Hopelessly Addicted
Volume 03 - Capítulo 09 A
Tsuru apresenta #009 - Indiana Jones e a Última Cruzada

- Isso não fecha! - Asuna quase gritou em desespero. Sua mala parecia arreganhar os dentes, deixando mangas e pernas de calça passando para fora.
Hilde não sabia se ria ou se tentava acalmar a amiga. Tinha ido até o dormitório de Asuna para oferecer alguma ajuda, já que ela, Sayo e Shizu já tinham terminado de arrumar o que levariam para a viagem para Tóquio e acabara por encontrar a outra uma pilha de nervos, sozinha, sentada sobre um malão azul-bebê cheio de estrelinhas e praguejando em alemão, o que, realmente, era uma coisa assustadora de se ver.
- Asuna-chan, você precisa levar tudo isso? - Hilde finalmente perguntou.
- Não posso correr o risco de acontecer alguma eventualidade... E se o dormitório pegar fogo enquanto eu estiver fora? - ela perguntou, abrindo a mala e revelando um saco plástico cheio de mangás - O que vai acontecer com meus tesouros?
A inglesa arregalou os olhos. Então era por isso que a mala de Asuna não fechava? Ela pensava que era por alguma quantidade absurda de roupas ou coisa do tipo... Esquecera-se que Asuna não era do tipo que se importava muito com o que ia usar. Na verdade, quanto mais relaxado e folgado fosse, tanto melhor para ela.
- É... Hehehe... - Hilde riu, um tanto sem graça - Escuta, Asuna... Por que você não coloca algum... Sei lá... Feitiço protetor no saco? Um seguro contra enchentes, incêndios, inundações, furacões... Ou você pode cavar um buraco debaixo da cama e enterrar lá?
Asuna observou-a pensativamente.
- É uma possibilidade. - um sorriso iluminou a face de Asuna, que praticamente pulou no pescoço da amiga, sapecando um beijo estalado na bochecha dela - I love you, Hilde-chan!
- É, eu sei, eu sou o máximo, todos me adoram, obrigada, obrigada. - Hilde agradeceu, fazendo uma mesura para sua platéia invisível - Agora, ande logo com essa mala que eu estou MORTA de fome e quero descobrir qual a sobremesa de hoje.
Asuna sorriu, meneando a cabeça para a amiga.
- Tudo bem. Vá indo na frente, eu ainda vou demorar um pouco aqui... E deixe alguma coisa do banquete para mim, seu saco sem fundo.
Hilde assentiu.
- Não se preocupe. Sayo já alimentou meu buraco negro estomacal quando estávamos arrumando nossas coisas. Dois sacos de balas de coco depois, eu acredito que possa sentar-me civilizadamente ao jantar, junto com outros espécimes da minha espécie, a despeito do que você possa dizer.
- Eu ainda acho que você é alguma evolução do homo sapiens sapiens para homo sapiens doces. - Asuna respondeu, gracejando - Nunca vou entender como alguém tão pequena quanto você consegue comer tanta sobremesa.
- Mistérios da ciência, minha cara. - Hilde retrucou, com uma voz cavernosa, enquanto se dirigia para a porta - Mistérios da ciência...
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Algumas horas depois de ter ajudado Asuna com a mala dela, após o banquete onde me regalei com o manjar de coco e os croquetes “romeu e julieta”, e a viagem de barco que nos levou a Suzuko, despedimos-nos do meu irmão e do resto da turma do sétimo e oitavo ano com lágrimas e mútuos desejos de que todo mundo se cuidasse e voltasse são e salvo para a escola...
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- Mmmmfpppmmm...
- E não se esqueçam de fazê-la escovar os dentes de noite e ver se ela está lavando as orelhas.
- Mmmmmmmmmmppppppppp!!!!
- Ryl-kun... – Asuna tentou, um tanto sem graça – Você não acha que...
- E não deixem ela comer qualquer porcaria, porque eu não quero ter que ficar cuidando de novo dessa doida na ala hospitalar.
Nesse momento, alguém empurrou o rapaz para frente com força, fazendo afinal com que ele soltasse a irmã que, até aquele momento, estivera sufocada pelo abraço do irmão, com a cara enfiada contra o peito dele.
O rosto de Hilde estava completamente vermelho e ela respirava profundamente, tentando fazer o oxigênio voltar a circular o mais rápido possível por seus membros.
- Se você está tentando fazer com que ela volte inteira, não acha que seria uma boa idéia deixá-la partir inteira, big brother? – Megumi perguntou, sarcástica.
- Você não pegou o espírito da coisa, Meg-chan. – Rylan respondeu, matreiro – A idéia é que ela desmaiasse aqui mesmo e passasse a semana descansando em casa. Assim, eu não teria com o que me preocupar.
- Como se você se preocupasse com alguma coisa. – foi a voz de Koji que respondeu, enquanto o sempai aproximava-se de Hilde, oferecendo um copo d’água para a menina – Daijoubu, Hilde-chan?
Hilde assentiu, sorrindo levemente para o rapaz, antes de voltar-se para Sayuri, que se aproximara de Meg.
- Já que meu oniisan já fez as vezes de guardião, Meg-sempai, Say-chan, vocês também poderiam me fazer o favor de ficar de olho no Ryl? Só para o caso de ele levar algum tombo ou coisa parecida esquiando... – ela sorriu, um tanto malignamente - Vai que ele sai bolando montanha abaixo e se taca num casarão de madeira pura cujo dono é nada gentil?
- Será nosso prazer, Hilde-chan. – Meg piscou o olho – Pode viajar sossegada, ficaremos de olhos... em ambos...
Hilde estreitou ligeiramente os olhos, sentindo as bochechas começarem a arder, ao mesmo tempo em que observava com o canto dos olhos Koji ao seu lado. O rapaz parecia estar achando aquela cena toda muito divertida, pelo sorriso que ostentava no rosto.
- Ok, agora que todo mundo já se despediu, podemos afinal entrar no trem? – Sayo perguntou, fazendo-se finalmente notar – Não se preocupe, Ryl-kun, nós cuidaremos bem da Hilde. Pode viajar despreocupado. Agora... – ela colocou as mãos sobre os ombros de Asuna e Hilde – Vamos indo logo que Shizu-chan já deve estar nos esperando. Andando, andando!
Ryl observou a irmã desaparecer junto com as amigas dando um último aceno para os amigos, antes de voltar-se para Meg.
- Você não vai estar muito ocupada com o Aki para ficar de olho em mim?
- Não se preocupe, Ryl-kun, nós somos duas. – Sayuri observou, sorrindo, enquanto arrumava os óculos, aquele dia de lentes lilases, no rosto – E, considerando que temos de ficar de olho em dois...
Rylan apenas sorriu, meneando a cabeça, antes de voltar o olhar para Koji, o qual voltara a se aproximar dos outros membros da banda que, até ali, discutiam como se dividiriam nos carros que os levariam à estação de esqui.
- É, eu suspeitei disso também... – ele murmurou em voz baixa, mais para si, antes de seguir os amigos.
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