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Encontros de Violas

Posted by violadaterra on April 18, 2018 at 5:30 AM

9 Ilhas 2 Corações

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“Encontros de Violas”

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As nossas Violas iniciaram um processo de aproximação com o intuito de criar um movimento colectivo de valorização do instrumento, de aprender com as realidades e dificuldades uns dos outros, de partilhar ideias, conhecimentos e repertórios.

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Os “Encontros de Violas de Arame”, sendo algo inexistente no passado, começaram a surgir nos últimos anos, havendo mesmo um “Encontro de Violas” que já existe há uma década.

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Em 2009, em Castro Verde, o Músico Pedro Mestre, Tocador de Viola Campaniça e ensaiador de Grupos Corais Alentejanos, organizou o “I Encontro de Violas de Arame Portuguesas”. Este Encontro tornou-se um importante “motor” na valorização da Viola de Arame no nosso País e criou uma rede de contactos entre músicos que se dedicam, cada qual na sua Região, à preservação da Viola de Arame.

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I Encontro de Violas de Arame, 2009 - Castro Verde.

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Neste Encontro participaram José Barros (Viola Braguesa), Pedro Mestre (Viola Campaniça), Rafael Carvalho (Viola da Terra) e Vítor Sardinha (Viola de Arame Madeirense), que protagonizaram momentos de diálogo com vários músicos e investigadores presentes, falando da realidade e contextos das Violas nas suas Regiões, executando temas e trocando informações. Os quatro músicos realizaram ainda 2 Concertos.


A importância deste Encontro, e que o destaca de outros, é que juntou esta quantidade de Violas e depois teve uma continuidade anual. Em 2010 o “II Encontro” foi realizado nos Açores numa edição em que já esteve presente o músico Chico Lobo com a “Viola Caipira” do Brasil, Viola descendente das Violas de Arame Portuguesas. Em 2011, 2013 e 2017 o Encontro decorreu, novamente, no Alentejo.

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II Encontro de Violas de Arame, 2010 – Igreja de São Paulo, Ribeira Quente

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Desde 2009 que começaram a ser convidados tocadores de outras Violas pelo valioso trabalho que estavam a desenvolver. Primeiro foi possível a presença da Viola Beiroa (2013), depois seguiu-se a Viola Amarantina (2015) e, na última edição, em 2017, a Viola Toeira. A edição de 2013 contou ainda com a Viola Fandangueira do Brasil.

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O evento de 2009, em Castro Verde, teve reflexos imediatos nos músicos que participaram e já deu frutos nas Regiões de cada um pelas iniciativas que começaram a desenvolver. No caso dos Açores a Associação de Juventude Viola da Terra, seguindo essa ideia, organizou em 2011 o “I Encontro de Violas Açorianas” com tocadores de Viola de 5 Ilhas do Arquipélago.

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O Encontro de Violas de Arame teve duas edições no Brasil, em 2015 e 2016, com o nome de “Mostra Internacional de Violas de Arame”. Esta organização teve um sabor especial uma vez que, a génese deste movimento todo, surge de um contacto quase acidental entre os músicos Chico Lobo e Pedro Mestre.

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No ano de 2008 os músicos conheceram-se em Portugal, num contacto “fortuito”, iniciado por um amigo comum que ajudava na produção de um evento. Imediatamente estabeleceram uma relação de amizade e de colaboração musical que resultou em vários concertos em Portugal e no Brasil. Há 10 anos, esta relação musical viria mudar em muito o panorama da Viola de Arame no nosso País.

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Estes Encontros de Violas têm ainda a particularidade de envolver outros músicos, escolas de violas, investigadores e construtores, o que muito tem contribuído para um envolvimento e entusiasmo das pessoas que não se restringe aos 3 ou 4 dias dos Encontros.

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Há outros Encontros de Violas que vão surgindo, outras formas de diálogo inexistentes no passado, e espera-se que todo este trabalho contribua para que se reconheça o real valor das nossas Violas.

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Este grupo de músicos lançou, há algum tempo, a ideia de uma candidatura da Viola de Arame a Património da Unesco. Todo o trabalho desenvolvido em cada Região, em cada Encontro, por cada músico e investigador ao longo dos últimos anos, foi um contributo para a afirmação da Viola no nosso País e, até mesmo, da “redescoberta” da mesma em muitos locais. Com um trabalho conjunto, haverá a possibilidade de se conseguir concretizar mais este importante objectivo para a valorização das nossas Violas.

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Rafael Costa Carvalho

Músico e Professor

r_c_carvalho@hotmail.com


 

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