O holandês Paul Donker Duyvis mostra em Belém sua arte original
CCBeu, Vila da Barca, Fotoativa, Belem Brazil Paul Donker Duyvis Exhibition / Performance (collaboration with Madalena Aliverti) 15-6 / 15-08 2006
Curator Armando Sobral O Liberal, 14-06-2006 Belém, Para, Brasil Paul Donker Duyvis Performance - X Woodcut Poster Project for VILA da BARCA, Belem 2006 photo: Renaro Chalu / O Liberal 2006
E X P L I C I T O S E M S E R E X P L I C I T O 24 woodcut prints (red ink on white paper) 2006
This project is developped for the wall that separates the old Vila da Barca and the New Building site. The city planners of Belem ( Para, Brazil ) want to destroy the the beautiful old wooden houses of Favela Vila da Barca and force the whole population to live in the new concrete towers. The vilage is build by the people themselves on poles over the Amazone river. The Vilage has an unique atmosphere with caracteristic architecture that should be protected as our cultural heritage.
The text is a kind of poem ment to make people mild and think a little about what is about to come.
Paul Donker Duyvis Belem, 9-06-2006
The 24 woodcut prints are made in Belem during a woodcut workshop at Instituto de Artes do Pará (IAP) organised by Armando Sobral, Ernesto Bonato e Fabrício Lopes do Atelier Piratininga (Sao Paulo, SP) / IAP june 2006
Paul Donker Duyvis - Woodcut Poster Project for VILA da BARCA, Belem Brazil 2006
O holandês Paul Donker Duyvis mostra em Belém sua arte original de elogio aos povos
O artista plástico holandês Paul Donker Duyvis, é um entusiasta das diferenças culturais. Foram elas que o levaram a presidir, durante sete anos, uma escola de samba em plena terra dos moinhos de vento, a 'Mangueira da Amsterdam'. Por quatro vezes, foi curador das exposições de artistas holandeses na Bienal de Arte de São Paulo. Em Belém, onde chegou no início do mês para participar de uma exposição promovida pelo Centro Cultural Brasil-Estados Unidos (CCBEU), ele realiza, amanhã, a performance-instalação 'Compass, 2006', com a participação da soprano lírica paraense Madalena D’aliverti. A performance - uma breve referência poética à História colonial entre Brasil e Holanda - tem início às 19h30 no prédio da Fotoativa, em Belém.
Com o auxílio da intérprete Patrícia Costa, Donker explica que o trabalho consiste em uma espécie de rito que precede a apresentação da cantora, cuja primeira canção, 'Melodia Sentimental', tem o objetivo de remeter à saudade. Madalena será envolvida por elementos que remetem a valores que nortearam a relação entre os dois países, como o açúcar, e ao tempo histórico, representado em quatro pedras polidas que formarão os pontos cardinais. Objetos como almofadas e cartazes com palavras em inglês formam um emaranhado cultural que tem origem na forma como a idéia foi concebida. A tirar por outros trabalhos de Donker, o fascinante surge de situações aparentemente despretensiosas como esta. 'Quando eu cheguei a Belém, queria fazer uma performance que fizesse referência à relação histórica entre Europa e Brasil. Eu gosto de trabalhar com as diferenças culturais e interpretação das culturas', explica.
INSTINTO
A concepção do trabalho aconteceu logo que ele aportou em Belém. Com o conceito pronto na cabeça, solicitou aos seus anfitriões uma cantora paraense. Fez uma visita ao Instituto Carlos Gomes, passeou por suas dependências, enxergou uma porta entreaberta e descobriu dentro da sala a professora Madalena D’aliverti em plena aula. 'Eu preciso de você!', disse a ela, numa inusitada abordagem, e que fora prontamente aceita. 'Eu estava sentindo um instinto muito forte. Já sabia o que queria fazer', afirma. Segundo Donker, o instinto sempre foi a prerrogativa de seus trabalhos. As pedras ele quis polidas pelo rio ou pelo mar, numa representação da ação do tempo. As almofadas, compradas no comércio, ele preencheu com o papel picado que encontrou em um saco de lixo, de onde também vieram os cartazes com as palavras 'mapa', 'dicionário', 'passaporte' e 'cartão de crédito', todas em inglês.
'Meu trabalho tem a ver com culturas, com identidades e a mensagem é que os povos precisam trabalhar com as diferenças sociais, raciais, culturais. O meu trabalho é pensado por ações que acentuem essas diferenças.', explica. Na instalação de amanhã, ele quer induzir o público a refletir sobre essas diferenças, num ritual silencioso, exatamente como fazem alguns povos. 'É um ritual que não é brasileiro nem holandês. A gente vive em um momento em que várias culturas querem se sobrepor a outras. O ritual é uma boa maneira de propor o conhecimento e o respeito a outras culturas.'
Esta é a terceira vez que o artista plástico vem a Belém, onde fica até o dia 29. Sua relação com o Pará, no entanto, remonta à lua-de-mel que viveu com a atual esposa, na ilha do Marajó, em 1996, numa viagem de ônibus iniciada em São Paulo. Sobre diferenças, diz ter lhe chamado atenção a quantidade de luz encontrada por aqui, e considera que o Sol influencia a mente e o espírito, tendo um efeito direto em seu trabalho e na sua vida pessoal.
Este mês, ele participou de um workshop de gravura, utilizando as xilogravuras para fazer uma exposição na Vila da Barca. No muro completamente branco que divide a comunidade do canteiro de obras, estampou os dizeres 'Explícito sem ser explícito', uma forma de refletir sobre o que chama de 'fantasminhas azuis', referência aos operários anônimos que podem ser observados pelos moradores do local em plena atividade. 'Para que ambos os lados possam refletir um sobre o outro.'
Paul Donker Duyvis - Woodcut Poster Project for VILA da BARCA, Belem Brazil 2006
Paul Donker Duyvis - Woodcut Poster Project for VILA da BARCA, Belem Brazil 2006
Paul Donker Duyvis - Woodcut Poster Project for VILA da BARCA, Belem Brazil 2006
Paul Donker Duyvis - Woodcut Poster Project for VILA da BARCA, Belem Brazil 2006
Text Catalogue Arte Para 2006/7 about Villa da Barca Projct by Paul Donker Duyvis (fragment)
Os
quilombos fazem parte do fundo ético da sociedade paraense. Os atuais
quilombolas descendem de escravos que não hesitaram em correr o risco
de fugir para a liberdade. Graves formas de violência social, como
massacres de quilombolas e práticas fascistas de estrangulamento de
suas terras.
No século XXI, vivem em liberdade sitiada. Recentemente uma família foi dizimada.
No Marajó, os quilombos estariam sendo cercados por fazendeiros com
cercas elétricas, como nos campo de concentração, por motivos
fundiários. As comunidades perdem acesso à água, a fontes de alimento e
lugares sagrados.
Paul Donker Duyvis aponta a discriminação e a violência às
quais se expõe um "quilombo" urbano aqui e agora em Belém, através de
formas ativas contemporâneas de marginalização. A exploração
imobiliária ameaça a moradia da população da Vila da Barca. O modelo de
desenvolvimento urbano
de Belém se aproxima da prática paulista de se apropriar de terrenos de favelas para entregar ao
capital imobiliário,expulsando os moradores para a periferia distante de seu trabalho.
A obra de Margalho Açu é uma instável construção de uma latrina, que denuncia as
precárias condições de higiene entre as populações marginais do Pará.
(Paulo Herkenhoff, 2006/7, Curator Arte Para 2006, Belem Brazil)
Special Thanks: Armando Sobral, Madalena Aliverti, Theodor, Patricia Costa, Miguel Chikaoka, Alexandre Sequeira, Paulo Herkenhoff, Instituto de Artes do Pará (IAP), Fundação Romulo Maiorana, Arte Pará 2006, Belem, Brazil, WBK de Vrije Academie, the Netherlands
Projeto Gráfica Contemporânea abre nesta quinta-feira (1º)2006 IAP Belem, Para Brasil 31/05/2006
Com a proposta de aprofundar o trabalho de consolidação da gravura iniciado há alguns anos em Belém, reivindicando para cidade o papel de centro promotor e irradiador dessa linguagem artística na região Norte, começa nesta quinta-feira o projeto 'Gráfica Contemporânea' com o vernissage da coletiva 'Gráfica Contemporânea', às 19h, na galeria do MABEU, com apoio do Centro Cultural Brasil Estados Unidos (CCBEU).
O projeto do Instituto de Artes do Pará (IAP) com coordenação do artista plástico Armando Sobral, engloba ainda um ciclo de palestras com o professor doutor Ernani Chaves, artistas estrangeiros e brasileiros; e o workshop de 'Cartazes Xilográficos', que será ministrado por Ernesto Bonato e Fabrício Lopes, coordenadores do Atelier Piratininga (SP) e do Espaço Coringa (SP), respectivamente.
A mostra e as palestras têm entrada franca. Para a oficina será cobrada uma taxa de R$ 10.
Segundo o artista plástico Armando Sobral, a coletiva 'Gráfica Contemporânea', que tem vernissage nesta quinta-feira, às 19h, na galeria do MABEU, aponta caminhos e proposições pelos quais a gravura e as novas mídias vêm expandindo o seu campo de interesse no âmbito das poéticas contemporâneas. “Trabalhar a imagem a partir de uma matriz implica, hoje, considerar uma ampla possibilidade de recursos: das técnicas tradicionais, passando pela fotografia e vídeo até a tecnologia digital”, assinala o artista.
Artistas de três nacionalidades (Brasil, Canadá e Holanda) participam da coletiva. Sobral assinala que estas produções surpreendem pelo enredamento de contrapontos e afinidades. “Seis importantes centros de pesquisa e de difusão da arte encontram-se aqui representados: o Engramme, de Quebec; a Vrije Academie Den Haag e o AGA, da Holanda; o Atelier Piratininga e o Espaço Coringa, de São Paulo; a Fotoativa, de Belém; ao lado do atelier da Fundação Curro Velho, responsável pelo restabelecimento e democratização do ensino da gravura na região”, relata Sobral.
Participam da mostra os brasileiros Evandro Carlos Jardim, Regina Silveira, Marco Buti, Ulysses Bôscolo de Paula, Paulo Camillo Penna, Ernesto Bonato, Fabrício Lopes, Claudio Mubarac, Armando Sobral, Pablo Mufarrej, Jean Ribeiro, Alexandre Sequeira, Jocatos, Junior Tutiya,Ronaldo Moraes Rego, Cláudio Assunção, Eduardo Kalif, Miguel Chikaoka; os holandeses Paul Donker Duyvis, Erik Fliek, Lego Lima, Elma Oosterhoff, Hanna de Haan; e os canadenses Jeanne de Chantal Côté, Giorgia Volpe, Lise Vézina-Beltrami, Eveline Boulva.
O ciclo de palestras será realizado nos dias 6, 7 e 8 de junho, sempre às 19h, no auditório do IAP, com debates em que serão abordados aspectos da gravura contemporânea e as intersecções com as novas tecnologias da imagem, apresentando um amplo painel de idéias, programas e ações presentes na produção atual. Participam das discussões, respectivamente,o artista Paul Donker Duyvis, a artista Jeanne de Chantal Côté, o professor doutor Ernani Chaves e os artistas Ernesto Bonato e Fabrício Lopes.
De 5 a 9 de junho, das 9h às 13h, no ateliê do IAP, será realizado o Workshop de Cartazes Xilográficos, ministrado por Ernesto Bonato e Fabrício Lopes, que promoverá uma vivência artística coletiva em Belém, reunindo artistas e cidadãos de idades variadas em torno da prática do desenho e da xilogravura.
Serviço A coletiva 'Gráfica Contemporânea' fica em cartaz até o dia 30 de junho na galeria do MABEU (trav. Padre Eutíquio, 1309), com visitação de terça a sexta, de 9h30 às 12h; e de 13h às 19h30; e aos sábados, de 9h às 14h. Mais informações sobre as palestras e o workshop pelo telefone 4006-2910.
Exposição 'Gráfica Contemporânea' une brasileiros, canadenses e holandeses (CCBEU-Belem 2006)
Paul Donker Duyvis - Gift of the Crane (generosity) Exposition View CCBeu, Belem
Exposição 'Gráfica Contemporânea' une brasileiros, canadenses e holandeses (Curador armando Sobral)
A obra desenvolvida a partir das interferências numa matriz, trabalho que pode servir de estímulo para novas formas de expressão da arte, utilizando desde técnicas tradicionais de gravura, passando pela fotografia e vídeo até a tecnologia digital. Assim pode ser definido o ambiente da exposição 'Gráfica Contemporânea', que reúne trabalhos de 27 artistas, entre paraenses, paulistas, canadenses e holandeses, na galeria de arte do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos (Ccbeu), e pode ser visitada até o dia 30 de junho. O curador da exposição, o artista plástico Armando Sobral, é o responsável pelo 'intercâmbio cultural' presente na exposição e afirma que as obras dos artistas paraenses não apresentam grandes contrastes se comparadas às outras. 'A produção está nivelada em técnica, pesquisa, qualidade. Em todas se percebe a mesma inquietação e a força da imagem', anuncia Armando. No dia 28, ele senta com o público visitante, a partir das 18h, para conversar sobre como se desenvolveu o trabalho que culminou na mostra. 'Gráfica...' é uma realização do Instituto de Artes do Pará (IAP) em parceria com o Ccbeu.
A exposição, que começou no início do mês, procura mostrar a evolução da gravura enquanto linguagem artística. 'Essa é uma forma que evoluiu muito de uns tempos pra cá, e mostras como essa podem estimular mais movimentos que explorem a gravura. Eu fiquei muito gratificado em ver que as produções paraense e paulista não devem nada às obras holandesas e canadenses. E os próprios artistas de fora perceberam isso, ainda que com alguma surpresa, e ficaram deslumbrados. Prova disso é que, além do grupo holandês programado para participar da exposição, vieram mais três artistas de lá voluntariamente, para acompanhar o projeto, que também contou com mini-cursos e oficinas', explica o curador da mostra.
Questionado sobre quantas obras estão à mostra para a exposição, Armando confessa que não sabe dizer ao certo. 'São tantas...! Às vezes, um artista chega com 21 peças, aí fica difícil não perder a conta', diz. No total, são 18 artistas brasileiros, entre paulistas e paraenses (Evandro Carlos Jardim, Regina Silveira, Marco Buti, Ulysses Bôscolo de Paula, Paulo Camillo Penna, Ernesto Bonato, Fabrício Lopes, Claudio Mubarac, Armando Sobral, Pablo Mufarrej, Jean Ribeiro, Alexandre Sequeira, Jocatos, Junior Tutiya, Ronaldo Moraes Rego, Cláudio Assunção, Eduardo Kalif, Miguel Chikaoka), cinco holandeses (Paul Donker Duyvis, Erik Fliek, Lego Lima, Elma Oosterhoff, Hanna de Haan) e quatro canadenses (Jeanne de Chantal Côté, Giorgia Volpe, Lise Vézina-Beltrami, Eveline Boulva).
Segundo Armando, essa união de artistas brasileiros e estrangeiros começou com o ateliê Piratininga, que funciona em São Paulo, e do qual ele é um dos fundadores. O local oferece cursos, palestras e promove intercâmbio cultural entre artistas, sempre visando à difusão e o desenvolvimento da linguagem gráfica. 'A minha formação (ele é graduado pela Fundação Armando Álvares Penteado) é de São Paulo e esse ateliê foi feito justamente com a intenção de promover a cultura e confrontar a produção local com a produção de artistas de outros locais, dentro e fora do Brasil. Nesse caso, esses artistas holandeses e canadenses estão fazendo um intercâmbio ao participar dessa exposição, confrontando a produção deles com a experiência e o conhecimentos dos artistas daqui'. No mês que vem, será a vez de Armando levar as obras paraenses para fora: as gravuras feitas aqui serão expostas na Galeria Brasileira, em São Paulo.
Em outubro desse ano, Armando deve participar, em Amsterdã, de um workshop sobre o tema, uma repetição de um trabalho feito há pouco tempo por artistas holandeses com crianças e adolescentes do subúrbio da capital holandesa, intitulado 'Images Speak'. 'Além da minha formação como artista plástico, eu tenho um trabalho que tende pro lado educacional, como por exemplo a instalação que fiz do ateliê de gravura da Fundação Curro Velho, em 2001. Acho que dá pra levar isso pra esse lado, e isso tem que ser feito pelos artistas plásticos, porque é uma atividade que dificilmente será incluída nas grades curriculares das escolas. A arte, especialmente quando se fala em imagem, pode assumir várias formas: política, democrática, crítica, o que pode ajudar a desenvolver a curiosidade pela ação, pela ruptura com preconceitos'.