Estudos espíritas
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Paciência e caminho
"Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. (S. Mateus, cap. V, v. 5.)
"Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus". (Idem, v. 9.)
...Indubitavelmente, temperamentos há que se prestam mais que outros a atos violentos, como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor aos atos de força. Não acrediteis, porém, que aí resida a causa primordial da cólera e persuadi-vos de que um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será sempre pacífico, e que um Espírito violento, mesmo num corpo linfático, não será brando; somente, a violência tomará outro caráter, a cólera se tornará concentrada, enquanto no outro caso será expansiva.
O corpo não dá colerá àquele qua não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade? O homem deformado não poderia tornar-se direito, porque o Espírito nenhuma parte tem nisso; mas, pode modificar o que é do Espírito, quando o quer com vontade firme. Não vos mostra a experiência, a vós espíritas, até onde é capaz de ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam sob as vossas vistas? Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso. - Hahnemann, Paris, 1863.
- O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IX, item 10 -
Temos diversas formas de auxiliar:
suprimir a penúria;
estender a beneficência;
criar a generosidade;
consolar o sofrimento.
Existe, porém, uma delas ao alcance de todos e que pode ser largamente exercida em qualquer lugar: o donativo da calma nos momentos atribulados da vida.
Recorda os bens espirituais que consegues distribuir e não marginalizes semelhante recurso.
Diante de reclamações e críticas, usa a tolerância que estabeleça a harmonia possível entre acusados e acusadores; recebendo injúrias e ofensas, silencia e esquece os desequilíbrios de que porventura te fizeste vítima, sustando calamidades da delinqüência; perante a agressividade exagerada de alguém, guarda a serenidade que balsamize corações e pacifique ambientes; encontrando veículos de discórdia, emprega o entendimento que afaste choques e conflitos capazes de suscitar azedume e perturbação.
Em qualquer lance difícil da existência, dispões da possibilidade de atuar beneficamente com os recursos da bondade e da compreensão que entretecem a garantia da paz.
Lembra a faísca lançada impensadamente quando se transforma em fogo descontrolado e devorador.
Qualquer criatura, quando se mostre agindo sem noção de responsabilidade, pode gerar incêndios lamentáveis, destruindo os mais altos valores da vida.
Por isso mesmo, onde estivermos, sejamos nós os bombeiros de Deus.
- Emmanuel/Chico Xavier -
(Do livro: Caminhos de Volta, lição: Bombeiros de Deus)
Não creais em todos os Espíritos
"Meus bem-amados, não creais em
qualquer Espírito; experimentai se os
Espíritos são de Deus, porquanto
muitos falsos profetas se tem levantado
no mundo. - S. João, Epístola 1ª, Cap.
IV, v. 1.
Os fenômenos espíritas, longe de abonarem os falsos Cristos e os falsos profetas, como a algumas pessoas apraz dizer, golpe mortal desferem neles. Não peçais ao Espiritismo prodígios, nem milagres, porquanto ele formalmente declara que os não opera. Do mesmo modo que a Física, a Química, a Astronomia e a geologia revelaram as leis do mundo material, ele revela outra leis desconhecidas, as que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual, leis que, tanto quanto aquelas outras da Ciência, são leis da Natureza. Facultando a explicação de certa ordem de fenômenos incompreendidos até o presente, ele destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso. Quem, portanto, se sentisse tentado a lhe explorar em proveito próprio os fenômenos, fazendo-se passar por messias de Deus, não conseguiria abusar por muito tempo da credulidade alheia e seria desmascarado. Aliás, como já se tem dito, tais fenômenos, por si sós, nada provam: a missão se prova por efeitos morais, o que não é dado a qualquer um produzir. Esse um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita; pesquisando a causa de certos fenômenos, de sobre muitos mistérios levanta ela o véu. Só os que preferem a obscuridade à luz, têm interesse em combatê-la; mas, a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros.
- O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXI, itens 7 e 8 -
Forçoso distinguir sempre o exterior do conteúdo.
Exterior atende à informação e ao revestimento.
Conteúdo, porém, é substância e vida.
Exterior, em muitas ocasiões, afeta unicamente os olhos.
Conteúdo alcança a reflexão.
Simples lições de coisas aclaram-nos o asserto.
A casa impressiona pelo feitio. O interior, contudo, é que lhe decide o aproveitamento.
A máquina atrai pelo tipo. A engrenagem, todavia, é que lhe revela a função.
Exterior consegue enganar.
Um frasco indicando medicamento é capaz de trazer corrosivo.
Uma bolsa aparentemente inofensiva pode encerrar uma bomba.
Conteúdo, entretanto, fala por si.
A essência disso ou daquilo é ou não é.
Imperioso considerar ainda que todas as aquisições, conhecidas por fora, somente denotam valor real se filtradas por dentro.
Cultura é patrimônio incorruptível, no entanto apenas vale para a vida, no exemplo de trabalho daquele que a possui.
Título profissional tem crédito apreciado pelo bem que realiza.
Teoria de elevação não vai sem a prática.
Música é avaliada na execução.
Atendamos, pois, às definições espíritas, que nos traçam deveres imprescritíveis, confessando-nos espíritas e abraçando atitudes espíritas, mas sem equecer que Espiritismo, na esfera de nossas vidas, em tudo e por tudo, é renovação moral. - Emmanuel/Chico Xavier.
O texto é do Livro da Esperança, lição: Exterior e Conteúdo
A paciência
Bem-aventurados os que são brandos,
porque possuirão a Terra.
(S. Mateus, Cap. V, v. 5).
Bem-aventurados os pacíficos, porque
serão chamados filhos de Deus.
(Idem, v. 9).
A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.
Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos de nosso sofrer e para nos porem à prova a paciência.
A vida é difícil, bem o sei. Compõe-se de mil nadas, que são outras tantas picadas de alfinetes, mas que acabam por ferir. Se, porém, atentarmos nos deveres que nos são impostos, nas consolações e compensações que, por outro lado, recebemos, havemos de reconhecer que são as bênçãos muito mais numerosas do que as dores. O fardo parece menos pesado , quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.
Coragem, amigos! Tendes no Cristo o vosso modelo. Mais sofreu ele do que qualquer de vós e nada tinha de que se penitenciar, ao passo que vós tendes de expiar o vosso passado e de vos fortalecer para o futuro. Sede, pois, pacientes, sede cristãos. Essa palavra resume tudo. - Um Espírito Amigo. (Havre, 1862, - O Evangelho Seg. Espiritismo, Cap. IX, item 7).
Quantas vezes rogais orientação nas experiências da vida!
Freqüentemente bateis à porta da Espiritualidade carreando aflições e desgostos, qual se estivésseis esmagados por pedras de desespero. Entretanto, na maioria das ocasiões, o remédio providencial para a supressão disso, já vos enriquece o conhecimento.
Quem de nós desconhecerá o impositivo da paciência, diante dos processos de inquietação que nos assaltam as sendas evolutivas?
Tão simples a indicação - objetar-se-á - que a lembrança nada mais expressa que o óbvio, tão fatal no caminho de todos quanto o ramerrão do cotidiano.
Aquilo, porém, que está claro, nem sempre é o mais fácil de se fazer.
A prática do bem é luz indispensável à conquista da felicidade. Todos sabemos disso. Todavia, quem de nós já consegue acendê-la sem sacrifício?
O auxílio espontâneo ao próximo é a base de segurança. Isso é irrecusável. No entanto, quanto tempo despenderemos ainda no aprendizado integral de semelhante lição?
Em todos os obstáculos por vencer e em todas as sombras por extinguir - engajemos a paciência a serviço do coração. Paciência em tolerância e entendimento, perante todas as provas e lutas que o mundo nos ofereça.
Na Terra, o progresso, na ordem material de vossas realizações, pode seguir vertiginosamente pelas avenidas da inteligência. Entretanto, sem o lubrificante da paciência, na máquina de nosso relacionamento uns com os outros, a velocidade no plano físico, muito comumente, nada mais fará que ressecar as engrenagens da vida, precipitando-vos, muitas vezes, em desequilíbrio ou desastre, estafa ou perturbação.
Se aspiras a encontrar diretrizes seguras que vos garantam a estabilidade do lar ou do grupo social a que pertenceis, se almejas obter o máximo rendimento do trabalho em vossas mãos, se quiserdes realmente apoiar os entes queridos e se efetivamente desejais viver com tranqüilidade e produzir abundantemente, cultivai a paciência à frente de tribulações e problemas que se vos repontem da estrada, sejam quais forem, de vez que unicamente no excercício incessante da paciência é que descobriremos dentro de nós o território da paz, no qual edificaremos, por fim, o reino imperecível do amor.