De Terror







Volume Único - Capitulo 05: Tetsu








Yuji desligou sua lanterna.

Alguma coisa na composição da sala mudou, como se ela fosse mais larga e espaçosa; um movimento de luz que, a princípio, só poderia ser tomado por imaginação – como um jogo de espelhos postados de frente para o outro, tornando o espaço infinito.

Por alguns minutos, eles esperaram em silêncio que mais alguma coisa acontecesse – afinal, era para isso que tinham se reunido ali. Mas, aparentemente, o que tinham já feito não era o suficiente para obter os efeitos desejados.

- De quem é a vez? – Haruka perguntou, olhando entre Tetsu e Maho.

A médium continuava perdida, em transe. A jovem Miuura só esperava que a amiga realmente soubesse o que estava fazendo. Como a loira não respondeu, só restava a Tetsu continuar.

O rapaz respirou fundo antes de começar seu conto.

- Havia uma casa no bairro que todos consideravam mal-assombrada... Há mais tempo do que muitos podiam se lembrar, estava completamente desabitada e, numa cidade antiga como Kyoto, isso podia significar de décadas a séculos.

Os relatos que se espalhavam sobre a história da casa eram vários, muitas vezes confuso. Todo mundo conhecia alguém que vira algo de estranho acontecer, mas, questionados, nunca sabiam precisar exatamente o quê tinha acontecido.

Objetos voavam sem explicação? Não exatamente. Alguém vira um fantasma? Podia ser, mas não era certeza. Barulhos estranhos vinham da casa abandonada? Sim, vários. Mas o que significavam, ninguém sabia.

A única parte da história em que todos pareciam concordar é que houvera um assassinato.

Nesse bairro, havia um grupo de seis jovens que gostavam de contar histórias de terror, um dos quais inclusive, diziam, era capaz de se comunicar com espíritos.


Tetsu se calou por um instante, sentindo um arrepio correr sua coluna. Ao seu lado, Kikuri tremia de frio. Mais uma vez, ele teve a impressão de que o salão ao redor deles era maior do que imaginavam com a diferença de que agora lhe parecia haver vultos translúcidos caminhando de um lado para o outro.

- A casa abandonada pertencia à família de um desses jovens. Por algum tempo, essa família estivera pensando em destruir a casa e construir um novo edifício. Contrataram um engenheiro para ver a casa. Levaram-no para vê-la. Ele entrou, caminhou pelos quartos... e desapareceu. Encontraram-no horas depois, inconsciente. Levaram-no ao hospital, onde o engenheiro permanece em coma.

Haruka abaixou os olhos. Dessa vez, o som de móveis sendo arrastados foi inconfundível, mesmo porquê não era apenas com o barulho que eles lidavam agora.

Uma das mesas que eles tinham empurrado para junto da parede mais cedo se movia devagar, arranhando o chão.

- Os seis então decidiram olhar a casa. Descobrir o que estava realmente acontecendo. – Tetsu forçou-se a continuar – E, numa noite de lua minguante, eles se reuniram no antigo salão de chá para contar histórias e assim atrair o fantasma da casa. Cada um deles contaria uma história e, ao terminar, apagariam as luzes das lanternas que tinham levado consigo.

Os olhos dele não tinham se despregado da mesa, que parecia, aos poucos, ganhar velocidade. Como se isso não bastasse, outros móveis também tinham começado a se mexer.

Foi Kikuri quem primeiro percebeu o que estava realmente acontecendo.

- CUIDADO!

Uma cadeira voara para cima deles. Tetsu fechou os olhos, sabendo que era inútil escapar ao impacto – ela estava diretamente direcionada contra ele. Para sua surpresa, contudo, a cadeira caiu no chão com estrépito, não passando da área de circunferência do desenho dentro do qual estavam sentados.

Com o susto, ele deixara sua lanterna cair e a batida contra o chão fez com que ela apagasse. A única luz que eles tinham agora vinha da lanterna no colo de Maho.

A médium abriu os olhos, revelando os olhos safira com pupilas dilatadas. E, exatamente sobre ela, a figura espectral de uma mulher de longos cabelos escuros e roupas sujas de sangue ergueu uma espada.

Nota: O conto narrado por Tetsu foi escrito pela Lulu