Hopelessly Addicted
Volume 04 - Capítulo 12 A
Tsuru apresenta #012 - My fair lady
- Hilde, sinceramente, você deveria se casar com um médico e, de preferência, um que tenha especialização em cuidar de gargantas. Como é mesmo o nome?
A menina arqueou a sobrancelha, jogando-se de barriga na cama fofa.
- Otorrinolaringologista. - ela respondeu. - E obrigada pelo conselho, mãe, mas acho que vou dispensá-lo.
Ceres Rostand cruzou os braços, deixando o corpo encostado ao umbral da porta do quarto da filha.
- É a terceira vez esse ano que você tem que ficar na enfermaria por causa dessa garganta. Eu sei que usualmente você já tem problemas, mas eles geralmente se concentram numa determinada época do ano. - ela olhou mais seriamente para Hilde. - Há alguma coisa acontecendo que você não está me contando, filha?
- Hum... Por que haveria alguma coisa acontecendo? - a garota retrucou, sem olhar para a mãe.
- Porque isso explicaria a sua cara de quem comeu jiló amargo. - a mulher levou uma mão ao queixo, pensativa. - Se bem que isso é uma redundância, já que jiló é amargo mesmo...
Hilde sorriu de leve, dessa vez levantando os olhos para a mãe.
- Eu não comi jiló, não, mãe. A não ser que a senhora o tenha escondido muito bem na sua comida, como fez com aquele picadinho de carne que, depois do almoço, você nos informou que era soja... - ela estreitou os olhos à lembrança. - Você não está planejando contrabandear jiló para a sopa que vai me forçar a comer mais tarde, não é?
- Talvez... - foi a vez de Ceres sorrir, para logo em seguida ficar séria e, entrando no quarto da menina afinal, sentar-se junto a ela na cama. - Seja lá o que tiver acontecido, quando você sentir vontade de contar, pode me procurar, certo?
- Você tem tanta certeza assim que tem alguma coisa acontecendo? - Hilde perguntou, curiosa.
A mãe assentiu, passando a mão pelos cabelos curtos da menina.
- Se eu não conhecer a abóbora que tenho em casa, como é que eu vou cuidar da minha horta?
Hilde revirou os olhos.
- Asuna também contou pra você?
Ceres assentiu novamente, os olhos brilhando, divertidos.
- Bem, Little Pumpkin, como eu estava dizendo, eu conheço as verduras que tenho em casa. Chame isso de instinto materno. - ela se levantou, sem deixar de sorrir. - Vou providenciar sua sopa agora. Prometo que não colocarei abóboras, para que você não se sinta uma canibal.
- Thanks, mom. - ela respondeu com a voz irônica.
- You're welcome, dear. - a outra ainda retrucou, antes de sumir pelo corredor, fechando a porta do quarto da filha atrás de si.
A jovem Rostand suspirou ao ver-se sozinha. Graças à sua última crise de amigdalite, a mãe decidira que era melhor ela ficar no chalé por alguns dias, onde poderia ficar de olho na alimentação e nos remédios da filha. Se fosse deixada por sua livre e espontânea vontade, Hilde certamente esqueceria de tomar... o que quer que tivesse de tomar.
Com isso, só veria as amigas quando fosse para a aula no dia seguinte. Elas a tinham visitado rapidamente na enfermaria durante sua nova estadia, mas não puderam se demorar, visto estarem se aproximando dos exames finais. Ryl não dera as caras, mas ela não podia realmente culpá-lo. Ele estava terminando o oitavo ano afinal, correndo contra o tempo para organizar tudo para a apresentação dos trabalhos que lhe valeriam o título de "especialista em fisiologia".
Das outras pessoas que podiam lhe visitar, Megumi também estava às vésperas da apresentação do próprio trabalho de especialização; Sayuri aparecera quando ela estivera dormindo... E havia Koji-sempai.
Os olhos dela correram para o envelope fechado sobre a cabeceira da cama, ao lado da sacolinha de remédios que Abe-sensei lhe receitara. No dia seguinte, ela iria madrugar no Tsuru. Era melhor fazer o que tinha de fazer antes que perdesse aquela mínima injeção de ânimo que o cartão seco do sempai lhe provocara.
E que os deuses a ajudassem naquela decisão...
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Para Shizu-chan, eu deixo minha coleção de CDs, os vídeos de musicais e minha caixinha de música da bailarina caolha.
Para Sayo-chan, eu deixo meus card games, as cartas da edição de luxo do tarot CLAMP e minha coleção de slides da Amaterasu.
Para Asuna-chan, eu deixo meus mais preciosos bens: minhas coleções de mangás, incluindo as edições autografadas e lacradas sob minha cama, meu querido Mokona, os vídeos com gravações de animes e meus equipamentos de cosplay que eu jamais utilizei, incluindo as perucas.
Para meu irmão, eu deixo meus sinceros votos de felicidade.
O resto dos meus bens, eu gostaria de doá-los para os mais necessitados, exceto pela coleção de filmes, que deve seguir para o acervo da Amaterasu; e minhas fotos e câmera - se possível, abram um museu em minha memória e coloquem tudo em exposição lá.
Muito bem, feitas estas recomendações, assino meu testamento, estando em plena posse e uso de minhas faculdades mentais. Mamãe, saiba que eu a amo muito e sinto por não ter lhe falado nada sobre o que estava acontecendo. Agora é tarde demais. Não me arrependo de nada, porém, exceto por aquele pedaço de bolo de chocolate que eu deixei de comer no café para estar aqui.
Papai, eu quero que saiba que o amo muito também, mesmo que o senhor praticamente não tenha aparecido nessa história, já que sua querida e amada filha não lhe dedicou uma única linha de pensamento nesses doze capítulos. Não, eu não prefiro a mamãe ao senhor, embora ela tenha participado do roteiro. É só que... Ah deixa pra lá. O caso é que também amo o senhor.
Ao resto da família... lembranças.
Certo. Acho que não tenho mais como adiar o momento final. Apenas mais um passo. O derradeiro passo.
Acho que vou fechar os olhos para não sentir o impacto.
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Glossário
Little Pumpkin - Abobrinha
Thanks, mom - obrigada, mamãe
You're welcome, dear - De nada, querida