Da série “O Conto da Bruxa de Ouro”
Parte 2 – revivendo a bruxa dourada.
Capítulo 9 – Não para mim.



Rudolph andava apressado pelos corredores à procura de Elise. Essa cena não lhe era estranha... Havia estado ultimamente muito próximo e muito preocupado com a garota e o pior é que ele não tinha idéia do por que. Acabou por encontrá-la sentada em uma pedra olhando para as montanhas.

- A maioria das pessoas prefere a vista do lago... – disse ele sentando-se ao seu lado. Ao olhar para a menina viu que seus olhos estavam diferentes, o que significava que a tal bruxa estava lá. Sentiu seu corpo estremecer enquanto fazia força para ser corajoso.

- Hm... Acontece que para aquele lado fica a ilha Priest...

- A ilha da sua família?

- Isso... Eu gosto de ficar olhando em sua direção onde quer que eu vá, pensando que talvez eu possa alcançá-la. – Elise agora parecia uma criança. Não era de longe assustadora ou anti-social, mas o que Rudolph via era pura fragilidade, inocência. Mesmo que tal impressão tenha durado apenas um segundo, ela estava ali.

- E você consegue? – perguntou como se não estivesse prestando atenção ao que ela falava quase como uma pergunta por obrigação... Mesmo que não o fosse. Elise encarou-o curiosa e respondeu:

- Em pensamento consigo às vezes... – respondeu ela rindo.

Era engraçado como a imagem pintada da garota pelos outros e por ela mesma fora totalmente desconstruída em instantes. Mesmo tendo consciência de que a bruxa que Dumbledore mencionara estava ali, agora ele não conseguia pensar nisso. Não conseguia pensar que justo aquela menina pudesse estar vivendo tudo aquilo. Foi quando tomou coragem para iniciar uma conversa.

- Sabe Elise... Sinto muito mesmo pela sua irmã... Fiquei sabendo que seu tio também faleceu...

- Sim, ele também se foi... Mas eu não sentiria no seu lugar...

- Só porque nos conhecemos há pouco tempo significa que eu não posso ou devo me preocupar? – perguntou tentando manter a conversa leve.

- Não é isso! – ela exclamou de repente como se contestasse a decisão injusta de um adulto tirano. – Eu... Gosto que você se preocupe... Ou que alguém se preocupe... – disse ela com relutância.

- E o que é então? – perguntou ele quase que comovido pelo jeito da corvinal.

- É que... Acontece que eles não morreram, não ainda... – respondeu dando um meio sorriso. – As pessoas acham que eu sou uma assassina, não é isso? – indagou de repente.

- Como assim? Não... Não! Não é isso... Porque a pergunta?

- Porque é como elas me olham... Sempre me olharam com um misto de pena e medo e agora me olham com um misto de medo e ódio... Não que eu ligue para esses seres baixos. – disse com seus olhos mudando nessa ultima frase. Rudolph tomou coragem e resolveu perguntar, mesmo correndo o risco de arruinar o que ele achava ser a primeira conversa sincera de Elise:

- O que ela está dizendo?

- O que?! – perguntou de sobressalto com os olhos alterados.

- Seus olhos. Eles mudam toda vez que ela fala com você, certo? É Beatrice, não é?

- Como você sabe disso? – ela parecia um tanto quanto assustada.

- Dumbledore me disse...

- Maldito! E maldito seja meu pai! Farei dele o próximo para que não abra mais a boca! – exclamava exaltada.

- Calma Elise... Calma... – disse o garoto.

- Quem mais sabe? – ele permaneceu em silêncio, ponderando se devia falar ou não...

- QUEM?! – berrou ela de modo que parecia que seu grito havia feito os pássaros ao redor voarem.

- Judy... Mas Elise!

- E agora? E agora?! – ela já não falava mais com ele e sim com alguém que ele não podia enxergar.

- Elise... – como se finalmente ela ouvisse a voz do corvinal, parou de repente e virou-se para ele.

- Ora Rudolph, querido... Aposto que ficou bravo porque não lhe contei o segredo que prometi que contaria?

- Não me venha com essa Elise! Não desvie o assunto e, por favor, não minta para mim... Não para mim!