Rebecca Santoro
30 de agosto de 2008

Autodeterminação, autogoverno, necessidade de consulta aos ‘povos’ para instalação de unidades militares (ou mesmo para a realização de exercícios/atividades militares) e para a exploração recursos do solo e do subsolo, bem como o direito que os indígenas teriam de ter sua própria nacionalidade (e não se trata da brasileira, no caso Brasil) são apenas alguns dos itens constantes da Declaração que suscitam as suspeitas de que possam, na prática, virem a se transformar em nações independentes.
Porém, ninguém fala da Convenção no 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais da qual o Brasil já é signatário. Adotada em Genebra, em 27 de junho de 1989, foi aprovada pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo no 143, de 20 de junho de 2002, e retificada pelo governo brasileiro, junto ao Diretor Executivo da OIT em 25 de julho de 2002. Tendo entrado em vigor internacional, em 5 de setembro de 1991, e, no Brasil, em 25 de julho de
Nessa Convenção já estavam delineados – só que com menos especificidades e com denominações menos explícitas, digamos assim – tudo isso que tanto se teme a respeito do que traz a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas. E o que é pior: já passou pelo Congresso, já assinamos e ratificamos. Na Convenção 169 da OIT, por exemplo, passa toda a questão da negociação com os ‘povos’ sobre a exploração de recursos minerais e naturais (para a construção de hidrelétricas, por exemplo). Os mesmos princípios adotados em relação aos índios também devem ser observados no tratamento com outras ‘minorias’, como os quilombolas, no caso do Brasil. Ela estabelece ainda, em seu artigo 32, que “Os governos deverão adotar medidas apropriadas, inclusive mediante acordos internacionais, para facilitar os contatos e a cooperação entre povos indígenas e tribais através das fronteiras, inclusive as atividades nas áreas econômica, social, cultural, espiritual e do meio ambiente”.
Na prática, já estamos compromissados com causas e princípios supranacionais, para nortear a maneira como índios, brancos e negros se relacionarão entre si, aqui dentro do Brasil, e cada um, respectivamente, com a terra. Estamos comprometidos com a ‘desmiscigenação’ de nosso povo – uma de nossas mais marcantes características, inclusive responsável pela tão bem sucedida expansão e manutenção da integridade territorial e social de um país de dimensões continentais como o Brasil.
É o tal negócio: a inveja e a ambição têm movido muito mais a humanidade do que algo como amor ou respeito, por exemplo. Entendam como quiserem esse meu rápido ‘devaneio’ – uma dica: não estou falando dos Estados Unidos, não.
Voltando.
Ficamos mais envolvidos nesse comprometimento com a ‘internacionalidade’ depois que as mesas da Câmara dos Deputados e do Senado promulgaram a Emenda Constitucional Nº 45 - DE 8 DE DEZEMBRO DE 2004, que reformulava uma série de artigos da Constituição e que estabeleceu, entre outras coisas, no seu Artigo 5º:
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados,
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
Estavam nas Mesas, os senadores José Sarney, Paulo Paim, Eduardo Siqueira Campos, Romeu Tuma, Alberto Silva, Heráclito Fortes e Sérgio Zambiasi; e os deputados federais Inocêncio de Oliveira, Luiz Piauhylino, Geddel Vieira Lima, Severino Cavalcanti, Nilton Capixaba, Ciro Nogueira e João Paulo Cunha.
Estes e outros cidadãos de tão ‘primorosa’ estirpe é que têm guiado nossos destinos, como brasileiros e como indivíduos, ao longo dos últimos 23 anos – impunemente.
Tão convencidos de que sua política indigenista internacional prosseguirá vitoriosa na conquista de seus objetivos, organizações nacionais e internacionais seguem cumprindo suas agendas. Já estão lá frente, discutindo como deverão ser os acordos que ‘povos’ indígenas deverão firmar com seus vizinhos, e ex-países, sobre as concessões de direitos para exploração de riquezas minerais e naturais em suas terras.
Nesse mês de agosto, por exemplo, o Instituto Sócio Ambiental (uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip - que ‘defende’ bens e direitos sociais, coletivos e relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos dos povos, etc.), está lançando uma publicação especial sobre “o direito de consulta livre, prévia e informada dos povos indígenas e tribais”, previsto na Convenção 169 da OIT, e realizado em parceria com a Fundação Rainforest da Noruega, que apóia a idéia de trabalhar na implementação desse direito no Brasil.
Ou seja, enquanto estamos preocupados com a manutenção de cidades, de fazendas, de unidades militares e de população não índia na região da Raposa da Serra do Sol, e com a questão das demarcações de outras reservas imensas
O que eu estou querendo neste breve artigo é chamar a atenção das pessoas sobre discussões inúteis a respeito de ‘legalidades’ e de ‘constitucionalidades’, na medida em que ‘tudo o que já se tem assinado e escrito pode ser usado contra o Estado e/ou contra o povo brasileiro’, dependendo de interpretações ‘judiciais’ que poderão sempre estar convenientes a quem se esteja servido. Tudo, depois de 1988, tornou-se relativo. Até a verdade, agora, é relativa. O principal de toda essa crise que vivemos, não só aqui no Brasil, mas no mundo todo, ninguém tem a coragem de desnudar – com raríssimas exceções de pessoas que não temem a pecha de louco e de outros adjetivos não menos ‘descredenciadores’.
E aí, vem-me outro devaneio. É o tal negócio: o golpe mais perfeito do diabo foi convencer a humanidade de que ele não existe. Quem é que vai se preocupar com o que não existe?
DE FARSA EM FARSA, A ESQUERDA NOS IMPÕE O FUTURO
Por Rebecca Santoro
29 de agosto de 2008
A Agência Reuters de notícias divulgou, hoje, que Tarso Genro, o ministro da justiça do PT, em rápidas declarações sobre o julgamento do STF sobre a Raposa da Serra do Sol, “se mostrou convencido de que a demarcação contínua será mantida pelo STF”, e completou “quem ouve o ministro falar acha que a vitória já foi garantida”. Tarso disse mais, com ares de satisfação: “Não adianta estourar pontes, fazer ações violentas contra o estado e fazer mobilizações que levem à violência. Não é uma vitória de índio contra branco ou de índio contra arrozeiro".
O ministro, como em raríssimas ocasiões, tem razão. Não se trata de uma vitória de índio contra branco ou de índio contra arrozeiro. Não mesmo. Trata-se de uma vitória do comunismo internacionalista defendido e idolatrado por gente como Tarso sobre todos os brasileiros – excluindo a corja que está no poder e os que a ela tentam se juntar por medo de sucumbir à triste realidade que se instala no país (podem esperar: sucumbirão ainda mais terrivelmente...).
O voto do relator do processo, o ministro Ayres Brito, foi brilhante, como disseram alguns de seus colegas à imprensa. Brilhantemente cínico e hipócrita, isso sim. Como é que um homem com aquela envergadura cultural toda deixaria de saber que na área de savana onde se encontram os vilarejos e fazendas de Roraima jamais habitou tribo indígena nenhuma? Há fotos, inclusive publicadas por este site, que mostram isso perfeitamente. São fotos tiradas por um geólogo que esteve pesquisando a região no início dos anos 70. Há, também, um programa de TV sobre a região feito por Amaral Neto – O Repórter, em 1973. Nele, Amaral Neto mostra as fazendas da região e as cidades, falando do crescimento daquela área. Os índios de aldeia e de tanga? O repórter os encontrou em regiões de mata mais fechada, bem distantes das áreas onde estavam as fazendas. Todos os outros índios estavam perfeitamente integrados à vida nas fazendas, em suas pequenas propriedades e nas cidades.
Como é que um homem tão ‘erudito’, como ele mesmo gosta de qualificar seus colegas de toga, não saberia que os laudos apresentados, para embasar a homologação da reserva em terras contínuas, são forjados contra centenas de evidências que os desmascarariam? Como é que um homem que ocupa a mais alta corte de justiça brasileira – juntando a ele, aqui, o procurador geral da república, Fernando Souza – pode dizer, com toda a calma do mundo, que quem continuou naquela região, depois de 1996, ocupou as terras praticando ‘esbulho’ – que é se apossar de algo que tem dono, de má fé? Meu Deus?! Desde os anos 60/70 essa gente já estava naquelas terras! E mais: acusá-los de estar provocando danos ambientais e culturais aos silvícolas, POR OCUPAREM CERCA DE 1% DA IMENSIDÃO DE TERRAS QUE, AGORA, QUEREM ENTREGAR AOS ÍNDIOS – MUITOS DELES PARA LÁ TRAZIDOS, SEM JAMAIS TEREM SIDO CRIA DAQUELAS TERRAS?
E o parecer do relator sobre os municípios legalmente constituídos e que estão, agora, com a homologação em terras contínuas, dentro da reserva Raposa da Serra do Sol? Os registros de nascimento, de propriedade, de casamento, de identidade, de título de eleitor – tudo isso vai virar poeira? E as fazendas, casas de comércio, casas particulares – devem ser destruídas antes que se volvam aos índios do CIR? Tomara mesmo que não ficasse pedra sobre pedra no que os ‘brancos’ tivessem que deixar pra trás, caso se concretizassem as previsões de Tarso Genro.
Entendam, Roraima está muito longe de onde estou e eu não conheço ninguém por lá. Se o caso se desse no Espírito Santo, por exemplo – e como está efetivamente acontecendo
Um governo não pode ter o poder de dar canetas e sair submetendo uma nação inteira aos seus desejos. Foi uma canetada que nos impôs a Lei Seca: não foi voto popular, não foi voto de Congresso eleito. Agora, como se não bastasse os absurdos constantes do Estatuto do Desarmamento, vão passar por cima do desejo dos brasileiros de que não sejam legalmente desarmados (porque, na prática, é isso o que o Estatuto praticamente já nos impõe) e começam nova campanha para desarmar o povo. O governo pretende fazer novo referendo sobre o tema. Porém, dessa vez, não haverá mais a preocupação de que as urnas revelem a verdade, porque o senhor Luiz Inácio já está eleito, depois de ter enfrentado ‘duro’ e ‘democrático’ segundo turno. Não precisa mais demonstrar que a ‘democracia do voto eletrônico’ funcione perfeita e seguramente por aqui.
Podem apostar: se nada de extraordinário acontecer, se nenhuma reação popular imprevisível sobrevier, as coisas vão se encaminhar no sentido de que tenhamos centenas de nações indígenas, completamente independentes do Brasil, aqui dentro do país. Teremos também centenas de reservas ambientais, centenas de áreas reservadas para reforma agrária do MST e para quilombolas. Teremos ainda concentração dos meios de produção nas mãos de poucos amigos da nomenklatura petista, bem como nas mãos dos membros desta própria e também do Estado. Nossa classe média se nivelará por baixo, formando uma nação de ignorantes, técnicos, de apertadores de parafusos, de profissionais incompetentes de nível superior (que de superior não terão nada) e de funcionários públicos militantes partidários dependentes do Estado. A população será desarmada e ficará completamente à mercê do terrorismo de estado, bem com da militância do crime organizado – que o estado finge combater.
Os militares que atuaram no regime militar – e que são acusados (com palavras e não com provas) de tortura – serão julgados e condenados. Não dá para confiar em leis e em tribunais superiores por aqui. Seremos, também, e, finalmente, parte de um bloco neo-comunista latino-americano, no qual nossas fronteiras serão apenas desenhos em mapas e do qual (prestem atenção nisso) não poderemos sair, senão por falta de condições financeiras, por causa de outras imposições – sejam elas internas ou praticadas no exterior.
Seremos governados por um bando de corruptos esquerdopatas de cujas garras não poderemos escapar. É esse o futuro que nos espera – o futuro no qual viverão nossos filhos, se sobreviverem, e nossos netos, portanto. Passaremos para a História como a geração mais covarde que já habitou essas terras. Esse carimbo eu não vou ter nas minhas costas. Terei outros: louca, rebelde, inconformada, neurótica e mais sei lá quantos puderem inventar. Mas, omissa e covarde – isso eu não fui.
Denúncia Grave Sobre Campanha de Vacinação Contra Rubéola
Rebecca Santoro
24 de agosto de 2008
No último dia 14 deste mês (14/08/2008), o site LifeSiteNews.com publicou matéria do brasileiro, escritor e ativista pró-vida Júlio Severo (de 12/08/2008), denunciando que “o início de um programa compulsório de vacinação em massa no Brasil está levantando suspeitas entre ativistas pró-vida internacionais, que notam que o programa é semelhante a outros em anos recentes que incluíam um agente esterilizante oculto nas vacinas”.
Estes agentes anti-fertilidade provocariam uma esterilidade, provavelmente temporária, ao fazerem com que o sistema imunológico da mulher se voltasse contra a gravidez, passando a confundir o hormônio natural da gravidez com um germe de infecção. Dessa forma, o corpo da mulher acabaria abortando quaisquer possíveis óvulos fecundados, porque o organismo o encararia como um corpo estranho danoso.
Quando a gente se depara com uma denúncia como esta, a tendência é não acreditar (“não é possível que exista gente capaz de fazer um negócio desses”). Mas, então, a gente respira fundo e se põe a fazer um mínimo de investigação a respeito do assunto, para ver se é coisa que se deva apurar mais profundamente ou não. Foi o que fiz e, por isso, não posso deixar de também levantar a questão publicamente, uma vez que há pontos obscuros suficientes na campanha de erradicação da rubéola do ministério da saúde para que assim seja feito. Infelizmente, devo dizer.
A rubéola é uma doença benigna, que não deixa seqüelas. Seu perigo é quando contraída por mulheres grávidas, podendo causar aborto ou deformações graves no feto - o bebê pode nascer com problemas como cegueira, surdez e retardo mental, característicos da Síndrome da Rubéola Congênita. A rubéola é uma doença contagiosa causada por vírus, cuja transmissão é feita de pessoa a pessoa, geralmente, pela via respiratória. O período de incubação pode ser de até 20 dias e os sintomas mais freqüentes são febre, manchas vermelhas pelo corpo e ínguas no pescoço e na nuca. Há casos que podem não apresentar os sintomas e a doença passar despercebida.
Na verdade, por intuição, desde a divulgação da vacinação em massa, eu havia decidido que não tomaria a vacina e nem tampouco meus filhos. Isso foi antes de a faixa etária alvo da campanha ser mais amplamente divulgada – o que não nos incluiria, afinal. Mas, por que eu havia tomado a decisão de não tomar a vacina? Ora, porque eu sei muito bem que a vacina contra rubéola ou é tomada na infância, em duas doses, ou na idade adulta em uma única dose e que, nas duas hipóteses, a imunização vale para a vida toda. E eu e meus filhos já tomamos as vacinas – eles, na infância, de acordo com a tabela de vacinação, e eu, quando jovem adulta.
Todas as tabelas de vacinação existentes no país assim o estabelecem – as de clínicas particulares, do IBGE e as do próprio ministério da saúde (verifique na tabela abaixo – clique em cada figura para ampliar). Aliás, o próprio site da campanha “Brasil Livre da Rubéola” (link ‘A RUBÉOLA’, item n. 27) está escrito:
27. Uma pessoa vacinada na infância pode manifestar a doença quando adulta?
Se a pessoa apresentou resposta imune após a primeira dose, terá proteção duradoura, provavelmente para a vida toda.
TABELA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE
TABELA DO IBGE
TABELA CLÍNICA PARTICULAR


Bem, por que, então, estaria sendo gasta uma fortuna para vacinar, indiscriminadamente, toda uma população de jovens entre 20 e 39 anos, mesmo os que já tenham tido a doença (podendo comprovar com atestado médico ou com teste imunológico) ou os que já tenham sido vacinados?
Respondendo a esse questionamento, o site da campanha afirma que “O caráter da campanha de vacinação é de realizar a eliminação da circulação do vírus da rubéola no País”. Ora, se o objetivo é mesmo eliminar ‘a circulação’ do vírus, por que deixar de fora crianças e adultos mais velhos? Eles não estão entre todos os outros membros que circulam pela sociedade? Não respiram o mesmo ar?
Observem, então, outra resposta que está no site: “Estudos de soroprevalência demonstraram que as pessoas maiores de 40 anos já estão protegidas, pois adoeceram em algum momento de suas vidas. Além disso, os surtos demonstram que as faixas etárias mais acometidas foram entre
(Vamos combinar de fingir que não estamos vendo os inúmeros erros de concordância cometidos nas duas respostas)
Bom, então, vamos ter que rever a lógica do ministério da saúde. Se ele diz que os jovens que tenham tido a doença devam ser vacinados por não poderem ter certeza de que realmente tenham tido rubéola, é óbvio que esta mesma dúvida devesse pairar sobre os menores de 12 e os maiores de 39 anos. Por que os indivíduos com mais de 39 anos estariam imunes por provavelmente já terem tido a doença – dessa vez, com certeza absoluta – e os com idades entre 12 e 39 anos não?
Além disso, há que se considerar que a vacina contra rubéola (vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba) foi implantada no calendário oficial de vacinação da rede pública, em
Dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, por exemplo, revelavam que o Estado havia registrado, em 2005, o menor índice de rubéola da história – foram apenas 27 casos. Os dados de outros estados do Brasil também não eram nem um pouco alarmantes. Levantamento da Secretaria de Saúde do Paraná - outro exemplo - mostravam que, de
Como isso aconteceu? Por que? Podem pesquisar... Não há informações a respeito do assunto, excetuando-se uma investigação feita no Rio Grande do Sul sobre a suspeita de ‘importação’ do vírus, que teria chegado a aquele estado trazido por trabalhadores estrangeiros vindos da Ásia para trabalhar em uma fábrica. A suspeita foi a de que, como havia brasileiros homens adultos não imunizados contra rubéola que se misturaram com os estrangeiros recém chegados, a doença tenha acabado por se espalhar entre eles e, através deles, para outras pessoas da população.
Como se sabe, a doença não é grave, a não ser que seja contraída por mulheres grávidas. Entretanto, apesar de todos os surtos, em 2007, foram registrados, de acordo com dados do ministério da saúde, um total de apenas 17 casos de Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) confirmados: 7
A pergunta é: num país como o Brasil, de proporções territoriais continentais e com cerca de 200 milhões de habitantes, repleto de problemas muito mais graves e urgentes, inclusive na área de saúde pública, 17 casos de SRC justificam uma vacinação, em massa, contra rubéola, em 70 milhões de pessoas – total que a campanha pretende vacinar? Justificam o empenho de milhões e milhões de reais que estão sendo gastos somente com a campanha publicitária? Campanha esta, aliás, que parece estar pretendendo muito mais convencer as pessoas de algo que não lhes pareça muito lógico, do que simplesmente informar sobre a existência da vacina e da possibilidade de que seja tomada gratuitamente nos postos autorizados por quem ainda não tiver tido a doença ou tomado a vacina anteriormente (o que, obviamente, seria o lógico).
No site do ministério da saúde, vemos recomendações de lógica duvidosa a respeito da campanha de vacinação contra rubéola. Em matéria que divulga que o ministério, em articulação com o estado de São Paulo e a prefeitura de Barretos, firmou parceria com a organização da 53ª Festa do Peão de Boiadeiro, para vacinar homens e mulheres de
Em outras palavras: o ministério está dizendo que quem já tomou a vacina e que quem já teve a doença não pode se considerar imunizado (o que NÃO É VERDADE) o bastante e em tempo, devendo, pois, vacinar-se, de qualquer maneira, na campanha. E que, para que todos que convivam em sociedade (exceto num ambiente onde haja indivíduos fora da faixa etária 12 – 39 anos, considerada na campanha – ou seja, num mundo que não existe) fiquem realmente imunes à doença, deve-se vaciná-los, a todos, na mesma época. Isso é mais ou menos como dizer que a cada novo filho que nascesse numa família, por exemplo, todos os membros desta tivessem que se submeter (novamente, é claro) a todas as vacinações que tivessem que ser administradas ao novo membro, para que ‘qualquer eventual vírus fosse eliminado do ambiente familiar’. Ou seja, um absurdo.
As informações divulgadas na campanha também vão de encontro ao que informa um dos centros de informações em saúde para viajantes mais importantes do país, o CIVES, da Universidade Federal do RJ (http://www.cives.ufrj.br/informacao/agenda/agenda.html), que tem como objetivo “a prevenção de doenças em viajantes, através do atendimento indivídual e de consultoria para empresas e instituições”. Clique no quadro ao lado, para ampliar, e veja alguns dos principais esclarecimentos e recomendações que o CIVES faz em relação à rubéola e aos procedimentos de imunização. Trata-se de informações sérias que são dadas a estrangeiros que entram no país bem como a brasileiros que saem daqui para o exterior – coisa que deve, e efetivamente é, levada muito a sério por países desenvolvidos que recebem visitantes estrangeiros do mundo todo.
Além de todas estas questões mal respondidas e que por isso podem levantar sérias dúvidas quanto aos reais propósitos da vacinação em massa contra rubéola aqui no Brasil, há antecedentes de verificação de substâncias alienígenas nos componentes que seriam os normais em determinadas vacinas, que foram usadas em campanhas semelhantes, todas também patrocinadas pelo UNICEF, e acontecidas em outros países – nenhum deles desenvolvido, é claro, embora haja denúncias antigas, nos EUA, de que algumas vacinas, alguns remédios e até alguns alimentos sejam veículos através dos quais se incuta nos cidadãos substâncias que pretenderiam obter outros efeitos (não informados aos consumidores) além daqueles para os quais se propõem oficialmente.
É o caso da campanha de vacinação em massa contra a pólio na Nigéria, em 2004, [http://www.lifesitenews.com/ldn/2004/mar/04031101.html] (clique na fig. acima) e a da contra a rubéola, na Argentina, em 2006, [http://www.diario7.com.ar/nota_completa.php?id=1536] (clique na fig. abaixo).
Na Argentina, foi a Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade de Buenos Aires que confirmou a presença do hormônio gonadotrofina coriônica em vacinas distribuídas pelo Ministério da Saúde daquele país. Esse hormônio, em pequena dose, inoculado junto com a vacina, seria esterilizante, por impedir, não a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, dentro da mulher; mas, sim, o desenvolvimento do corpo lúteo – o que impediria a implantação do óvulo fecundado no útero da mãe. Tanto no da Nigéria como no da Argentina, confirmadas as contaminações, a Organização Mundial da Saúde e o UNICEF disseram, oficialmente, que os ‘achados’ teriam sido casos isolados de contaminação por manipulação inadequada do produto (no caso, as vacinas). Será?
Por isso, as suspeitas levantadas por Júlio Severo em relação à campanha de vacinação em massa contra a rubéola que se está realizando aqui no Brasil fazem sentido, sim, e deveriam ser consideradas por autoridades competentes no país. Severo diz que "É difícil responder” se há agentes anti-fertilidade (e, digo eu: ou ainda outros tipos de agentes nocivos) nas vacinas da campanha Brasil Livre da Rubéola, “até porque”, justifica ele, “quem criou esses agentes teve a clara má intenção de usá-los da forma mais indetectável e imperceptível possível. Mas o que não é segredo são os sentimentos de Temporão (o ministro da saúde) e da UNICEF com relação à vida dos bebês em gestação”... “Assim, o que temos hoje no Brasil é o presidente de um partido pró-aborto, com um ministro da saúde pró-aborto, juntamente com um UNICEF pró-aborto promovendo a inocente campanha Brasil Livre da Rubéola...”
Severo ressalta que “Aborto, segundo a ideologia dos engenheiros sociais, é uma medida social para reduzir a população mundial. Daí que o interesse de Temporão na legalização do aborto tem — debaixo de todo o confete de ‘preocupação com questões de saúde pública’ — a marca registrada e óbvia de interesses internacionais que querem reduzir a população brasileira” (os pobres, de maneira geral, eu diria)... “Aborto e contracepção são o primeiro item na lista de objetivos dos controlistas — indivíduos e instituições dedicados a promover a redução da população mundial. Para levar a população mundial a apoiar políticas pró-aborto, os controlistas apelam para a propaganda da explosão populacional e outras estórias de horror. Tudo é válido para se controlar e reduzir a fertilidade humana, até mesmo a promoção do homossexualismo”... “Pela própria natureza, o homossexualismo é infértil, sendo o sexo ‘ideal’ para alcançar o objetivo da redução da população mundial”.
O escritor afirma ainda que “durante os anos, o UNICEF tem deixado claro que, por trás de sua suposta preocupação com as crianças, o interesse maior é o aborto e outros meios de redução da população”... “Em 1987, o UNICEF, oficialmente, apoiou ‘serviços de aborto de boa qualidade’ na Conferência Internacional de Melhores Políticas de Saúde para as Mulheres e Crianças em Nairóbi, Quênia”... “Em 1993, o UNICEF aumentou — de 2 para 5 milhões de dólares — sua contribuição para o UNFPA, órgão da ONU que vem apoiando a política da China comunista de forçar esterilização e abortos em mulheres com mais de um filho”... “Em 1995, o Supremo Tribunal Federal das Filipinas deteve uma campanha de vacinação em massa contra o tétano. A campanha, apoiada pelo UNICEF, envolvia vacinas contaminadas com o B-hCG, um hormônio que esteriliza e causa abortos espontâneos em mulheres vacinadas”.
Tudo isso é muito grave e deve ser apurado, mesmo que saibamos que, por aqui, muita coisa acabe
OURO BRASILEIRO COM RAÇA E CLASSE
Por Rebecca Santoro
16 DE AGOSTO DE 2008
Ele é brasileiro, tem 21 anos, e foi o primeiro nadador brasileiro a conquistar uma medalha de ouro
Eu havia decidido que não escreveria sobre os jogos olímpicos, assim como muitos o fizeram, pela simples razão de a China ser um dos ícones do neo-comunismo em franca expansão. Não vou entrar nesse mérito aqui. O fato é que não pude resistir a traçar umas linhas sobre esse rapaz e suas conquistas.
César Cielo nasceu pré-maturo, de 7 meses, e decidiu se dedicar à natação, aos oito anos, pelas mãos de sua mãe, que cursara Educação Física. Ela o levou para o clube Pinheiros,
Por que resolvi falar de Cielo? Por que ele é o representante típico da classe-média tradicional brasileira – essa que o lulismo tanto massacra, com palavras e atos. O garoto é inteligente, estudioso, aplicado e esforçado – tudo o que o lulismo abomina, tendo à frente o próprio presidente Lula que, em seus discursos, tanto se esmera em debochar dos estudiosos e em jogar pobres contra ricos, índios e negros contra brancos e ainda ‘os que têm’ contra ‘os que não têm’ (seja lá o que for). É claro que sua excelência não menciona (assim como a grande mídia também o evita fazer) que toda a sua família - netos, principalmente - faz e tem tudo aquilo que fazia e tinha a velha e tradiconal classe média, que em nada devia aos modelos de educação também cultivados pelos mais abastados. Entretanto, já vi reportagens com o balé de uma neta, com bons colégios e direito à festa de aniversário temática naquelas caríssimas casas de festa.
Voltando ao César Cielo. Como se não bastassem todas essas qualidade, o rapaz é um belo exemplar masculino brasileiro, de Santa Bárbara d'Oeste (estado de São Paulo - Região Metropolitana de Campinas), com seus 1,96m de altura, cerca de
O garoto poderia até ter pedido cidadania/naturalização norte-americana para ir para às Olimpíadas e outras competições internacionais, como muitos atletas fazem, em melhores condições e mais bem acompanhado em termos de chance de medalhas. Ele tem todas as condições para isso – o tipo de cidadão que um país como os EUA faz questão de acolher: tem bom caráter, méritos intelectuais, inegáveis qualidades físicas e é um excelente atleta. O garoto poderia ter feito como uns e outros brasileiros inúteis que andam por aí, que pedem cidadania dupla, por exemplo. Não fez nada disso. Em todas as competições internacionais, lá está ele, competindo pelo Brasil – terra de seu berço, de seus familiares, de seus amigos.
Em muito me lembraram, esta vitória de Cielo, as conquistadas por negros norte-americanos nas Olimpíadas de Berlim, quando Hitler era o Füher. Apesar de se saber que há outras duas justificativas para que Hitler não tivesse cumprimentado e nem assistido às premiações daqueles atletas (leia aqui: http://www.duplipensar.net/dossies/2004-Q3/olimpiadas-1936-hitler.html), em vista do que vejo, hoje, acontecer no Brasil, algo me faz tender a acreditar que realmente o Füher tenha deixado o estádio, por raiva mesmo, de ver sua teoria de puritanismo ariano superior ser desmentida daquele jeito, com fatos, na frente de milhares de pessoas. Cada vez encontro mais coincidências entre a Alemanha nazista e o que se passa hoje por aqui.
Estão vendo como é que funcionam as coisas?... A gente começa a ver, em tudo, razões de classe. Foi inevitável fazer esse encadeamento de idéias, de percepções. Um garoto que deve tudo o que é a seus próprios méritos e à ajuda de seus familiares e amigos (e, de quebra, aos recursos encontrados num país estrangeiro, para treinar) demonstra todo o amor que os brasileiros cultivam por esta terra e por nossa gente. Parte de toda aquela emoção demonstrada por Cielo, com certeza, se deve a aquele ‘filmezinho’ de nossa vida que passa em nossa mente, em momentos de grande tensão ou de grandes alegrias. No que passou pela cabeça de Cielo, certamente, posso apostar, estavam impressos seus sacrifícios, a falta de apoio que é dada aos nossos atletas e a tristeza de viver numa terra que judia tanto de seus filhos.
Não, eu não tenho o direito de politizar, digamos assim, a vitória de César Cielo, nem suas emoções externadas, mas, posso, sim, interpreta-las à luz desse ponto de vista, que é o meu e não necessariamente o dele. Vai dizer que ninguém enxergou, nem minimamente, isso que eu vi...
Assistam ao vídeo com a vitória de Cielo, vale a pena:
ANISTIA: GOVERNO MUNDIAL TERÁ QUE SE EXPOR CADA VEZ MAIS
Por Rebecca Santoro
16 DE AGOSTO DE 2008
Finalmente, a ONU ‘dá as caras’. O Brasil é um país ‘atípico’ dentro da América Latina, não só por suas proporções gigantescas e pelo português que falamos, de norte a sul e de leste a oeste, mas por nossas tradições e costumes, completamente diversos dos que se cultuam em nossa vizinhança. Temos tradições de sempre buscar a paz e o entendimento, tanto interna como externamente. Tivemos sido, e ainda o somos em maioria, um povo pacífico, em essência, pelo menos até que orda de comunistas tivesse começado a destilar seu veneno entre nós, digamos, mais maciçamente, nos últimos 25 anos – o que já produziu geração de jovens adultos mentalmente deformados pela visão esquerdopata do mundo (uma doença crônica e incurável). Somos um país no qual a tradição religiosa – mais a católica (e é só por isso que nossos governantes falam e usam o nome de Deus; pois Nele não repousam sua fé, comunistas que são) nos levam a valorizar o respeito à família, a vontade de trabalhar e de progredir e a liberdade, embora não nos mostre assim, muitas vezes, o que sai na imprensa.
Estas e outras características particulares do Brasil, que nos aproximam muito mais dos norte-americanos, como concepção de nação, do que de nossos vizinhos mais próximos, estão dificultando, ENORMEMENTE, a implantação das condições necessárias para o progresso da implantação do neocomunismo internacional, cujo principal articulador é a ONU. Tudo aqui tem sido mais difícil. Nossas Forças Armadas (muito mais pelo que sempre representaram para a História do país do que pelas suas próprias ações hoje em dia), a Igreja (ou a grande parte dela que não está infiltrada pelo comunismo) e nossas Tradições são um enorme entrave enfrentado por aqueles que querem fazer do Brasil parte de uma grande pátria latino-americana – um bloco governado por mãos comunistas.
Por isso, estas três ‘figuras’ nacionais estão sendo bombardeadas por todos os lados – tudo em nome de um ‘progressismo humanitário’ que não existe senão para nos levar para o inferno da prisão comunista. O fenômeno é internacional, já que o comunismo sempre teve e sempre terá ambições de dominar o mundo para dele usufruir uma elite privilegiada e no qual realizarão seu experimento primordial de transformar o homem e ser coletivo, retirando dele sua essência individual, que, no final das contas, é o que o torna ‘a criatura’ de Deus.
Os EUA, por exemplo, hoje, enfrentam sua pior guerra. Milhões de cidadãos norte-americanos debatem-se em agonia diante do fenômeno de tentativa de destruição daquela sociedade e do seu próprio Estado, principalmente como Nação. Milhares deles tentam alertar outros cidadãos, principalmente, sobre o perigo que representa uma provável eleição de Barak Obama – cidadão de origem desconhecida (pois, até hoje, não apresentou seu verdadeiro registro de nascimento) e ventríloco mor da internacionalização comunista patrocinada pela ONU. No Brasil, o fenômeno age e repercute de maneira diferente. Mas é o mesmo.
No caso específico da revisão da Lei da Anistia, agora (acho que, finalmente, não taxarão de ensandecidos aqueles que assim o falarem daqui para frente) está mais do que evidente que se trata de campanha internacional, patrocinada pela ONU (leia-se a nova Internacional Comunista), que pretende eliminar da face da terra, como exemplo vivo, para que futuras gerações não se atrevam a reagir, da única maneira que esse inimigo entende e leva sério – pelas armas, à institucionalização do Governo Mundial. É comprometido com esse Governo que muitos de nossos últimos governantes agiram. O atual não é diferente.
No Brasil, a ONU vem tentando anular nossa Lei de Anista não é de hoje. Tentaram em 2001, quando um comitê daquela organização mundial sugeriu ao governo brasileiro que revisse sua Lei de Anistia. Novamente, em 2004, veio ao país outro comitê da ONU para levantar o assunto com o governo. Acontece que, em tendo visto falhar todas as tentativas de anular ou de mudar essa Lei por aqui, agora, a ONU teve que ‘se arriscar e se expor’, enviando representantes ‘peritos’ ao país para pressionar, publicamente, o governo a fazê-lo. Traduzindo: o governo fingiu que convidou os tais peritos, assim como fingirá estar sendo pressionado pela ONU para rever a Anistia – o que, sabemos, significa punir militares que lutaram contra comunistas, para aniquilá-los, fazendo-os de exemplo para os que venham a tentar reagir à futura implantação do comunismo internacional, e até mesmo para facilitar o processo.
Um destes ‘peritos’, Jean Ziegler, ativista em ‘direitos humanos’ disse que "Está mais do que na hora de o Brasil enfrentar esse assunto da anistia. Não por vingança contra os militares. Mas porque o Brasil é praticamente o único grande país latino-americano que não tratou do assunto"... "A manutenção da lei corrói a moral do País."
Ora, senhor perito, o país e nosso povo não está nem um pouco sequer interessado
Não é uma piada. É a mais pura verdade. Entre os opinadores de plantão está Miguel Alfonso Martinez, um cubano outro perito da ONU. Não, ele não está empenhado
Por Rebecca Santoro
12 de agosto de 2008
A matéria intitulada “Tortura não é crime político”, publicada na última edição da revista Isto É, de 11/08/2008, e assinada pelos jornalistas Alan Rodrigues e Octávio Costa, deveria entrar para o hall daquelas que podemos chamar de exemplar. Deveria ficar eternizada nos livros acadêmicos da Comunicação Social, nos capítulos que tratassem especificamente de “tudo o que não se deve fazer em jornalismo”, ou de “jornalismo a serviço da militância esquerdopata”, ou ainda de “como envergonhar seus colegas de profissão”.
Infelizmente, há maus profissionais em tudo quanto é área e a de jornalismo não haveria de ser exceção.
Vamos dissecar a tal matéria.
De cara, o título “Tortura não é crime político”, por ser uma frase alardeada na imprensa pelas falas do ministro Tarso Genro, deveria vir entre aspas. Mas, veio como afirmação. E, se veio como afirmação, esperava-se, no mínimo, que houvesse, ao menos, a menor tentativa que fosse de definir ‘crime político’. Entretanto, não haveria como fazer isso sem deixar de dizer o óbvio, ou seja, que crime político é um crime (portanto não o deixa de ser) que é cometido por motivos supostamente ideológicos. Uma falácia: todos os crimes são ideológicos, ainda que a ideologia seja a própria do criminoso.
Não? Então consultem os livros sobre o tema e os dicionários. Neles, entre uma variação e outra, estarão definições mais ou menos assim: “ideologia: 1 Sistema que considera a sensação como fonte única dos nossos conhecimentos e único princípio das nossas faculdades; 2 Maneira de pensar que caracteriza um indivíduo ou um grupo de pessoas; 3 Ciência que trata da formação das idéias; 4 Tratado das idéias
Logo depois, continua a matéria, uma frase: “A punição de torturadores da ditadura pode ser um caminho para o Brasil conhecer verdades ainda ocultas do regime de
Em seguida, duas fotos e uma descrição: “REBELIÃO DOS MILITARES - Generais e coronéis, da reserva e da ativa, se manifestam contra Tarso Genro no Clube Militar, no Rio, enquanto, do lado de fora, estudantes apóiam o ministro”. Primeiro, os militares, em visível estado de ‘bom comportamento’, são apontados como estando a fazer uma “REBELIÃO MILITAR”, tudo em caixa alta, que é para reforçar essa idéia. Já os estudantes, bastante efusivos, apenas “apóiam o ministro” (Tarso). A primeira foto está perfeita, técnica e esteticamente.
A segunda - a dos estudantes - parece aquelas que se tiram com máquinas fotográficas amadoras, que acabam registrando movimentos mais acelerados sob forma de ‘rabiscos de luz’, de ‘embaçado’, de falta de foco. O efeito disso nessa foto? Ora, o leitor não consegue determinar o número de pessoas presentes à manifestação e nem o desprezo dos transeuntes pelo ato, para o qual nem mesmo dirigiam o olhar. E, é claro, a matéria não revela, em lugar nenhum, o número de manifestantes – de insignificantes
Depois, a matéria vem com um partidarismo tão absurdo que praticamente dispensa comentários quanto à intenção: “Mas a lei incluía os chamados "crimes conexos" - um eufemismo para livrar torturadores do regime de processos futuros. Aprovada em agosto daquele ano, a Lei da Anistia beneficiou 4.650 pessoas e gerou uma espécie de amnésia coletiva - os militares nunca tornaram públicos os detalhes das ações de repressão ao terrorismo, se aposentaram como se todos os arbítrios da ditadura fossem uma página virada e jamais foram legalmente cobrados pelos crimes que porventura tenham cometido”.
Primeiro, define os “crimes conexos” como “eufemismo para livrar torturadores do regime de processos futuros”. Como assim? Tortura seria ‘mais crime’ do que seqüestros, assassinatos, assaltos e até mesmo do que a tortura praticada pelos ‘revolucionários’ contra civis e contra militares? E, depois, por que essa perseguição somente aos militares e não aos policiais que, afinal, são muito mais citados nas denúncias ‘oficiais’ de tortura, que quase sempre se referem a agentes (dos DOPS etc.) e não a tenentes, capitães etc.?
Depois, para não perder a oportunidade, esclareça-se aos alunos que a palavra eufemismo foi empregada de maneira errada, porque não cabe em ‘ações’ (ninguém pratica eufemismo) – trata-se de um recurso lingüístico que nos permite substituir palavra que se suponha ‘feia’ ou ‘agressiva’ por outra ‘mais agradável’ e que, por isso, só deve ser atribuído a palavras ou ao uso das mesmas. Ou seja, uma pessoa, uma coisa ou um fato não podem ser ‘eufemismo’, nem praticá-lo. Sendo assim, a matéria poderia trazer “crimes conexos – um eufemismo para ‘impunidade’ (que é o que queria expressar), no caso, dos torturadores do regime em processos futuros”. É, alunos, não basta florear, tem que saber como.
Em seguida, mais outra frase: “os militares nunca tornaram públicos os detalhes das ações de repressão ao terrorismo... e jamais foram legalmente cobrados pelos crimes que porventura tenham cometido”. Ora, faltou mencionar que isso acontece, simplesmente, porque implicaria, também e obviamente, em que fossem revelados todos os crimes cometidos pelos ‘revolucionários’, desde sempre os maiores interessados em que ‘os arquivos’ jamais fossem tornados públicos. Pergunte para a Dilma Rousseff, chefe da casa civil, que está, há anos, com a ‘chave da porta dos tais arquivos’ e não abre. É que, primeiro, segundo a própria ministra, estaria sendo feito um processo de ‘filtragem’, para não expor ao constrangimento público ‘uns e outros’ (que, é claro, não seriam os policiais e os militares).
No final das contas, em se revendo a Lei da Anistia, meu caro repórter, com otimismo, seriam uns dez ‘militantes’ a terem que ser presos, para cada ‘agente’ que tivesse que ‘pagar por seus crimes’, e uns vinte para cada militar. Não é por outro motivo que ‘heil’ Tarso e companhia só querem que apenas o crime de tortura – sobre os quais, diga-se de passagem, não há uma única prova concreta e sim ‘palavra contra palavra’ – seja ‘reconsiderado’, ou, como diz o ministro, ‘considerado’, porque a ele, nominalmente, não se tenha referido na Lei da Anistia.
Continua matéria: “Até que, num seminário interno, de nome tão caudaloso quanto prolixo (Limites e Possibilidades para a Responsabilização Jurídica dos Agentes Violadores de Direitos Humanos durante o Estado de Exceção no Brasil), o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que não considerava tortura e violação de direitos humanos crimes políticos, mas comuns”... "A partir do momento em que o agente do Estado pega o prisioneiro e o tortura num porão, ele sai da legalidade do próprio regime militar e se torna um criminoso comum", disse Genro, repetindo um raciocínio que havia exposto recentemente numa entrevista à ISTO É. Mas aí veio a frase que ressuscitou a ira dos militares: "Ele (o torturador) violou a ordem jurídica da própria ditadura e tem que ser responsabilizado (...) atos de tortura não podem ser beneficiados pela anistia."
A declaração do ministro, sem dúvida, impressiona – não pelo conteúdo, é claro, completamente falso, mas pela capacidade de fazer com que um possível interlocutor necessite de alguns segundos para processá-la. No caso de um repórter, ‘alguns segundos’, dependendo da situação, são fatais para que não se possa fazer uma outra pergunta que esclareça as falhas da declaração feita. Um exemplo: “Mas, senhor ministro, seqüestros, assaltos e assassinatos, entre outros crimes, como explodir bombas em aeroportos e em embaixadas, por exemplo, matando e aleijando civis - todos estes crimes praticados pelos ‘revolucionários da época’, também não estavam ‘fora da legalidade do próprio regime militar’, como afirmou estar a ‘tortura’? E, por isso, não estariam também ‘eles’, os ‘revolucionários’, no caso, violando a ‘ordem jurídica’?"
Ou seja, o homem falou um absurdo e o repórter ‘engoliu’, sem esboçar reação.
Continua a matéria: “Tarso Genro não pretende reabrir a Lei da Anistia, mas defende que os responsáveis pela tortura durante o regime militar respondam criminalmente com base na Convenção Internacional de Direitos Humanos, um pacto internacional feito em 1969
A reportagem deveria, mas não esclareceu: Tarso, naturalmente, deve estar se referindo à Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos e Punições Cruéis, Desumanos e Degradantes, que entrou em vigor em 26/06/1987, depois de aprovada pela ONU, em 10/12/1984. O Brasil retificou a esta Conveção, em 28/09/1989. Seu Protocolo Opcional, de 18/12/2002, e que vigora desde 22/06/2006, também foi ratificado pelo país, em 12/01/2007. Em
É bom que se diga, na Convenção contra a Tortura não há uma única linha sequer na qual se possa ler que se trate de um crime ‘imprescritível’, como diz Tarso Genro, bem como há claríssimas cláusulas afirmando serem prioritárias as leis estabelecidas nas constituições, e as regras dos códigos penais, de cada país membro signatário. Toda e qualquer ação de julgamento, em se tratando de exceção, pode ser julgada por tribunal estabelecido internacionalmente (*) (e não localmente), geralmente em se tratando de julgar crimes de guerra, já definidos por acordos internacionais (Convenção de Genebra e Estatuto de Roma). Alguns crimes de guerras conhecidos foram os cometidos por Adolf Hitler e por seus oficiais, na época da II Guerra Mundial, além de os cometidos por alguns rebeldes, na "guerra" de Ruanda, África, em disputa entre etnias pelo poder naquele país. Em ambos os casos foram criados cortes especiais, como o Tribunal de Nuremberg e uma ‘corte para Ruanda’, respectivamente.
Além disso, não se sabe como Tarso recorreria a um tribunal internacional para levar seus projetos de ‘vingança’ à diante, uma vez que a posição do país, na atualidade, no simples cumprimento do que estabelecem os acordos internacionais, beira o vexame, com dezenas de compromissos ignorados. Basta que se leia o “Relatório Sobre Tortura no Brasil”, concluído, em 2005, pela nossa própria comissão de Direitos Humanos no Congresso. Vale lembrar, também, que, em maio de 2000, o relator especial da ONU sobre a tortura, Nigel Rodley, esteve no Brasil, por três semanas, levantando dados para elaborar um relatório final. Na época, vejam o que declarou à Folha de São Paulo:
“Eu não posso adiantar nada do relatório. Mas o próprio governo disse que há tortura frequente no Brasil. As autoridades federais e estaduais reconhecem isso... Há coisas incontroversas: as condições de detenção nas delegacias de polícia são absolutamente estarrecedoras. Fomos a uma delegacia policial
No final da entrevista, Rodley foi claro: “O relatório não trará sanções para o Brasil. A ONU não entra em sanções, a não ser em casos extremos”.
Apesar de toda esta situação vexatória, no presente, e que necessitaria de providências urgentes, muito trabalho, dinheiro e dedicação por parte dos poderes públicos e dos governos estaduais e federais, “corre
Do ponto de vista técnico? Só se for o ‘técnico-ideológico’. Não se trata de 'tecnicidade' nenhuma aqui. Foi um acordo entre inimigos, depois de uma batalha, supostamente, em nome da paz e da reconstituição democrática do país. O mínimo que uma boa reportagem sobre o tema Anistia tem que obrigatoriamente mencionar é que a exigência de que esta fosse 'ampla, geral e irrestrita' foi da esquerda de Tarso, que hoje está no poder. O ministro está dando, afinal, com essa proposta de 'revisão', mais uma prova histórica de que não se pode confiar em comunista.
O fato é que, num país onde impera a ignorância e no qual se lê muito pouco, principalmente sobre assuntos técnicos e sobre política, a imprensa deveria tomar cuidado redobrado, não ao divulgar o que se diga, mas em explicar que o que está sendo dito não se trate da mais pura verdade, ainda que tenha saído da boca de presumíveis ‘autoridades’.
Mais adiante, continua a reportagem: “O general Enzo Martins Peri, chefe do Exército, disse ao presidente Lula que ‘é preciso pôr uma pedra sobre esse assunto, até porque, este tema abre feridas e provoca indignação’. Tem razão e não há mal nenhum nisso até porque as feridas não foram fechadas - e é isso que prova a indignação do ministro da Justiça com a tortura. Num caso que beira à indisciplina, o comandante militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira, tirou o uniforme e foi "como pessoa física" a um seminário sobre a Lei da Anistia no Clube Militar do Rio de Janeiro, na quinta- feira 7. Tudo um eufemismo para se criar o palco para protestos destemperados contra Genro.”
Bem, meus caros, chamar essa matéria de reportagem, depois do que foi dito acima pelo jornalista que a escreveu, é ofender a inteligência do leitor. Trata-se de texto para defender um determinado ponto de vista. Ponto final. Caberia num artigo ou num editorial, que pressupõem essa intenção. Depois, para não perder a oportunidade, esclareça-se aos alunos que a palavra eufemismo foi empregada, novamente, de maneira errada.
O mais grave, entretanto, sobre esta ‘reportagem’, está nos bastidores. Coisa rara termos acesso ao processo de composição de uma matéria jornalística. No caso desta matéria da Isto É, tivemos essa oportunidade porque um dos entrevistados foi o escritor, articulista e psicanalista Heitor de Paola. Foi ele quem divulgou a entrevista que deu e que deveria ter sido veiculada junto com esta reportagem da revista. O jornalista Alan Rodrigues, um dos que assina a tal matéria, entrevistou Heitor, por e-mail. Notem: não foi um ‘bate papo’, uma conversa informal, sobre a atitude do ministro Tarso e sobre a própria Anistia, para que o jornalista se preparasse para abordar o tema dentro de uma futura reportagem, mas, sim, o envio de perguntas formais que, supostamente, deveriam ser publicadas junto à matéria.
Entretanto, como se constata ao ler a entrevista que Heitor concedeu, nenhuma linha sequer da mesma foi publicada, assim como também não existe, na matéria, nem mesmo a mais longínqua abordagem do tema sob seu ponto de vista, que é contrário ao de Tarso – o qual a reportagem nitidamente defende.
Isso não é jornalismo; é militância – que, aliás, não é crime nenhum, desde que essa abordagem fique bem clara ao leitor, ao ouvinte ou ao telespectador. No caso desta matéria veiculada pela Isto É, não há esse tipo de esclarecimento. Trata-se de um exemplo bastante abrangente, e triste, de como não fazer jornalismo.