola Espírita de Evangelização.

Conteúdo:

* Páscoa

* Natal

* Festas Juninas

* Dia das Mães

Coordenação:

Departamento de Infância e Juventude da FEP

PÁSCOA

A páscoa foi uma festa pastorial antiquissima, celebrada pelos israelitas desde antes de Moisés, combinada mais tarde com a festa dos ázimos, que os cananeus celebravam no princípio da colheita, quando Israel, em Canaã, passou para a agricultura.

Assim, essas festas parecem ser, no início,   celebrações   ligadas  ao   ritmo da natureza: na   primavera, os nômades oferecem à divindade os primogênitos do seu rebanho (páscoa) e os   camponeses sedentários, as primícias da colheita da cevada (festa dos ázimos).

No decurso dos séculos, essas  festas  foram  "historicizadas",  quer  dizer,  é  ligado  a  cada  uma delas um acontecimento histórico.

Merece ser considerada seriamente a opinião conforme  a   qual a   religião mosaica, neste, como em muitos outros casos, lançou mão de tradições universalmente semíticas, adaptando-as à pregação do decisivo ato do Êxodo do Egito.

A palavra vem do aramaico pashã, para o hebraico pesah (pessach), cujo sentido original é discutido.

Pesah significaria, originariamente, dança cultural, ou conforme outros, a passagem do sol pela constelação do carneiro ou da lua pelo seu ponto mais alto. O sentido de "passagem" é relacionado em Êxodo, 12, 13, 27.

Originariamente o "Pesah" e a "Festa dos  Ázimos" eram duas festas distintas. Como ambas as festas caíam na primeira lua cheia da primavera, foram mais tarde unidas e  celebradas  em  memória  do   êxodo,  da saída do Egito.

Cerca de 15 séculos antes de Cristo, depois de  ter vivido cerca  de  4  séculos  no  Egito,  duramente tratado pelos faraós da terra, conseguiu o povo de Israel  abandonar  para  sempre  a  terra  da  escravidão.  Naquela noite, os hebreus se serviram da carne assada de um cordeiro, pães ázimos e alfaces amargas.     Comeram às pressas e, por estarem de partida, de cinta posta, calçados nos pés e bordão na mão.

Em memória daquela noite, todo ano, pelo 14 de Nisan (mês de abril), os chefes  de  família   comparecem ao Templo com um cordeiro para ser imolado. No séc. I, essa festa durava uma semana  completa,  sem contar o tempo e caminhada que vai de poucas horas à oito dias, para quem mora  na  Alta  Galiléia. Viaja-se a pé, em caravana, que reúne os peregrinos de uma ou várias aldeias: assim, correm menos risco  de  ter  más surpresas da  parte  dos  salteadores.  Nem  todos  os   judeus  faziam,  efetivamente,  essas   peregrinações, alguns pela distância, o problema do tempo e de dinheiro,. Mas pela Páscoa até 180 mil peregrinos se concentravam   em Jerusalém, uma cidade que possuía talvez 25 mil habitantes ou mais, provavelmente 45 a 50 mil. Não podendo todos esses peregrinos se alojar na Cidade Santa, os limites da cidade são ampliados  para  esta circunstância, abrangendo as aldeias da periferia.

Depois de imolado o cordeiro no Templo, onde o sacerdote recupera o sangue dos animais para o levar até o altar em oferta a Deus, cada um volta para casa e lá esfola o animal e o assa. Durante esse tempo, a esposa já retirou de casa tudo o que poderia se assemelhar a pão fermentado e preparou pães não fermentados e  ervas amargas. No início, a refeição era tomada de pé, mais tarde adotou-se o estilo  romano de  recostar-se      em divãs.

Durante a refeição são cantados pela família Salmos, entrcortados    de   bençãos dadas pelo pai de família ou por aquele que faz as vezes dele.  Os filhos,  simulando  surpresa,  durante este  jantar  extraordinário,  que se realiza ao cair da noite, fazem perguntas: " Por que tudo isso? Em que esta noite é diferente das outras noites? " - Então o pai explica o sentido dos diferentes ritos e descreve, sobretudo, as intervenções de Deus em favor de seu povo".

Como, de acordo com os Evangelhos, a paixão e morte de Cristo coincidiram  com a festa  em que os judeus comemoravam a libertação do cativeiro egípcio, vários costumes e símbolos  daquela  festa judaica  passaram para o Cristianismo. A Epístola aos Hebreus ensina que os ritos hebreus,  como a  imolação  do cordeiro, são imagens da realidade que se verificou e que era  o  próprio  Cristo.   A  associação  com o judaísmo é óbvia e intencional por parte dos cristãos: o próprio nome  de   Páscoa   vem do equivalente hebreu Pesah; nas línguas saxônicas o nome indica uma associação com o Bostur - monath,   mês  de  abril,   quando  se  comemorava a morte do inverno e a recuperação da vida, atmosfera simbolicamente ligada à ressurreição.

Os teutônicos são provavelmente responsáveis por certos costumes pascais  como  o  famoso ovo de Páscoa. Antes eram ovos mesmo, símbolo da vida e da fertilidade, provavelmente proibidos como alimentos durante a quaresma e reaparecendo no cardápio do domingo da ressurreição. Mas o costume  de  oferecer  ovos como presente nessa época, remonta aos antigos egípcios. Entre nós,  esse costume   de   presentear  com  ovos foi trazido pelos missionários que visitaram  a  China.   Só que antigamente,  eram  ovos mesmo,  de  pata  ou  de galinha, coloridos e enfeitados, depois transformados em ovos de chocolate.

Existem alguns símbolos de que se utiliza a liturgia católica  como o coelho  de   Páscoa, pela sua fecundidade, simboliza a capacidade da Igreja em reproduzir novos   discípulos.  Alguns  historiadores nos dizem que isso é reflexo dos antigos ritos de fertilidade e isso se justifica, pois o coelho é o animal que mais se reproduz.

Para os cristãos, a Páscoa significa a Ressurreição do Cristo.

 

NATAL

É na noite de 24 ára 25  de   dezembro que se    comemora o  nascimento  de  Jesus  Cristo.  Esse  dia   ficou conhecido como o Natal, festa cristã,  de  tal  maneira  presa  ao  sentimento  popular,  que  mesmo em países orientais como o Japão e China, o dia 25 de dezembro nunca passa sem comemorações especiais.

Em seus primórdios, no entanto, a festa de Natal nem sempre foi celebrada neste dia.

 Na falta de qualquer documento que registrasse o dia do nascimento de Jesus, os cristãos procuraram, a princípio, hipóteses até mesmo contraditórias. Por mais de 300 anos, o seu nascimento foi celebrado em diferentes épocas do ano - enquanto os cristãos do Oriente comemoravam o Natal no dia 6 de janeiro, os do Ocidente o faziam em novembro e dezembro. Somente à partir do século IV é que a Igreja de Roma julgou oportuno comemorar o nascimento de Cristo na noite de 24 para 25 de dezembro, data em que os pagãos celebravam o renascimento do sol e que, lentamente, veio impor-se para toda cristandade.

Como outras festas religiosas, o Natal sofreu, através dos tempos, adaptações e transformações. As tradições e os símbolos cultuados até hoje tiveram origens tão diversas quanto pitorescas: a árvore de Natal, o presépio, oPpapai Noel, os cartões, as velas, os presentes e os ofícios religiosos repetem-se todos os anos.

De acordo com os historiadores, foi o Papa Júlio I quem, no século IV, fixou o 25 de dezembro para comemorar o Natal Era também no dia 25 de dezembro que os pagãos comemoravam o solstício de inverno - no Hemisfério Norte -, altura em que o sol como que renasce, passando os dias a ficar mais longos que as noites. Pelo menos 3 festividades de celebração ao sol podem ser apontadas como as que deram origem ao Natal cristão: as Saturnálias, comemoradas por Roma pagã em homenagem a Saturno e caracterizada pela troca de presentes; o aniversário natalício do deus Mitra, divindade persa da luz - representado pelo sol - , e a Yule, no norte da Europa, festa pela qual os pagãos germânicos comemoravam o prolongamento do dia em virtude da volta do sol. Precisamente para cristianizar as festas pagãs realizadas nesta data, o clero romano escolheu 25 de dezembro para comemorar o nascimento de Jesus.

Quanto a árvore de Natal, há muita controvérsia a respeito. Toda ela, porém, tendo a Alemanha como local de origem. Alguns atribuem sua idealização a São Bonifácio, missionário que no século VIII substituiu o culto pagão, realizado nas florestas alemãs ao deus Odim, pelo símbolo de Cristo. Outros dizem que foi Martinho Lutero o seu idealizador, no século XVI. Conta a história que na noite de Natal Lutero caminhava por uma floresta de pinheiros quando percebeu as estrelas brilhando ainda mais belas através dos galhos cobertos de neve. Fascinado, cortou um galho  levou-o para casa e usou velas acesas para que seus filhos compartilhassem do espetáculo que continuava lá fora. A árvore de Natal tornou-se um símbolo de esperança e paz e o costume foi levado mais tarde para a América, também por alemães na época colonial.

Já o presépio deve sua origem a São Francisco de Assis, que na noite de Natal, em 1224, na Itália, teve a idéia de representar o nascimento do Cristo em a encenação num estábulo verdadeiro, da manjedoura, do boi e do jumento. No século XIII, a representação idealizada pelo fundador das ordens franciscanas já era conhecida em toda a Europa.

A figura de Papai Noel tem origem no culto a São Nicolau, padroeiro da Holanda. Nesse, como em outros países europeus, a Festa de São Nicolau inicia a época de presentes. São Nicolau foi bispo de Mirna, na àsia Menor, e, segundo consta, fazia inúmeras doações aos pobres. Conhecido a princípio por seu nome holandês Sinter Klaas, com o passar dos anos acabou sendo chamado de Santa Claus, nome equivalente ao de Papai Noel em língua portuguesa. Papai Noel veio ao Brasil trazido por imigrantes portugueses, italianos e franceses por volta do século XVIII.

Os cartões de Natal surgiram na Inglaterra por volta de 1843, através de Henry Cole, diretor do Museu Britãnico de Londres. Popularizados, começaram a ser impressos em 1851.

As velas acendidas no Natal para enfeitar as árvores e outros arranjos têm origem comum: o culto pagão ao fogo. Só o tempo fez desaparecer as orgias saturninas e ajudou a apagar as recordações sobre a origem do fogo, que era o velho culto ao sol.

Dar presentes é uma tradição que também tem origem no paganismo. Já fazia parte das saturnálias e das festividades n´rodicas. O costume entre os cristãos tem origem através do Papa Bonifácio, no século VII. Há historiadores, entretanto, que acreditam que o costume surgiu do hábito de antigos marinheiros e viajantes fazerem ofertas aos monges para que estes celebrassem missas a fim de que a viagem corresse bem.

 

FESTAS JUNINAS

O dia dedicado a São João, 24 de junho, faz parte de um ciclo de festividades que se inicia no dia 13 de junho, dia de Santo Antônio e termina a 29 do mesmo mês, com a Festa de São Pedro.

Esse período, cujas festas têm no fogo o seu elemento mais representativo, está historicamente relacionado com as celebrações do solstício de verão na Europa e com os cultos devidos aos deuses da fecundação. Com ritos de fogo, comemorava-se a aproximação das colheitas, ao mesmo tempo em que se pedia aos deuses a proteção contra os demônios da peste, esterelidade e estiagem.

Todos os antigos povos da Terra celebrava, em meados de junho, os fogos em honra ao sol. Eram sempre dias festivos, quando os seres humanos cantavam hinos de louvor e faziam os seus pedidos. As pessoas jovens e crianças dançavam em volta das fogueiras, enquanto os mais velhos cantavam em coro canções de agradecimento. E, com o passar dos tempos, a igreja não podendo agir de outra forma, resolveu associar esses festejos aos seus feriados.

Ainda não existiam os fogos de artifício, mas desde então as fogueiras já representavam uma obrigação e tradição nas comemorações das festas juninas. Costumeiramente altas, elas serviam como um termômetro para que os advinhos pudessem dizer do tempo que faria durante o outono, a época das colheitas. Conforme a direção que o vento soprasse a fumaçã das enormes fogueiras, o tempo futuro seria propício ou não para a boa colheita.

No Brasil, as festas juninas vieram juntamente com os portugueses e espanhóis católicos e sofreram muitas influências também dos africanos, em especial dos moradores das Ilhas dos Açores, que incluiram muito de folclore nas comemorações religiosas de então. Com as tradições européias, as festas juninas passaram a ganhar algumas características próprias depois que foram plantadas no território nacional. Coincidentemente, nesta época do ano, as pinhas maduras dos pinheiros brasileiros deixam cair no chão o pinhão pronto para ser consumido e isso foi aliado a época da colheita da batata doce, milho e outros artigos consumidos ao redor das fogueiras.

O traje caipira e o casamento, tão comuns em qualquer festa junina, tem sua explicação. O primeiro, na tradição brasileira e o segundo acompanhou a chegada dos portugueses e africanos no Brasil. Copiou-se do cabloco o modo de vestir-se, andar e falar. A tradição do casamento vem de outros continentes, pois o mês de junho representa para aqueles povos a abundância em época de início de colheita. Os pais podiam promover grandes festas no casamento de seus filhos, e já uniam os dois moços comemorando o casamento e homenageando Santo Antônio, São João e São Pedro, com fogueiras, danças e outras características das festas juninas.

DIA DAS MÂES

Quem primeiro idealizou a comemoração deste dia foi a americana Anna Jarvis, professora primária de Webster, na Virgínia Ocidental, ao transferir para todas as mães do mundo a homenagem que seus amigos prestaram, no segundo domingo de maio de 1907, à memória de sua mãe, Anna Reeves Jarvis. Uma placa comemorativa existe na Igreja Episcopal de Grafton, Oeste da Virgínia, assinala a primeira celebração pública do Dia das Mães, em 10 de maio de 1908.

Posteriormente, em maio de 1914, o Presidente Wodrow Wilson (1856-1914) assinou um decreto que oficializou o Dia das Mães nos Estados Unidos, a ser festejado no segundo domingo de maio.

No Brasil, coube à Associação Cristã de Moços, de Porto Alegre, a iniciativa de introduzir a menção desta data, promovendo, em 1919, uma solenidade, da qual foi presidente o escritor Àlvaro Moreira, e oradora oficial a poetisa Júlia Lopes de Almeida (1862-1934). À partir daí, o Dia das Mães passou a ser festejado em outros Estados brasileiros, até que, em junho de 1931, o presidente do décimo-primeiro Congresso Internacional Feminista, Alice Toledo Tibiriçá, dirigiu-se ao Presidente Getúlio Vargas (1883-1954) uma mensagem solicitando a oficialização da data.

Pelo Decreto n.21.336, de 5 de maio de 1932, o Presidente da República instituiu em todo o país o festejo do Dia das Mães, a ser observado no segundo domingo de maio. Mais tarde, em 1947, essa data foi incluída no calendário oficial da Igreja Católica no Brasil, pelo Cardeal-Arcebispo do rio de Janeiro, D.Jaime de Barros Câmara.

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