Hopelessly Addicted







Volume 02 - Capítulo Extra B

Miss Lonely Hearts -Do primeiro amor e outros perigos






-Ei, Meg... - Sayuri observou após alguns instantes de silêncio em que apenas o forno de Koji parecia fazer algum barulho - Tem uma coisa que sempre me deixou curiosa...

- O quê? - a moça perguntou, sem tirar os olhos de mais uma das cartas que catara de sua primeira seleção.

- Quando você se apaixonou pela primeira vez? Eu me lembro que você teve alguns namorados antes do Aki, mas não me lembro quem foi o primeiro.

Megumi levantou a cabeça para encarar a setimanista.

- Say-chan, apesar do que as más línguas possam dizer, eu só tive dois namorados antes do Akiroki. Os outros casos que me são imputados não passam de disse-me-disse.

- A considerar que já disseram que até eu tinha um caso com Meg-chan por trás das costas do Aki... - Koji pronunciou-se, pensativo - Às vezes eu me pergunto como é que nascem esses boatos.

- Se formos contar pelo que dizem as fãs do Maggots, só falta eu pegar o Nori, o que ainda não aconteceu porque estou tentando resolver a questão da altura. - Meg observou, irônica - Se bem que isso não faria muita diferença se...

- Meg-chan. - Koji a interrompeu, antes de fazer um sinal com a cabeça para a frente.

Meg apenas sorriu, encarando Hilde, que estava rapidamente tomando a coloração de um pimentão maduro, enquanto Sayuri parecia tentar entender o que se estava falando ali.

- Ok, então, pulemos os detalhes sórdidos. - Meg fez um gesto de descaso com a mão - Quanto à sua pergunta, Say-chan, embora você possa não acreditar, foi um amor platônico.

- Eu diria mais que se tratou de um caso de pedofilia às avessas. - a voz de Michiru soou da porta.

Meg virou-se no sofá, encarando a recém-chegada, ao passo que esta entrava e acomodava-se no sofá junto a Hilde.

- O que posso lhe servir, Michiru? - Koji perguntou, terminando o prato de Sayuri, estendendo-o para a moça.

- Arigatou, Koji-kun, mas eu já comi. - ela se voltou para Megumi - Não se esqueça que eu sei de tudo e, se faltar com a verdade, eu estarei aqui.

- Você tem um timing impressionante para chegar em horários inconvenientes, Michi. - Meg respondeu, divertida - Há quanto tempo você está na porta?

- Desde a parte do Nori ser muito baixo para você, embora você não encare isso como um problema. - Michiru respondeu, cruzando os braços - Adoraria saber o que o dito cujo e o Aki teriam a comentar sobre isso.

Enquanto as duas amigas discutiam e Sayuri e Hilde observavam-nas, entretidas, Koji perguntou-se se não seria uma boa idéia colocar tampões de ouvidos nas duas últimas enquanto havia tempo.

- Muito bem, agora que está aqui Michiru que não me deixa mentir... - Megumi interrompeu as discussões, sorrindo, maliciosa - Eu estava às vésperas de completar onze anos e tinha acabado de entrar na escola. Ele tinha vinte e cinco e era à época assistente de Kaho-sensei.

- Nada menos que quatorze anos de diferença. - Michiru observou.

- Meg-sempai sem dúvida era uma criança precoce. - Sayuri sorriu - Qual era o nome dele?

- Hiroaki Minoru. - ela respondeu, sem deixar de sorrir.

Exceto por Michiru, os outros ocupantes da sala deixaram os queixos caírem.

- Você está falando de Hiroaki Minoru?

- O Hiroaki-san?

- O Orador do Conselho dos Oito?

Ela assentiu.

- Esse mesmo. Em todo caso... Era um amor impossível. - ela jogou uma mecha dos cabelos negros para trás, a voz num tom dramático - Mas eu sempre aproveitava para conversar um pouco com ele nas festas tradicionais dadas pelas nossas famílias, sempre tinha uma dúvida ou duas para tirar com ele antes ou depois das aulas... Eu me contentava com as migalhas desse amor platônico e...

- Hum-hum. - Michiru pigarreou, lançando um olhar divertido para a amiga.

- Eu sinto que não foi tão platônico assim. - Koji observou, embora um tanto incrédulo com a afirmação que acabara de fazer.

Afinal, por mais terrível que Megumi fosse, na época ela era uma criança, não era?

- Ok, não foi assim tão platônico. - Meg aquiesceu, revirando os olhos - Eu tinha doze anos quando aproveitei a distração dele com os fogos de artifício do Tanabata e o agarrei... Mas foi um único beijo e depois disso ele nunca mais conseguiu me olhar no rosto. Satifeita, Michi-chan?

- Muito. - a outra respondeu, obviamente se divertindo com o fato de que conseguira deixar a sempai do clube de dança ineditamente sem graça - E a verdade sempre triunfa...

- Bem, foi uma bela história de amor impossível. - Sayuri observou, antes de voltar-se para Koji - Ei, Koji-kun, e você? Sempre nas minhas entrevistas, quando eu tento perguntar alguma coisa nessa linha, você escapa pela tangente. Agora que estamos só nós aqui...

- Gomen, Sayuri-chan. - ele respondeu - Sem comentários sobre a vida pessoal, lembra?

- Mas eu...

- Você é uma jornalista. Logo, tem que descobrir sozinha.

Hilde riu em seu canto, enquanto a setimanista encolhia-se, emburrada.

- Você é muito chato, Koji-kun! Um dia eu vou descobrir sobre seus amores secretos e vou publicar na primeira página do Tsuru.

O rapaz apenas sorriu em resposta, lançando um discreto olhar que nenhuma delas percebeu na direção da mais nova.

- Só se eu não publicar antes, Say-chan. Só se eu não publicar...

EXTRA


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