Bem, na verdade, na verdade, estou aqui hoje para fazer um anúncio que, creio eu, deixará vocês, leitores, felizes. Sem mais delongas, vamos direto ao cerne da questão: a partir de hoje, vocês poderão ler o segundo livro de New Dawn – Midnight da perspectiva do Edward.
É isso mesmo que vocês leram acima. Não, isso não significa que não teremos mais Bella como voz principal. Significa apenas que, diante do impacto dos acontecimentos dessa segunda parte e do fato de que a Bella está um tanto incapaz de ter uma referência completa do que está acontecendo ao seu redor, teremos os fatos também do ponto de vista do Edward.
Deixo como sugestão para que vocês escutem ao longo dos capítulos narrados por ele o CD Analog Heart, de David Cook. Afinal de contas, a idéia de escrever esse spin-off da série surgiu justamente porque eu estava ouvindo ele.
Por isso, dedico o capítulo ao Cook e ao meu vizinho, que ligou um pagodão aqui na frente, forçando-me assim a sair correndo atrás dos fones de ouvido, forçando-me a enfiar no som o primeiro disco que consegui alcançar. Sim, era Analog Heart. Não, não estou ganhando nada para fazer a propaganda.
De qualquer forma, obrigada, vizinho!
Quero dedicar esse capítulo também ao meu irmão e seus livros de medicina. Eles ajudaram muito, embora tenham provocado um pouco de enjôo (e é por isso que nunca pensei em seguir carreira na área de saúde...).
Tendo assim coberto os principais tópicos destas notas e sabendo que vocês não vieram aqui para ouvir sobre meu vizinho e seu gosto musical, ou os livros de medicina do meu irmão com suas imagens horripilantes, creio que este seja um bom momento para me despedir e deixar vocês com a história.
Até a próxima!
Lulu/Silver.
Carta a Lou Andréas Salomé
...Tira-me a luz dos olhos: continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te...
E embora sem pés caminharei para ti...
E já sem boca poderei ainda convocar-te.
Arranca-me os braços: continuarei abraçando-te
com o meu coração como com a mão...
Arranca-me o coração: ficará o cérebro,
E se o cérebro me incendiares também por fim,
Hei-de então levar-te no meu sangue.
(Rainier Maria Rilke; Cartas a um jovem poeta
Tradução: Paulo Rónai)
PRÓLOGO
AO LONGO DAS MUITAS DÉCADAS DA MINHA EXISTÊNCIA eu estive imerso nos pensamentos daqueles que viviam ao meu redor. Assombrado, talvez fosse a palavra mais certa para descrever o constante burburinho dentro de minha mente.
Muitas vezes, desejei intensamente não possuir tal poder. Não importava onde eu estivesse, com quem estivesse, eu nunca podia estar em silêncio, sozinho comigo mesmo.
Pensamentos amorosos, lascivos, perturbadores, assassinos, tediosos... todos sussurraram em meus ouvidos, preenchendo-me com um conhecimento profundo da psique humana; um conhecimento que nem sempre foi bem-vindo.
Irônico assim pensar que a única pessoa que conseguiu me prender a atenção; a única pessoa a quem eu desejaria ardentemente ser capaz de compreender, tivesse a mente completamente fechada para mim. Irônico que a única pessoa que amei fosse também a única que eu não pudesse ler.
Décadas de observação e aprendizado de como a mente humana funciona não me fizeram capaz de entendê-la. E esse foi meu primeiro e absoluto erro.