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Encontro de Violas Açorianas

Posted by violadaterra on April 25, 2018 at 7:55 PM

9 Ilhas 2 Corações

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“Encontros de Violas Açorianas”

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A Viola era, nos Açores, o grande instrumento da união social, dos festejos, dos balhos, cantorias e Serões animados. Em cada Ilha a Viola assumiu um papel diferente, de acordo com o quotidiano de cada comunidade, mas com grande presença nestas manifestações culturais.

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Há muito trabalho que tem sido desenvolvido para dar a conhecer a riqueza e as diferentes realidades da Viola Açoriana. Uma das iniciativas que tem ajudado neste esclarecimento sobre a realidade das nossas Violas é o “Encontro de Violas Açorianas”. Este evento teve a sua primeira edição em 2011, seguindo a ideia do “Encontro de Violas de Arame Portuguesas”, organizado em 2009, em Castro Verde.

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O “Encontro de Violas Açorianas” surgiu para valorizar, dar a conhecer e desmistificar aquilo que as Violas representam para os Açorianos, bem como informar da realidade actual em cada Ilha. Era e é importante conhecermos o trabalho que é desenvolvido nas diversas Ilhas dos Açores, trocar ideias, conhecimentos, práticas de ensino, de execução e de construção. Também faltava nos Açores algo que fosse uma semente para a criação de uma rede de contactos entre tocadores e construtores, potenciando uma comunicação rápida e eficiente entre todos.

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A primeira edição do Encontro de Violas Açorianas foi organizada pela Associação de Juventude Viola da Terra na Ilha de São Miguel, em Setembro de 2011, com uma palestra que decorreu na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada e com um Concerto no Auditório Municipal da Povoação.

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Este primeiro Encontro contou com tocadores de Viola da Terra de 5 Ilhas dos Açores: Flores (José Serpa), Graciosa (António Reis), Pico (Orlando Martins), São Miguel (Rafael Carvalho) e Terceira (Lázaro Silva).

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I Encontro de Violas Açorianas, São Miguel, 2011.

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O Encontro percorreu outras Ilhas nos anos seguintes, visitando as Flores, Pico, Terceira e São Jorge, seguindo uma estrutura de um “Concerto Comentado”, em que cada músico apresenta a sua Viola, fala da sua técnica de execução, da realidade musical da sua ilha e interpreta temas que identifica como melhor representativos dessa realidade ou do conhecimento geral. Uma outra faceta destes Concertos é que os músicos escolhem alguns temas para tocarem em conjunto, demonstrando que as diferentes técnicas e afinações das Violas complementam-se e criam uma riqueza enorme dentro da diversidade que nos caracteriza. Todo este processo decorre de modo intensivo, com poucas horas para ensaios conjuntos.

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Este Encontro, nos locais onde vai passando, pretende ir alertando para a necessidade de uma maior aproximação (ou reaproximação) à nossa Viola e tenta ir motivando as pessoas para a sua aprendizagem ou, pelo menos, que se juntem para virem ouvir o som das Violas.

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Em 2014 o “Encontro de Violas Açorianas” foi a São Jorge e a Associação de Juventude Viola da Terra lançou um desafio ao músico Renato Bettencourt para juntar tocadores de Viola daquela Ilha para um momento musical a abrir o Serão. O desafio superou as expectativas, com 14 Tocadores da Ilha de São Jorge em Palco, naquele que foi o “I Encontro de Tocadores da Ilha de São Jorge”.

 

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I Encontro de Tocadores de Viola da Terra de São Jorge, 2014

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Este Encontro deu frutos levando depois à criação do “Grupo de Violas da Terra de São Jorge” que tem participado em alguns eventos naquela Ilha e na Ilha do Pico, e tem sido alvo de algumas recolhas musicais.

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Também observamos, como resultado directo da existência do “Encontro de Violas Açorianas”, uma maior valorização dos músicos que o integram, com mais contactos para participarem em eventos nas suas Ilhas. No entanto, com um interregno na realização do mesmo, há cerca de 3 anos, verifica-se que se vai perdendo alguma dinâmica e motivação nas nossas Ilhas, o que só vem justificar a existência deste Encontro ou de outros que possam surgir.

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O Objectivo deste Encontro é de poder, um dia, contar com um Concerto com Tocadores de Viola de todas as Ilhas. É um desafio enorme, mas que já esteve mais longe de acontecer. Acima de tudo o importante é que já se deu o primeiro passo, já se mostrou que é possível, mas tem de haver continuidade: nas nossas Freguesias, nos nossos Concelhos, nas nossas Ilhas, todos temos a responsabilidade de manter a nossa Viola viva.

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Rafael Costa Carvalho

Músico e Professor

r_c_carvalho@hotmail.com

 



 

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