
O Sahara Ocidental foi uma colónia espanhola dos finais do século XIX até 1976. Perante o abandono por parte de Espanha do Sahara Ocidental, Marrocos e Mauritânia invadem o território, obrigando dezenas de milhares de saharauis a fugir da sua terra, instalando-se em acampamentos de refugiados na região argelina de Tinduf. Os que tinham idade e condições para pegar em armas ficaram a combater os dois exércitos invasores.
A resistência saharaui com a sua tenacidade conseguiu nos primeiros anos do conflito controlar três quartos do território e obrigar a Mauritânia à renúncia das suas pretensões. A guerra com Marrocos continuou até que em 1991 a mediação da ONU conseguiu que as duas partes aceitassem um cessar fogo e um plano de conciliação.
Depois de anos de negociação, constantemente bloqueada por Marrocos, a situação actual não é nada prometedora para o povo saharaui. Comparada com Marrocos, que colhe um forte apoio, especialmente do Estados Unidos da América, o Sahara Ocidental não faz parte dos pontos de interesse da comunidade internacional.
Actualmente, o povo saharaui controla uma língua de território junto às fronteiras da Argélia e da Mauritânia, a Este do muro de areia defensivo e fortemente armado – conhecido como berm - estabelecido pelo exército marroquino ao longo de mais de 2.500 Kms. Marrocos tem debaixo do seu domínio as zonas costeiras e o chamado “triângulo útil” entre Layoune, Smara e as ricas reservas de fosfatos de Bucraa.
170.000 saharauis sobrevivem há mais de trinta anos nos campos de refugiados da Argélia. Isto significa que a população está confinada a um deserto do qual a saída é quase nula, senão impossível, famílias separadas há mais de três décadas e todos aqueles com menos de trinta anos, que devido à ocupação, não conhecem o seu país.
A localização dos campos de refugiados saharauis, em pleno deserto, obriga à sua população a depender completamente do Plano Mundial de Alimentos (PMA), da Agência Europeia da Cooperação Humanitária (ECHO), do Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR) e das ONG encarregadas da distribuição da ajuda externa, proveniente principalmente da ONU. Os saharauis recebem só 40% das 2.100 calorias estabelecidas pela ONU como mínimo diário de alimentação, o que afecta principalmente as mulheres e as crianças. Como consequência 35% dos pequenos sofrem de desnutrição crónica e 13% padece de desnutrição aguda, observando-se um alto índice de atraso no nivel de crescimento nos menores de mais curta idade, segundos dados do ACNUR.
Portugal ligado a esta situação por um facto histórico (é o navegador português Gil Eanes, o primeiro europeu a chegar ao território do Sahara Ocidental, dobrando o Cabo Bojador e trazendo daí as rosas de Santa Maria, instalando Portugal algum tempo depois o primeiro entreposto comercial na região, na ilha de Arguin, um pouco ao sul do cabo Branco) e conhecedor profundo duma situação idêntica, a de Timor, que por coincidência se dá no mesmo ano, 1976, pouco ou nada tem feito. Não querendo pactuar com o silêncio ensurdecedor a que o ocidente tem votado o conflito saharaui, um grupo de artistas e técnicos portugueses decidiram usar as ferramentas dos seus ofícios para chamar a atenção sobre esta situação de desprezo completo pelos valores humanos. Joaquim de Almeida, Rui Reininho, João Vilhena, José Manuel de S. Lopes, Eberhard Schedl, Gita Cerveira, Samir Noorali, entre outros decidiram juntar esforços para produzir um conjunto de obras, um filme, um livro e um cd, com o fim de ajudar a despertar as consciências e o interesse para uma realidade que devia estar erradicada há muito das nossas vidas. Com os lucros obtidos com a divulgação destas obras pretende-se desenvolver programas de apoio junto às crianças saharauis obrigadas a viver em campos de refugiados por quem vota ao desprezo os direitos humanos.
A equipa do projecto To Be Saharawi
tobesaharawi@gmail.com
Portugal, Julho de 2008
Para um conhecimento sumário da situação
vídeo da France 2 sobre o Sahara Ocidental