"Caro colega Dr. Paulo R. e demais. Sinceramente, não vejo nada de ilícito na comunidade indicada ('Animais eu mato na facada II').
Trata-se sim, e nota-se por alguns tópicos e eventos ('denunciem a democracia'), de uma clara provocação democrática à democracia, em um sentido plenamente socrático. O tema da comunidade é uma provocação aos extremistas ecológicos, ironicamente fundamentada nos direitos humanos. A meu ver não se trata de um problema de confiar no Ministério Público (ou seja, nas pessoas do Ministério Público) ou qualquer outra instituição, muito embora a semântica da 'confiança nas autoridades' seja muito conhecida dos regimes ditatoriais.
A questão é saber em que tipo de sociedade queremos viver. Com que tipos de opiniões e críticas – mesmo que anônimas – estamos preparados para lidar? Em uma sociedade em que todas esferas da vida são colonizadas pelo direito, como fazer qualquer crítica ao sistema (como a crítica à proteção ecológica) que não seja uma apologia do ilícito? Como diferenciar a apologia do ilícito da vontade de mudança? Posso concordar – confesso que um pouco a contragosto – com a fiscalização do uso do ORKUT para evitar a prática de crimes concretos (difamação, calúnia ou injúria de indivíduos ou venda de drogas ilícitas, pornografia infantil, prostituição, etc.), ou seja, para proteção das pessoas, não para fiscalizar 'crimes de opinião'.
Posso aceitar a limitação à liberdade de expressão para proteger direitos individuais, mas não para preservar opiniões socialmente predominantes."
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