Da série “O Conto da Bruxa de Ouro”
Parte 2 – revivendo a bruxa dourada.
Capítulo 12 – Três Tempos.


- Viu como você conseguiu? Sinto-me muito mais forte! – dizia Beatrice pouco mais atrás de Elise que tinha de encarar olhares estranhos para cima dela. Virando em um corredor mais vazio, tratou logo de entrar no banheiro feminino.

- O que foi? – perguntou segurando-se para não rir.

- Faltam dois. Falta apenas dois, meu anjo de asas negras! – exclamou Beatrice seguido de uma risada histérica.

- Tem razão. Falta só dois. – disse Elise ainda segurando o riso.

- O que foi? – perguntou a bruxa surpresa

- Ora, nada!

- Você está contente, não está? Dá para ver em seus olhos.

- Mais animada do que você, impossível!

- Tem razão. Afinal estou a dois passos da volta, enquanto você está a dois passos do completo desprezo social. Pensando bem você deveria estar em um poço de depressão.

- A coisa mais engraçada para mim é a ignorância das pessoas. Tão tolas a ponto de julgar qualquer um que não conheçam por coisas que nunca nem ouviram falar.

- Fala sobre o boato de ser uma assassina?

- Isso porque ainda não te conhecem... – disse saindo do banheiro e esbarrando sem querer num aluno que passava por ali.

- Elise! – exclamou a menina chamando atenção para si dos alunos que passavam. Elise apenas piscou. Não que fosse uma duvida muito pertinente, mas não sabia como chamar a menina a sua frente. Como o silencio permanecera a outra continuou. – Sou eu, Judy!

- Oh, Judy... Como vai? – diante da outra corvinal Elise parecia perder o “escudo”. De um jeito estranho, o modo expansivo da outra sem o mínimo medo ou vergonha deixava Elise à vontade.

- Vou ótima, e você?

- Bem... Vou bem. – ao lado de Elise, Beatrice ria descontroladamente. Seus olhos mudaram ligeiramente.

- Ha! Essa menina não tem noção de perigo...

- Oh, Beatrice está aí? – perguntou Judy de modo bem simples. A bruxa parou de rir e encarou a menina que inexplicavelmente, de propósito ou não, olhava fixamente para ela.

- Ela pode ver-me? – perguntou surpresa.

- Está com medo? – respondeu Elise baixinho.

- Sim. – disse simplesmente a outra.

- Você pode vê-la? – agora era Elise que perguntava surpresa.

- Sim, eu posso vê-la. – respondeu Judy para as duas que permaneciam paradas.

- Ahm... Co... Como? – foi tudo que saiu da boca de Beatrice perante a afirmação.

- Realmente importa? Dom de família...

- Desde quando? – Elise perguntou apressada.

- Desde agora na verdade... Se estiver pensando que desde sempre, não. Desde agora mesmo.

- Desde agora?

- Exatamente, e acho melhor sairmos daqui, pois estamos chamando atenção. Além do que você precisa me contar que história é essa de três pessoas de sua família terem morrido ontem.

- Ah minha nossa... – Elise pôs a mão na cabeça enquanto deixava ser guiada pela outra. Beatrice apenas seguia as duas tentando digerir o novo dado com o qual precisava lidar...