Moonlight Serenade
(um conto de Natal por Jacob Black)
Eu a observei correr por toda a extensão da pedra e então saltar. Uma queda de quase 10 metros e ela entrou na água com suavidade e precisão. Eu mantinha meus lábios pressionados para evitar um sorriso conforme eu me aproximava da borda e ela emergia. Os olhos dela foram rápidos ao encontrar a minha figura; ela franziu o nariz levemente.
-O que foi Jacob? – ela perguntou enquanto se impulsionava para cima, arrumando o laço do biquíni.
-Billy me pediu para vir ter certeza de que você, Seth e Sue vão passar a ceia lá em casa.
Ela deu ombros.
– Se foi o que mamãe prometeu, nós vamos. – ela tinha um tom de quem não tinha muita escolha e isso, por algum motivo bizarro, me divertiu.
Eu acenei positivamente com a cabeça e ela continuou me encarando.
-Mais alguma coisa?
-Ah, qual é Leah! – eu soltei uma risada pelo nariz, ela tinha a capacidade de me deixar nas nuvens e me levar ao chão em alguns poucos segundos.
-Qual é o que, Jacob? – a mania que ela tinha de usar meu nome inteiro quando ela estava brava era realmente fofo, se eu não soubesse as conseqüências disso.
-Você vai ficar brava comigo para sempre agora? Eu já pedi desculpas.
-Eu não estou brava.
Eu tive que gargalhar diante do cinismo dela.
-Certo, e o Papai Noel vai trazer um saco cheio de presentes só para você, lobinha.
Ela grunhiu diante do apelido que ela tanto detestava, meu sorriso se alargou.
-Não me provoque Jacob Black.
-Então pare de agir como criança Leah Clearwater.
-Não é infantil ficar magoada, Jacob. – o tom de seriedade foi meio alarmente.
-Leah, não há motivo algum para desconfiança ou mágoa. Eu fui me despedir.
-Isso é meio irrelevante, Jacob.
-Não é irrelevante, muito pelo contrário, é o que faz toda a diferença.
-Você a ama, Jacob. É irrelevante. Eu sei muito bem que você a ama de longa data.
-Leah, eu a vejo como uma irmã mais nova, pelo amor de Deus.
-Mas nem sempre foi assim, Jacob.
-E? – eu desafiei.
-E não é fácil ficar indiferente quando você vai visitar a garota que você ama, e que de alguma forma ama você de volta.
Eu sorri abertamente.
-Então é sobre isso que estamos falando! Por Deus, Leah, quantas vezes eu vou ter que dizer que a Bella não é nada além de minha amiga?
-Quantas vezes forem necessárias. Eu sei que agora ela é uma sugadora de sangue, e que é meio impossível você amar ela fisicamente, mas ainda assim, Jacob, vocês têm uma ligação emocional que vai além do seu instinto natural de matar ela toda vez que você a encontra.
-Leah, eu estou com você. – eu ficava meio desconfortável em me mostrar tão vulnerável assim, ainda mais quando essa maldita loba poderia estragar tudo que eu havia planejado para hoje à noite.
-E? O Sam também estava comigo, e nem por isso...
-Não ouse! – eu a interrompi, agora verdadeiramente irritado – Não ouse comparar o que nós temos com o que você e ele tiveram, Leah. É insultante.
-Exatamente Jacob, é insultante que você precise tanto daquela sugadora de sangue. – ela falou antes de começar a subir o rochedo novamente.
-Leah, eu estou tentando conversar aqui! – eu rugi, emputecido. Ela não deu sinal de ter me ouvido, embora fosse óbvio que ela tivesse.
Insatisfeito eu me voltei para a floresta. A mania de fazer tudo ser tão mais complicado do que poderia ser era exaustiva. Ainda assim a necessidade que eu tinha dela era meio alarmante. Eu não sabia que estava tão apaixonado por ela até estar, como tudo que acontecia entre nós, foi um acaso que deu muito certo.
A primeira vez que nós ficamos juntos foi uma tentativa de fazer dois meios virarem um inteiro, e eu acho que foi uma surpresa para nós dois o quanto realmente éramos um inteiro quando estávamos juntos. Tudo meio que foi uma conseqüência quase que inevitável depois desse ponto. Era estranho como eu nunca havia percebido que ela era perfeita para mim sendo que estávamos tão perto um do outro o tempo todo.
Nós dois procuramos amor onde não havia amor para nós – não o suficiente, pelo menos. Até quando nos tornamos o suficiente um para o outro. E agora ficar longe dela doía fisicamente. Do seu jeito inconseqüente e cabeça quente de querer decidir tudo impulsivamente, da maneira gentil que ela tratava o Seth quando não tinha ninguém por perto, do som cristalino da sua risada, das suas unhas nas minhas costas, a sua boca na minha boca, dos seus sussurros quando fazíamos amor... Aquela maldita loba me prendeu, e eu me tornei tão vulnerável às suas vontades, seus desejos – a ela – que era quase revoltante a forma com a qual eu pertencia a ela.
A noite chegou com os graus negativos, mas eu não podia dizer sinceramente que estava com frio, exceto por Billy e Sue, ninguém realmente podia. Billy conversava com Sue ao pé da lareira, Seth procurava algum canal de esportes na televisão e Leah encarava o nada. Minhas irmãs não quiseram ter de enfrentar o frio no natal esse ano então ficaram no Hawaii, os outros lobos do bando estavam com suas famílias e impressões, de forma que nessa noite seríamos apenas nós.
Eu me aproximei de Leah, mas ela ainda estava magoada demais para dar sinal de reconhecer a minha presença. Eu suspirei profundamente, me controlar seria fundamental hoje a noite.
Ela estava muito bonita. Um vestido preto – tal quais seus cabelos – com um decote nas costas, e uma sapatilha. Eu sabia o quanto ela detestava salto alto. Sorri intimamente, era estranho que eu a conhecesse tão bem assim, e de alguma forma, confortante.
-Você está linda. – eu sussurrei no seu ouvido, me aproximando dela.
-Obrigada. – ela disse meio formalmente.
-Eu queria conversar com você lá fora, será que...
-Presentes! – foi Billy quem me interrompeu. Eu suspirei pesadamente – Vamos, vamos, garotos! – ele e Sue estavam animados. Leah juntou-se a eles e eu me sentei onde ela tinha estado.
As risadas e os agradecimentos agora preenchiam toda a casa. Seth revirou os olhos diante do meu presente para ele – um barbeador elétrico.
-Obrigado Jake. – ele riu erguendo a caixa para que eu pudesse ver.
-Não por isso Seth. – eu sorri meia boca. Era obviamente uma piada, mas ainda assim, ele parecia ter gostado.
Sue agora recolhia os papéis rasgados no chão, e Billy admirava seu novo suéter. Leah voltou-se para mim com um pacote vermelho na mão. Éramos os únicos que não tínhamos trocado presentes ainda. Eu sorri e me levantei.
-Eu espero que você goste. – ela falou. Apesar do tom levemente ressentido havia veracidade nas suas palavras.
-O meu primeiro. – eu coloquei o pacote que ela me entregou cuidadosamente em cima da cadeira e puxei-a para a varanda antes que Billy me interrompesse novamente.
Ela escorou-se no pilar e encarava os flocos de neve que desciam sem parar. Mesmo ela com um vestido de mangas curtas, ela não sentia frio. Obrigado metabolismo lupino.
-Leah, - eu pigarreei e ela olhou para mim. – Eu sei que quase tudo que eu faço ou até mesmo digo acaba deixando você irritada. – eu sorri meia boca – E mesmo assim você está comigo, esteve comigo durante todo esse tempo. Sem me pedir promessas, sem exigir nada além daquilo que eu estava preparado para oferecer. Você foi paciente, carinhosa, você me aceitou exatamente como eu sou.
Ela abriu a boca, mas eu coloquei meu dedo indicador nos lábios dela.
-Já faz um bom tempo que eu quero fazer isso, pedir isso. Mas me falta sempre a coragem. Sempre tenho medo de que você possa descobrir alguém mais maduro, mais certo para você. Mas não consigo ver dia mais perfeito que hoje, que todos os que passamos juntos. – eu desci em um joelho e eu a vi arregalando os olhos.
-Jacob, o que você está fazendo?
-Eu estou tentando aqui, Leah. – eu ri – Eu pensava que seria importante como eu pedisse, ou o lugar que eu pedisse, mas eu descobri que o importante é você. O modo como você me faz sentir todos os dias, sentir você nos meus braços e saber que eu sou a pessoa mais feliz do mundo por ter você comigo. E se você deixar, se você quiser, eu vou passar o resto da minha vida tentando fazer você sentir o mesmo. Leah, você quer se casar comigo?
Os olhos dela estavam marejados e ela tinha um sorriso no rosto.
-Sim, claro que sim Jake! – ela ria baixinho enquanto se ajoelhava também para poder jogar os braços no meu pescoço e juntar seus lábios com os meus.
Separamos-nos por ar e eu tirei o anel da caixinha preparando-me para colocar no dedo dela.
-Oh wow Jake, é lindo! – ela sorriu de maneira esplêndida para mim. – Obrigada.
Eu sorri antes de puxá-la para mais um beijo. E era incrível o quanto eu ficava inteiro quando ela estava comigo. Puxei-a de pé, limpei algumas lágrimas que escaparam dos seus olhos e beijei a sua testa.
-Vamos, - eu puxei ela – quero ver o que eu ganhei, agora.
Ela riu.
-Você é muito presunçoso, Jake. Você me deu, bom, você de Natal.
-E fica melhor que isso? – eu dei uma piscadela para ela que revirou os olhos.
Eu abri o pacote vermelho. Uma jaqueta de couro preto. Ou melhor, não uma jaqueta A jaqueta. Eu tinha visto essa jaqueta da última vez que levei Leah no cinema em Port Angels – e já fazia um bom par de meses – e ela havia lembrado.
-Obrigado, amor. Você lembrou! – eu sorri antes de agradecê-la com um beijo.
-Se você rasgar ela Jake quando se transformar, eu juro que eu mato você. – ela grunhiu contra o meu pescoço enquanto eu ria.
-Ew, vocês dois, parem com isso, eu estou tentando ver tevê aqui! – Seth jogou uma almofada contra as minhas costas. – E... ei, que é isso no seu dedo Leah? – o pequeno lobinho soltou um impropério – Ô mamãe! Billy! O Jakey e a Leah estão noivos!
-Seu pentelho! – eu dei um tapa na cabeça dele. – Não é assim que se conta esse tipo de coisa.
Sue se aproximou, secando as mãos em uma toalha antes de pegar a mão da minha noiva para olhar o anel.
-Oh Jacob, Leah, isso é maravilhoso! – ela abraçou primeiro a filha depois a mim.
-Meu filho tomando jeito. – Billy riu rouco – Se abaixe aqui seu lobo! Nem para contar para seu velho essas coisas. Parabéns Jake, você vai ser muito feliz. – ele falou no meu ouvido antes de separar o nosso abraço e virar-se para a sua futura nora.
-Fale sobre milagres de Natal! – Seth riu alto.
-Seria muito errado se eu matasse o meu cunhado antes do casamento? – eu sussurrei para Leah no ouvido dela.
Ela riu fracamente.
-Deixe para amanhã Jake, hoje é Natal. – ela sorriu meia boca e me puxou para um beijo.