Primeira Missão - Parte 01


O homem parado a frente deles tremia. O medo que sentia não era daqueles a sua volta, que aos seus olhos eram meras crianças ainda, mas sim do que iria acontecer a partir daquele momento.

Dois dias antes a família dele recebeu uma carta do governo pedindo para apresentar provas de como havia se tornado bruxo, pois sua bisavó era trouxa. Todos da comunidade bruxa inglesa já sabia o que isso queria dizer, seriam presos. Não só ele, mas toda a sua família.

Seu nome era Armand Weed e, após a morte de Scrimgeour, achou que estaria seguro pois tinha muitas riquezas e posses. Além disso, sua esposa era sangue-puro. Porém seu mundo desabou com a convocação e, em um ato de desespero, pegou sua família e os escondeu em uma de suas casas de veraneio.

Tendo a si próprio como fiel segredo da casa, Weed foi buscar ajuda para tirar sua família do país. Para a sorte dele, um amigo conhecia uma pessoa que sabia de um local para pedir ajuda.

E, por isso, naquele momento, explicava sobre a casa e a cidade onde sua família estava para Lusmore, Samantha, Herman e Isaac.

Era um local praiano ao sul do país, onde havia mais trouxas do que bruxos. Mas era uma de suas casas que eram detalhadas para o Ministério, ou seja, se eles estivessem procurando, seria um dos locais aonde iriam.

- Eu só não entendo o que algumas crianças podem fazer? Vocês... – Weed falou.

- Decidiram doar a vida deles para ajudá-lo. – Godfrey cortou Weed. – Eles estão qualificados e deve confiar neles.

A firmeza na voz de Godfrey não era totalmente compartilhada por todos. Fora Lusmore, que tinha treinamento de domador, os outros três não tinham experiência alguma, era a primeira missão daquela célula.

A missão era considerada algo simples. Eles leriam o papel com o endereço da casa e de lá ativariam uma chave que os levaria a um local de transporte para fugitivos. Como a cidade era longe de Londres, fariam grande parte do trajeto de carro.

- Vocês irão sair daqui uma hora. – Godfrey falou para todos. – O senhor deve seguir o que o líder do grupo mandar, no caso Lusmore. Lembre de todas as regras que foram passadas para você.

O homem assentiu e se levantou para mudar a cor do cabelo e o corte do cabelo. Não deviam mudar a aparência com magia, somente ao modo trouxa. Na sala ficaram todos em silencio que foi cortado por Godfrey.

- Há alguma dúvida de vocês antes de sair? Sei que é a primeira missão de todos, mas não se preocupem tenho certeza que dará tudo certo.

- Eu... Estou nervosa sim, mas acho que será sempre assim, não é? – Sam falou.

- Acho que sim, afinal estamos lidando com vidas alheias. – Lusmore respondeu. – Só confirmando, na direção do carro irei alterar com a Sam que é a única com carteira de motorista.

Eles voltaram o rosto para jovem que assentiu. Sam estava com os olhos castanhos como na foto de sua carteira trouxa que estava com seu nome verdadeiro, mas eles contavam com o fato dela dirigir bem e não teriam problemas.

Todos afirmaram que estavam prontos e em poucos minutos estavam na estrada.

A cidade não era muito longe e em menos de duas horas chegaram a Brighton.

Lusmore, que dirigia naquele momento parou em um estacionamento longe da casa para onde iam. Todas as cinco pessoas que saíram daquele carro não trocaram nenhuma palavra, o clima estava claramente ficando mais tenso.

- Antes de sairmos daqui, iremos ler o endereço. Senhor Weed, por favor? – Lusmore pediu ao senhor que escrevesse o local onde estava a casa.

Após a confirmação que todos leram o papel, Herman pegou o isqueiro e queimou, deveriam continuar a utilizar somente objetos trouxas para não chamarem atenção. Exatamente por este motivo ficou combinado que Lusmore e Sam ficariam com as mãos dadas, como um casal, onde o bardo a guiaria e Herman guiaria Isaac e Armand, sem deixá-los errar com os objetos sem magia.

Enquanto caminhavam eles procuravam aparentar uma conversa calma, mas olhavam em volta discretamente procurando por algum sinal de pessoas que não estivessem acostumadas ao mundo trouxa. Isso era considerado o primeiro sinal que havia bruxos e provavelmente bruxos trabalhando para o Ministério da Magia que tinha aversão a cultura trouxa.

Estavam a dois quarteirões de distancia para chegarem na casa quando Lusmore percebeu ao um homem com roupas pesadas para o clima quente do local. Como combinado caso fosse necessário parar, ele encostou-se a um muro e abraçou Sam. Entendendo o sinal Herman, Isaac e Weed entraram na padaria que tinha no outro lado da rua.

- Tem algo errado aqui... – Lusmore sussurrou para Sam.


continua...





Primeira Missão - Final


A morena queria virar e olhar, mas sabia que estavam parados de um modo em que o bardo tivesse uma visão geral da rua e do movimento das pessoas. Eles haviam escolhido aquele horário à tarde pela grande movimentação de transeuntes na rua.

Dentro da padaria Herman estava encarregado de fazer os pedidos e ajudar ao Isaac controlar o homem que estava nervoso em ir em direção a sua casa. Ele havia pedido um lanche com refrigerante para poderem demorar um pouco mais. Ficaram sentados perto da vitrine onde conseguiam ver o casal à frente e a casa mais a frente.

- Droga... – Lusmore falou abraçando e segurando Sam. – Chegamos tarde demais.

O bardo viu um furgão negro com o símbolo do Ministério virar a esquina. Preocupado com a reação de Weed ele puxou Sam para atravessar a rua e encontrar com os outros.

Ao entrar no local viram Herman e Isaac puxando para longe da vitrine o senhor que não conseguia mais segurar sua preocupação. Eles não conseguiriam mais agir como esperando.

- Se acalme, existem muitos homens do Ministério lá fora. – Isaac falava baixo para Weed.

- Me acalmar?! Como se eu consigo ver daqui eles tentando arrombar minha casa. Temos que fazer alguma coisa! – Weed falou e tentou sair do estabelecimento.

Lusmore segurou com força o senhor e o puxou mais ao fundo da loja. Não poderia arriscar que o ouvissem. Os outros três ficaram parados na vitrine olhando, procurando alguma brecha para poderem agir.

- Por alto eu vi pelo menos uns 15 bruxos, alguns mal disfarçados e outros não. Você não vai conseguir ajudar em nada se for preso agora! – O bardo falou forte com o homem.

Algumas pessoas começaram a murmurar sobre o forte policiamento mais ao longo da rua, provavelmente estavam pegando grandes criminosos.

Em poucos minutos Herman, Isaac e Sam viraram os rostos para Lusmore que não via o que estava acontecendo pois tinha que conter Weed, não havia mais nada que eles pudessem fazer. Entendendo a mensagem deles o bardo assentiu, era hora de se retirarem.

Seguindo o planejado Isaac e Herman seguraram o homem que a cada momento tentava sair para ajudar sua família. Eles o puxaram para um canto mais discreto e aparataram. Sam e Lusmore esperaram pra ver se as pessoas dentro da padaria reparariam, mas estavam todos vendo a ação da “polícia” na casa ali perto. Aproveitando a distração dos trouxas, ela abraçou o bardo e aparatou com ele.

Quando a dupla aparatou no estacionamento, encontraram Weed caído dentro do carro.

- Tivemos que fazê-lo dormir, ele não se continha. – Herman falou.

- Ninguém percebeu nossa chegada. As pessoas que tomam conta do estacionamento continuam naquela casinha lá na frente. – Isaac falou olhando em volta.

Lusmore olhou as feições dos três e viu a tensão misturada com a tristeza. Voltariam para buscar o carro outro dia, ele ativou a chave de retorno a casa e, segurando Weed, falou para todos segurarem aquele lápis, iriam retornar.

*****


Lusmore andava de um lado para o outro enquanto esperava Sam acordar Weed. Tinham que tira-lo do país sozinho, mas antes tinham que fazê-lo entender que não deveria ir atrás de sua família. Herman olhou em volta esperando Isaac que havia saído da casa para buscar Godfrey.

- Pronto. – A jovem falou. – Ele está voltando a si...

Para a surpresa de Sam, o homem acordou rapidamente e furioso. Ele a empurrou para longe e somente não caiu porque Herman a segurou.

- Seus desgraçados, vocês não tinham o direito de me tirar de lá! Eu... – Sem que ninguém esperasse o que iria acontecer, o homem se ajoelhou no chão e chorou. – Eu errei... Foi tudo culpa minha...

O bardo rapidamente andou até Weed, havia mais para saber. Herman fez o mesmo que Lusmore e Sam sentou ao lado do homem no chão tentando acalmá-lo. O homem chorava sem conseguir se expressar, por mais que os três em volta esperassem que ele terminasse de falar o que havia acontecido.

Com um levantar da varinha Sam fez com que um copo d’água flutuasse até Weed.

- Quando paramos para comprar água eu... Enviei um patrono para eles avisando que estava chegando.

- Não acredito que você fez isso mesmo depois de tudo que foi explicado! – Lusmore exclamou. – Claro que eles viram o patrono, claro! Por isso sabiam onde estava a casa!

Ao ouvir o que o outro falou o senhor escondeu o rosto entre as mãos, envergonhado. Sam olhou atravessado para Lusmore, o senhor já havia perdido a família, não precisavam afundá-lo mais.

O bardo suspirou, sabendo que não havia muito mais que pudessem fazer agora.

- Vamos levá-lo para junto dos outros fugitivos. A partida deve ser em breve. Esteja preparado. – foi tudo o que ele disse, dando as costas para os outros, desaparecendo nas sombras da casa.

Sam observou a figura do bardo desaparecer, trocando um olhar com Herman. Ela sabia que tanto o amigo quanto Lusmore compartilhavam naquele momento do seu mesmo sentimento de decepção.

Tinham falhado.