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- Êxtase (do gr. ekstasis, transbordamento do Espírito; de existémi, ferir com arrebatamento); paroxismo da emancipação
da alma durante a vida corporal, do que resulta a suspensão momentânea das
faculdades perceptivas e sensitivas dos órgãos. Nesse estado a alma não se
prende mais ao corpo senão por frágeis laços, que tenta romper; pertence mais ao
mundo dos Espíritos, que entrevê, do que ao mundo material. Às vezes o êxtase é
natural e espontâneo; pode também ser provocado pela ação magnética, e, neste
caso, é um grau superior do sonambulismo.
- O êxtase é a emancipação da
alma no grau máximo. “No sonho e no sonambulismo, a alma erra pelos mundos
terrestres; no êxtase, penetra num mundo desconhecido, no mundo dos Espíritos
etéreos, com os quais entra em comunicação, sem, todavia, poder ultrapassar
certos limites, que ela não poderia transpor sem quebrar totalmente os laços que
a prendem ao corpo. Cercam-na um brilho resplandecente e desusado fulgor,
elevam-na harmonias que na Terra se desconhecem, invade-a indefinível bem-estar;
dado lhe é gozar antecipadamente da beatitude celeste e bem se pode dizer que
põe um pé no limiar da eternidade. No êxtase, é quase completo o aniquilamento
do corpo; já não resta, por assim dizer, senão a vida orgânica e percebe-se que
a alma lhe está presa apenas por um fio, que mais um pequeno esforço faria
partir-se.” (O Livro dos Espíritos, nº 455.)
- Como em nenhum dos outros graus de emancipação da
alma, o êxtase não é isento de erros, pelo que as revelações
dos extáticos longe estão de exprimir sempre a verdade absoluta. A razão
disso reside na imperfeição do espírito humano; somente quando ele há, chegado
ao cume da escala pode julgar das coisas lucidamente; antes não lhe é dado ver
tudo, nem tudo compreender. Se, após o fenômeno da morte, quando o
desprendimento é completo, ele nem sempre vê com justeza; se muitos há que se
conservam imbuídos dos prejuízos da vida, que não compreendem as coisas do mundo
visível, onde se encontram, com mais forte razão o mesmo há de suceder com o
Espírito ainda retido na carne.
- Há por vezes, nos extáticos, mais exaltação que
verdadeira lucidez, ou, melhor, a exaltação lhes prejudica a lucidez, razão por
que suas revelações são com freqüência mistura de verdades e erros, de coisas
sublimes e outras ridículas. Também Espíritos inferiores se aproveitam dessa
exaltação, que é sempre uma causa de fraqueza quando não há quem saiba
governá-la, para dominar o extático, e, para conseguirem seus fins, assumem aos
olhos deste aparências que o aferram às suas idéias e
preconceitos, de modo que suas visões e revelações não vêm a ser mais do que
reflexos de suas crenças. É um escolho a que só escapam
os Espíritos de ordem elevada, escolho diante do qual o observador deve
manter-se em guarda.
- Pessoas há cujo perispírito
se identifica de tal maneira com o corpo, que só com extrema dificuldade se
opera o desprendimento da alma, mesmo por ocasião da morte; são, em geral, as
que viveram mais para a matéria; são também aquelas para as quais a morte é mais
penosa, mais cheia de angústias, mais longa e dolorosa a agonia. Outras há,
porém, cujas almas, ao contrário, se acham presas ao corpo por liames tão
frágeis, que a separação se efetua sem abalos, com a maior facilidade e
freqüentemente antes que se dê a morte do corpo. Ao aproximar-se-lhes o termo da vida, essas almas entrevêem o
mundo onde vão penetrar e pelo qual aspiram no momento da libertação completa.
(Allan Kardec, Obras Póstumas, Primeira Parte,
Manifestação dos Espíritos, Emancipação da alma, itens 29, 30 e 31)
Na primeira parte de Obras Póstumas, Kardec oferece a seguinte informação:
29. O êxtase é o grau máximo de emancipação da alma. "No sonho e no sonambulismo, a alma erra nos mundos terrestres; no êxtase, ela penetra num mundo desconhecido, no dos Espíritos etéreos com os quais entra em comunicação, sem, todavia, poder ultrapassar certos limites, que não poderia transpor sem quebrar totalmente os laços que a prendem ao corpo. Um brilho resplandecente e todo novo a envolve, harmonias desconhecidas sobre a Terra, a arrebatam, um bem-estar indefinível a penetra; ela goza, por antecipação, da beatitude celeste, e se pode dizer que põe um pé no limiar da eternidade. No êxtase, o aniquilamento do corpo é quase completo; não há mais, por assim dizer, senão a vida orgânica, e sente-se que a alma a ela não se prende senão por um fio que um esforço mais forte faria romper sem retorno." (O Livro dos Espíritos, nº 455.)
30. O êxtase, não mais do que os outros graus de emancipação da alma, não está isento de erros; é por isso que as revelações dos extáticos estão longe de ser sempre a expressão da verdade absoluta. A razão disso está na imperfeição do Espírito humano; não é senão quando chegou no cimo da escala, que ele pode julgar sadiamente as coisas; até lá, não lhe é dado de tudo ver nem de tudo compreender. Se, depois da morte, então que o desligamento é completo, ele não vê sempre com justeza; se há os que estão ainda imbuídos dos preconceitos da vida , que não compreendem as coisas do mundo invisível onde estão, com mais forte razão, deve ocorrer o mesmo com o Espírito preso ainda à carne.
Há, algumas vezes, entre os extáticos mais exaltação do que verdadeira lucidez, ou, melhor dizendo, a sua exaltação prejudica a sua lucidez; é por isso que as suas revelações, freqüentemente, são uma mistura de verdades e de erros, de coisas sublimes ou
mesmo ridículas. Os Espíritos inferiores se aproveitam também dessa exaltação, que é sempre uma causa de fraqueza quando não se sabe dominá-la, para dominar o extático, e, para esse efeito, eles revestem aos seus olhos aparências que o mantêm em suas idéias ou preconceitos, de sorte que as suas visões e as suas revelações não são, freqüentemente, senão um reflexo de suas crenças. É um escolho ao qual não escapam senão os Espíritos de uma ordem elevada, e contra o qual o observador deve se ter em guarda.
31. Há pessoas cujo perispírito é de tal forma identificado com o corpo, que o desligamento da alma não se opera senão com uma extrema dificuldade, mesmo no momento da morte; geralmente, são as que viveram mais materialmente; são também aquelas cuja morte é a mais penosa, a mais cheia de angústias, e a agonia a mais longa e a mais dolorosa; mas há outras, ao contrário, cuja alma prende-se ao corpo por laços tão fracos, que a separação se faz sem abalos, com a maior facilidade e, freqüentemente, antes da morte do corpo; à aproximação do fim da vida, a alma já entrevê o mundo onde ela vai entrar, e aspira ao momento de sua libertação completa.